quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Entra ano e sai ano, sempre os mesmos planos

“O tempo passou, claro que passaria” e 2017 está aí, batendo à porta. É chegada a época em que as pessoas desejam votos recíprocos de sucesso e felicidades. Tomara que não sejam efêmeros e possam realmente estar presentes todos os dias do novo ano. Como sou avesso a esses clichês, que por mais bem intencionados que possam ser, parecem mesmo frases decoradas e repetidas, prefiro fazer de forma diferente. Para tanto, como já dissera certa vez o mestre Humberto Gessinger, “entra ano e sai ano, sempre os mesmos planos”, compilei alguns trechos das músicas dos Engenheiros do Hawaii para desejar um feliz 2017.
Um novo ano sempre traz consigo sentimentos de esperança e renovação, tão necessários nessa segunda década do século XXI, onde a imoralidade, a ganância, o desrespeito, a pobreza e orgulho predominam. “Falta pão, o pão nosso de cada dia e sobra pão, o pão que o diabo amassou”. “Hoje o tempo voa nas asas de um avião, sobrevoa os campos da destruição” cometida por seres humanos que se julgam superiores aos seus semelhantes, “nesta terra de gigantes, que trocam vidas por diamantes”. “Pensei que era liberdade, mas na verdade eram as grades da prisão".
Enquanto coletividade, “já perdemos muito tempo brincando de perfeição, esquecemos o que somos: simples de coração”. Mas podemos melhorar, pois é “fácil achar o caminho a seguir num mapa com lápis de cor”. “Não precisamos saber para onde vamos, nós só precisamos ir”, afinal, “somos o que há de melhor, somos o que dá para fazer".
Comece a mudança por você mesmo, faça a diferença para aqueles que estão perto e não espere pelos outros. Lembre-se que “a medida de amar é amar sem medida”. “Perdoe o que puder perdoado, esqueça o que não tiver perdão.” Valorize quem está perto de você e “se faltar calor a gente esquenta, se ficar pequeno a gente aumenta e se não for possível, a gente tenta”. Tenha calma e quando nada der certo, “a gente escreve o resto sem muita pressa, com muita precisão".
Que 2017 seja “por amor as causas perdidas”, com muitas “páginas em branco, fotos coloridas”. Só depende de você escrever belas poesias!
“Eu tive um sonho, o mesmo do outro dia, lembranças do futuro que a gente merecia."
Feliz ano novo, embalado sempre pela poesia dos Engenheiros do Hawaii!

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Doutores do asfalto

Ontem à noite, quando retornava da festa dos professores da escola, passei em frente ao posto Shell no exato momento da chegada dos ônibus universitários. Inevitavelmente fui tomado por um forte sentimento nostálgico, ao lembrar dos tempos de faculdade de História em Santo Ângelo e dos quatro anos de estrada. Apesar de todo o cansaço, dificuldade e imaturidade, aquela época era muito boa e divertida; até hoje guardo as melhores recordações em minha memória.
A aventura nossa de cada dia iniciava-se pouco depois das 18 horas. Eu embarcava na parada em frente ao posto Shell (que na época ainda era Esso e até hoje muitos o chamam assim), que ficava três quadras de casa. O balanço do ônibus tinha o mesmo efeito de uma canção de ninar, afinal, logo depois do trevo da CESA já estava dormindo, sendo acordado apenas por algum colega ao chegar na universidade. O sono tinha um efeito renovador, pois havia trabalhado o dia inteiro e somente ele para me deixar ligado a aula. Infelizmente, hoje não tenho mais esse privilégio de sestear antes dos estudos.
Apesar da constante disputa de interesses, o ônibus universitário era o local mais democrático do mundo. Tinham aqueles que preferiam dormir, como eu. Outros se dedicavam a contar piadas e histórias mirabolantes, uns a jogar truco, os cdfs iam estudando ou lendo o trajeto inteiro, os certinhos sentavam bem na frente e os casais apaixonados se pegavam no fundão, geralmente na volta, aproveitando-se do escurinho. A sexta-feira, principalmente no início do semestre, era o dia mais divertido, especialmente no retorno. A galera fazia uma vaquinha e comprava cerveja para ser degustada durante a viagem. Uns abusavam e passavam mal, outros ficavam bem mais “fáceis”. O posto em São Miguel era parada obrigatória para comprar polenta banhada em óleo, altamente rica em colesterol. Tudo era uma festa!
Podíamos saber pouco de matemática, direito, história ou biologia, mas conhecíamos os segredos da estada em que viajávamos todo dia. Chegar atrasado na aula, furar um pneu ou acontecer um problema mecânico, parar por longos minutos porque estavam consertando a estrada, testemunhar acidentes e motoristas imprudentes, enfrentar temporais, dar “carona” para os colegas do outro ônibus porque o deles estragou, levar uma ralhada de quem queria dormir... Esses eram fatos comuns do nosso cotidiano e que tornavam a jornada mais emocionante.
Passaram-se sete anos desde a minha formatura e a saudade é cada vez maior! Hoje eu não teria mais a mesma disposição para essas epopeias, assumi novos compromissos e estou mais velho, mas aquele tempo foi muito bom, uma baita experiência de vida.

