terça-feira, 26 de julho de 2016

Músicas cretinas

- Tuas músicas são cretinas!
Ela mal entrou no carro e antes de pedir para trocar de música proferiu essa frase bombástica. Como considerava muito aquela amizade, atendi prontamente seu desejo, confesso que um pouco contrariado, mas sem deixar transparecer meu descontentamento. Afinal, não iria brigar por um motivo fútil. Estava tocando Men At Work, um clássico dos anos 80 e subitamente passou para esses sertanejos que fazem sucesso por seis meses e caem no ostracismo.
Não tenho preconceito com o sertanejo universitário, considero sua batida animada e alegre, mesmo tendo letras com pouca intensidade poética. Já funk, a outra modinha do momento, é completamente insuportável, ainda mais com suas temáticas politicamente incorretas. Assim, o que gosto mesmo é do rock, especialmente aquele dos anos 70 e 80, além do pop dessa mesma época, clássicos que funcionam quase como uma terapia, que me fazem esquecer os problemas, relaxar e dão inspiração para escrever, como nesse exato momento.
Minha lista de músicas cretinas é grande, formada por um número imenso de artistas e bandas. Sou bastante eclético, mas em nenhum momento fanático por um determinado grupo. Escuto um pouco de tudo, muitas vezes curto apenas uma única música daquela banda e assim minha playlist vai sendo formada. Nela encontram-se ABBA, Nazareth, Guns, Ramones, Men At Work, Australian Crawl, Outfield, Pink Floyd, Bryan Adams, Bonnie Tyler, Bad Boys Blue, ACDC, Laura Branigan, Queen, Elton John, Cyndi Lauper, Roxette, Creedence, Erasure, Pet Shop Boys, U2, Van Halen, Alphaville, Toto, Dire Straits, The Police, Rolling Stones, Green Day, Scorpions, entre outras feras do pop/rock internacional. Já no que se refere aos artistas nacionais, minhas preferências são Raul Seixas e o rock gaúcho, com destaque especial para Engenheiros do Hawaii. Portanto, só coisa considerada velha e para muitos, até mesmo desconhecida.
Os sucessos musicais da atualidade, considerados ultrapassados de um ano para outro, refletem aquilo que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman define como vida líquida, pois a sociedade contemporânea é imediatista, as relações são efêmeras e as coisas acabam perdendo seu valor de forma muito rápida. Diferentemente de outrora, pois mesmo passando-se três ou quatro décadas, as músicas boas não envelhecem, ainda que alguns teimem em chamá-las de cretinas.
Enfim, quem andar comigo vai escutar muita música cretina, querendo ou não. Mas como toda regra tem sua exceção, certa vez alguém disse que eu não ia “pegar” mulher ouvindo esse tipo de som. Por via das dúvidas, mantenho o sertanejo no carro até hoje!
P. S: E para encerar, uma música cretina, direto de 1978.

domingo, 17 de julho de 2016

Os Jogos Olímpicos de Atlanta 1996

Há dois anos eu escrevia que a Copa do Mundo da França 1998 fora marcante em minha vida, não só pelo álbum de figurinhas daquela edição, mas também pelo interesse de pesquisar em jornais, mapas e revistas informações relevantes sobre os 32 países participantes da competição. Naquela época, fazer esse tipo de trabalho era um tanto complicado, pois sequer existia o Google e a internet apenas engatinhava no Brasil. Mesmo assim, com meus 10 anos de idade ainda incompletos, já me dedicava a tais assuntos, que mais tarde seriam fatores decisivos para minha escolha profissional.
Posso dizer que meu interesse pelas Ciências Humanas começou com Geografia, dois anos antes, durante os Jogos Olímpicos de Atlanta, nos Estados Unidos. Aquela Olimpíada foi extremamente marcante, sendo a primeira que lembro perfeitamente, pois estava na segunda série e a professora trabalhou incansavelmente o assunto nas semanas que antecederam o seu início. Além do mais, a cerimônia de abertura aconteceu exatamente no dia do meu aniversário, uma sexta-feira, às 22 horas, depois da novela “O Rei do Gado”, grande sucesso da época, e se estendeu até algumas horas da madrugada. Antes disso, porém, teve uma pequena janta em comemoração aos meus oito anos de idade, na casa da minha avó e umas partidas de futebol de botão com os primos. Para completar a importância daquela data, do já distante ano de 1996, era início das férias escolares de inverno. Mesmo transcorridas duas décadas, as lembranças continuam muito vivas em minha memória!
Talvez por ter iniciado no dia do meu aniversário e das férias de inverno, os Jogos Olímpicos de Atlanta tenham marcado tanto minha vida. Nos dias seguintes, pesquisava em um velho e desatualizado atlas as bandeiras dos países participantes para depois poder desenhá-las. Obviamente que muitas delas eu não encontrava, como aquelas surgidas a partir da fragmentação da União Soviética, em 1991, entre outros casos. Também procurava encontrar em um globo escolar que eu havia ganhado alguns meses antes a localização das nações que estavam competindo nos jogos. Para isso, acompanhava diariamente as transmissões e quando escutava um nome diferente, imediatamente tentava localizá-lo, como no caso de uma luta de judô entre um brasileiro e um atleta do Cazaquistão.
Aquelas férias de inverno aconteceram exatamente durante as duas semanas de realização dos Jogos Olímpicos. No retorno às aulas, cada um escreveu um texto sobre as Olimpíadas, encerradas na noite anterior, e argumentos não me faltaram para resumir os jogos e descrever sua importância para o mundo, e em especial, para mim mesmo.
Desta forma, se hoje gosto de História, Geografia, Política, Geopolítica e Direito, tais interesses começaram a ser despertados ainda na infância, pelos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996 e pela Copa do Mundo da França 1998. Uma prova de que o esporte pode ser um aliado da educação e um formador de cidadãos, mesmo que eles sejam apenas meros espectadores.