domingo, 9 de outubro de 2016

A vida nas músicas dos Engenheiros do Hawaii - Parte I

Em matéria de música, sou bastante eclético, apesar da minha notória preferência pelo rock. Porém meu ecletismo termina quando se trata de Engenheiros do Hawaii, a melhor banda do Brasil, com suas letras que misturam poesia e vida real; “como é que eu troco de canal?”. Humberto Gessinger realmente é o cara, autor de belíssimas composições que servem de trilha sonora para a nossa vida.
As músicas dos Engenheiros são verdadeiras obras filosóficas, onde “sempre em frente foi o conselho que ela me deu”. Podem ser um bom recurso na hora da paquera, desde que a menina também tenha bom gosto e as conheça, pois “entre a minha boca e a tua, há tanto tempo, há tantos planos”. Isso ajuda muito, mesmo eu não sendo belo, “havia uma garota a fim”.
Ensina ainda que não devemos deixar para depois o que podemos fazer agora, afinal, “hoje o tempo escorre nos dedos das nossas mãos, ele não devolve o tempo perdido em vão”. Por mais que você não consiga percebê-la, “ela para e fica ali parada, olha-se para nada”, ou ainda, simplesmente, “pela janela alguém estará de olho em você”. Explicando de uma forma simples, “seus lábios são labirintos que atraem os meus instintos mais sacanas”.
Você é tão legal que “toda vez que toca o telefone eu penso que é você. E toda noite de insônia eu penso em te escrever”. Resumindo, “nós dois temos os mesmos defeitos, sabemos tudo a nosso respeito”, mas mesmo assim “escute, garota, façamos um trato, você desliga o telefone se eu ficar um pé no saco”. Também “diga a verdade ao menos uma vez na vida, você se apaixonou pelos meus erros”.
E quais são os nossos planos? “Se faltar calor, a gente esquenta. Se ficar pequeno, a gente aumenta. Se não for possível, a gente inventa”. E se não der certo, “sem final feliz ou infeliz, atores sem papel”. Depois das brigas, “volta pra casa, me traz na bagagem, tua viagem sou eu. Novas paisagens, destino passagem, tua tatuagem sou eu”, pois fomos “feitos um para o outro, feitos para durar”.
“Por mais que a gente cresça há sempre alguma coisa que a gente não consegue entender”. “Perdoa o que puder ser perdoado, esquece o que não tiver perdão”, porque “eu não consigo odiar ninguém”. “Se fosse fácil achar o caminho das pedras, tantas pedras no caminho não seria ruim”.
E seja feliz escutando Engenheiros do Hawaii.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Maria Lúcia

       “Maria Lúcia acorda cedo, vai pra praia de biquíni e sempre esquece o bronzeador...” Assim começa mais um clássico do rock gaúcho, da banda Vera Loca, que eu escutava constantemente na minha adolescência, mais precisamente no ano de 2004. Tempos atrás encontrei a versão acústica, tão boa quanto a original, e me bateu uma saudade daquela época.
Saudade dos meus 16 anos.
Saudade do meu celular Nokia 3520, com tela colorida, um avanço para a época.
Saudade dos Jogos Olímpicos de Atenas, o ouro do Brasil no vôlei e o padre maluco que atrapalhou o maratonista brasileiro.
Saudade do 2º ano do Ensino Médio.
Saudade da visita à UFSM.
Saudade dos colegas de escola.
Saudade das aulas de História.
Saudade dos jogos de vôlei e futsal nas tardes de terça e quinta-feira na escola.
Saudade de dormir de tarde.
Saudade dos amores não correspondidos.
Saudade daquela garota com a qual eu jamais falei.
Saudade dos shows do Sargentos.
Saudade de jogar sinuca no Trivial.
Saudade da minha infantilidade.
Saudade dos teatros de Artes.
Saudade das férias escutando Tequila Baby.
Saudade de não ter computador em casa.
Saudade dos jogos de futsal sábado à noite no ginásio da URI (que na época ainda era INSA).
Saudade de não ter preocupações e responsabilidades.
Saudade do primeiro emprego.
Enfim, saudades...
“E se fizer sol, tudo bem. Se não fizer nada, o quê que tem...”

domingo, 28 de agosto de 2016

Separatismo

Dias atrás fui desafiado pelo competente estudante de jornalismo Robson Gomes a falar um pouco sobre as questões separatistas que alimentam o imaginário de muitos gaúchos. Para tanto, comecei a refletir sobre os aspectos que norteiam tal desejo, bem como o ufanismo do povo gaúcho em relação ao restante do Brasil. A secessão, porém, não passa de mera utopia, tendo em vista o disposto na Constituição Federal, logo em seu Art. 1º, ao definir que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal.
Mesmo vedado pelo ordenamento jurídico, o separatismo merece algumas observações de cunho histórico e cultural. A partir do Tratado de Tordesilhas, as terras que hoje compõem o Rio Grande do Sul eram possessões da Espanha e por mais de 300 anos estiveram sob o domínio daquele país. Durante todo o período missioneiro, os padres jesuítas que desbravaram a região juntamente com os indígenas guaranis serviam à Coroa Espanhola. Os portugueses, por sua vez, vieram ocupar esse território apenas em 1737, tendo conquistado o domínio definitivo somente a partir de 1801, com o Tratado de Badajóz, que delimitou as atuais fronteiras sulinas do Brasil. Portanto, nas raízes de sua colonização, o Rio Grande do Sul teve mais influência espanhola do que lusitana.
Esse aspecto histórico justifica as semelhanças culturais existentes entre gaúchos, argentinos e uruguaios, pois os mesmos foram forjados a partir de um passado em comum. Dessa maneira, torna-se natural que os cidadãos do Rio Grande do Sul demonstrem uma identidade e um sentimento de pertencimento muito mais forte com os países do Prata, em contraponto com o restante do Brasil. Essas semelhanças podem ser percebidas, com algumas variações, no consumo do mate, na música, no churrasco, no linguajar, etc.
Ainda no tocante à história, a Revolução Farroupilha é o evento mais célebre para os defensores do separatismo. Ao proclamar a República, em pleno Brasil monárquico, os rio-grandenses demonstraram um grande poder de subversão, pois lutavam pela redução dos impostos sobre o charque e não propriamente pela independência. Tanto é que após o governo imperial atender às reivindicações dos estancieiros, tudo voltou a ser como antes e não se falou mais em secessão.
Além da proibição jurídica, uma hipotética separação seria inviável economicamente, uma vez que o novo país precisaria investir grandes recursos para criar sua própria máquina pública e também pela grave crise que o Rio Grande do Sul enfrenta atualmente. Mesmo investindo toda arrecadação de impostos, sem ter que remetê-los a Brasília, a jovem nação sequer conseguiria manter-se, pois teria gastos financeiros muito maiores e uma economia em constante retração.
Sonhar não custa nada! Mas se não foi possível a separação no século XIX, quando o contexto era mais ou menos favorável, não será agora que o Estado Democrático de Direito está forte e consolidado no Brasil.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Músicas cretinas

- Tuas músicas são cretinas!
Ela mal entrou no carro e antes de pedir para trocar de música proferiu essa frase bombástica. Como considerava muito aquela amizade, atendi prontamente seu desejo, confesso que um pouco contrariado, mas sem deixar transparecer meu descontentamento. Afinal, não iria brigar por um motivo fútil. Estava tocando Men At Work, um clássico dos anos 80 e subitamente passou para esses sertanejos que fazem sucesso por seis meses e caem no ostracismo.
Não tenho preconceito com o sertanejo universitário, considero sua batida animada e alegre, mesmo tendo letras com pouca intensidade poética. Já funk, a outra modinha do momento, é completamente insuportável, ainda mais com suas temáticas politicamente incorretas. Assim, o que gosto mesmo é do rock, especialmente aquele dos anos 70 e 80, além do pop dessa mesma época, clássicos que funcionam quase como uma terapia, que me fazem esquecer os problemas, relaxar e dão inspiração para escrever, como nesse exato momento.
Minha lista de músicas cretinas é grande, formada por um número imenso de artistas e bandas. Sou bastante eclético, mas em nenhum momento fanático por um determinado grupo. Escuto um pouco de tudo, muitas vezes curto apenas uma única música daquela banda e assim minha playlist vai sendo formada. Nela encontram-se ABBA, Nazareth, Guns, Ramones, Men At Work, Australian Crawl, Outfield, Pink Floyd, Bryan Adams, Bonnie Tyler, Bad Boys Blue, ACDC, Laura Branigan, Queen, Elton John, Cyndi Lauper, Roxette, Creedence, Erasure, Pet Shop Boys, U2, Van Halen, Alphaville, Toto, Dire Straits, The Police, Rolling Stones, Green Day, Scorpions, entre outras feras do pop/rock internacional. Já no que se refere aos artistas nacionais, minhas preferências são Raul Seixas e o rock gaúcho, com destaque especial para Engenheiros do Hawaii. Portanto, só coisa considerada velha e para muitos, até mesmo desconhecida.
Os sucessos musicais da atualidade, considerados ultrapassados de um ano para outro, refletem aquilo que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman define como vida líquida, pois a sociedade contemporânea é imediatista, as relações são efêmeras e as coisas acabam perdendo seu valor de forma muito rápida. Diferentemente de outrora, pois mesmo passando-se três ou quatro décadas, as músicas boas não envelhecem, ainda que alguns teimem em chamá-las de cretinas.
Enfim, quem andar comigo vai escutar muita música cretina, querendo ou não. Mas como toda regra tem sua exceção, certa vez alguém disse que eu não ia “pegar” mulher ouvindo esse tipo de som. Por via das dúvidas, mantenho o sertanejo no carro até hoje!
P. S: E para encerar, uma música cretina, direto de 1978.

domingo, 17 de julho de 2016

Os Jogos Olímpicos de Atlanta 1996

Há dois anos eu escrevia que a Copa do Mundo da França 1998 fora marcante em minha vida, não só pelo álbum de figurinhas daquela edição, mas também pelo interesse de pesquisar em jornais, mapas e revistas informações relevantes sobre os 32 países participantes da competição. Naquela época, fazer esse tipo de trabalho era um tanto complicado, pois sequer existia o Google e a internet apenas engatinhava no Brasil. Mesmo assim, com meus 10 anos de idade ainda incompletos, já me dedicava a tais assuntos, que mais tarde seriam fatores decisivos para minha escolha profissional.
Posso dizer que meu interesse pelas Ciências Humanas começou com Geografia, dois anos antes, durante os Jogos Olímpicos de Atlanta, nos Estados Unidos. Aquela Olimpíada foi extremamente marcante, sendo a primeira que lembro perfeitamente, pois estava na segunda série e a professora trabalhou incansavelmente o assunto nas semanas que antecederam o seu início. Além do mais, a cerimônia de abertura aconteceu exatamente no dia do meu aniversário, uma sexta-feira, às 22 horas, depois da novela “O Rei do Gado”, grande sucesso da época, e se estendeu até algumas horas da madrugada. Antes disso, porém, teve uma pequena janta em comemoração aos meus oito anos de idade, na casa da minha avó e umas partidas de futebol de botão com os primos. Para completar a importância daquela data, do já distante ano de 1996, era início das férias escolares de inverno. Mesmo transcorridas duas décadas, as lembranças continuam muito vivas em minha memória!
Talvez por ter iniciado no dia do meu aniversário e das férias de inverno, os Jogos Olímpicos de Atlanta tenham marcado tanto minha vida. Nos dias seguintes, pesquisava em um velho e desatualizado atlas as bandeiras dos países participantes para depois poder desenhá-las. Obviamente que muitas delas eu não encontrava, como aquelas surgidas a partir da fragmentação da União Soviética, em 1991, entre outros casos. Também procurava encontrar em um globo escolar que eu havia ganhado alguns meses antes a localização das nações que estavam competindo nos jogos. Para isso, acompanhava diariamente as transmissões e quando escutava um nome diferente, imediatamente tentava localizá-lo, como no caso de uma luta de judô entre um brasileiro e um atleta do Cazaquistão.
Aquelas férias de inverno aconteceram exatamente durante as duas semanas de realização dos Jogos Olímpicos. No retorno às aulas, cada um escreveu um texto sobre as Olimpíadas, encerradas na noite anterior, e argumentos não me faltaram para resumir os jogos e descrever sua importância para o mundo, e em especial, para mim mesmo.
Desta forma, se hoje gosto de História, Geografia, Política, Geopolítica e Direito, tais interesses começaram a ser despertados ainda na infância, pelos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996 e pela Copa do Mundo da França 1998. Uma prova de que o esporte pode ser um aliado da educação e um formador de cidadãos, mesmo que eles sejam apenas meros espectadores.

domingo, 10 de abril de 2016

O lado pré-histórico do WhatsApp

Em pleno 2016, discutir o lado bom e ruim da tecnologia é um clichê ultrapassado. Sabe-se, há tempos, que ela aproximou as pessoas que estão longe e há muito não se viam; trouxe também a instantaneidade para a nossa vida, pois com um clique ficamos sabendo, em tempo real, o que está acontecendo no mundo.
Aliás, com os celulares cada vez mais modernos que chegam ao mercado, passamos a ficar conectados quase que 24 horas por dia. Talvez aí esteja a parte mais preocupante do avanço tecnológico, onde muitas vezes deixamos de interagir pessoalmente, de dormir, de estudar e de fazer tantas outras atividades de lazer para ficar grudado na tela do telefone. Enfim...
Porém, é inegável que muitos aplicativos existentes nos nossos celulares são extremamente úteis. Como exemplo, podemos citar o WhatsApp, utilizado para troca de mensagens de texto, de voz e de imagens. Basta baixá-lo para interagir gratuitamente com seus contatos, onde quer que eles estejam, desde que, obviamente, exista uma conexão com a internet disponível.
Tal aplicativo revolucionou a comunicação entre as pessoas. Antes dele, eram utilizados apenas os SMS, que eram cobrados pelas operadoras. Tanto é que essas empresas chegaram a tentar barrar a disseminação do WhatsApp, temendo perderem receitas com sua expansão. Tudo em vão, pois ele se tornou a mais popular das ferramentas.
Um de seus recursos mais famosos são os emojis, aqueles desenhos ou caretas. Acontece que várias pessoas utilizam demasiadamente os emojis, em vez de escrever. E aí complica! Como entender o que elas querem dizer se não compreendo o significado da maioria daqueles caracteres? Geralmente eu fico perdido e sem saber o que responder, isso se é que a pessoa deseja realmente uma resposta minha.
Essa situação, cada vez mais corriqueira no mundo digital, me faz associar com o período paleolítico, a primeira e mais remota parte da Pré-História da humanidade. Naquele período de predomínio dos homens das cavernas, rústicos e arcaicos, que tinham como único objetivo a sobrevivência em um mundo até então inóspito, os desenhos nas rochas eram extremamente importantes. Chamados de pinturas rupestres, desempenhavam uma forma de comunicação e manifestação artística, numa época em que a fala articulada era inexistente.
A diferença é que os homens das cavernas entendiam aqueles desenhos, enquanto a maioria dos sapiens da atualidade não tem a mesma capacidade com os emojis do Whats. Talvez nem sempre a evolução seja para melhor! Talvez nosso objetivo continue sendo apenas sobreviver!

sábado, 19 de março de 2016

Quatro anos se passaram...

Já passam das 22 horas e só agora encontrei tempo para sentar na frente do computador e fazer o que mais gosto: escrever. Hoje sinto-me na obrigação de rabiscar, ou melhor, digitar, algumas palavras, pois há exatamente quatro anos eu realizava a primeira postagem aqui neste espaço. Não poderia então, deixar esta data passar em branco. Parece que foi ontem, mas já se passaram quatro anos...
Uma noite de insônia pode ser muito produtiva. Foi exatamente na madrugada de segunda-feira, 19 de março de 2012, que eu tive uma ideia maluca, que logo em seguida tornou-se um sucesso. Sempre gostei de escrever, mas faltava um espaço para isso. Para resolver esse pequeno problema, resolvi criar este blog, inicialmente para falar de História. O tempo passou e comecei a investir em crônicas e contos. Ano passado, iniciei minha segunda graduação, desta vem em Direito, mas ainda não me sinto seguro para postar assuntos relacionados ao meio jurídico.
Com o passar desses anos, percebi que mais importante do que as quase 116 mil visualizações da página é ter um espaço onde eu posso treinar constantemente minha escrita. Isso traz muitos benefícios, pois na hora de escrever um artigo ou qualquer outra produção literária ou acadêmica, não sinto a menor dificuldade para colocar as palavras no papel. Portanto, ter um blog é unir o útil ao agradável. Além do mais, creio ser o único professor aqui de São Luiz a utilizar essa ferramenta continuamente há tanto tempo.
Ser acessado todos os dias e de todos os continentes não era meu objetivo e nem nas minhas melhores expectativas poderia imaginar isso. Mas pelo visto as pessoas gostam do que eu escrevo (nem todas, porque recebo críticas também). Meu muito obrigado aos amigos, colegas e alunos que acompanham o blog, como também àqueles que acessam das várias partes do Brasil e do mundo, os quais eu não faço a menor ideia de quem sejam e o que fazem da vida. Não sou um profissional da literatura, mas gosto muito de escrever nas horas vagas ou quando a inspiração aparece, pois isso me faz bem!
Peço desculpas aos leitores, pois sei que poderia escrever um texto bem melhor para comemorar a passagem desta data. Mas o dia de hoje foi extremamente puxado e cansativo, e como tinha o intuito de postar algo para lembrar dos meus quatro anos na “blogosfera”, isso foi o máximo que consegui produzir!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Meu galo de estimação

Voltar no tempo e recordar a infância sempre traz boas lembranças. É tanta nostalgia, tornando a saudade inevitável, saudade de uma época que não tinha toda essa tecnologia, mas éramos muito felizes. Dia desses, revirando um álbum de família, encontrei uma fotografia, que mesmo simples, tem muito valor. Trata-se do meu saudoso galo de estimação.
Sim, eu já tive um galo de estimação! Isso ocorreu a partir da virada do ano 2000 para 2001, quando eu tinha 12 anos, ou seja, lá se vão mais de 15 anos. Tudo começou em um domingo, quando fomos almoçar na casa de um amigo do meu pai. Ele criava algumas galinhas e no meio delas havia um jovem galo. Estávamos precisando de um novo reprodutor para o terreiro do meu avô, que morava ao lado da nossa casa e também tinha suas galinhas desde tempos imemoriais. Não tive dúvidas, sem fazer cerimônias perguntei ao amigo do meu pai se ele poderia me doar aquele o galo, o que foi prontamente aceito. Ali, naquele momento, iniciou-se uma grande amizade entre eu e o Marco, nome que escolhi para batizá-lo.
Porém ele, com suas penas negras como a noite, mescladas a algumas poucas avermelhadas, era diferente de todos os outros galos que eu já havia conhecido em minha vida. Criei-me brincando com as aves no terreiro do meu avô e nunca tinha visto algo parecido, portanto poderia falar com propriedade sobre o assunto. Marco era extremamente manso e dócil, a ponto de permitir que eu pegasse-o no colo, colocasse-o embaixo do braço e saísse a passear com ele pelo pátio. Também comia milho tranquilamente direto das minhas mãos, sem demonstrar qualquer tipo de receio. Sem contar que era tão bonito ouvi-lo cantar nas madrugadas!
Ele foi muito mais amigo do que qualquer um dos cachorros que tivemos. Porém, a adolescência foi aflorando e meu interesse pelo meu amigo diminuindo, afinal, havia coisas bem mais interessantes a descobrir. Não lembro qual foi exatamente o fim dele, mas creio que tenham torcido seu pescoço e feito risoto, afinal, de tempos em tempos era necessário trocar de reprodutor para não refinar a criação.
Mesmo assim, o Marco marcou minha vida e é uma boa lembrança que tenho do longínquo ano de 2001. Desculpe meu amigo, por não ter lhe valorizado tanto, na época! Fica aqui, com essa crônica, minha homenagem póstuma a você!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O caminhão de porcos

Você programou o ano inteiro suas férias na praia! Enfim chegou o tão esperado mês de janeiro. O carro foi revisado no seu mecânico de confiança, o estepe calibrado, as bagagens encaixadas como quebra-cabeças no porta-malas e suas músicas preferidas estão organizadas no pen drive. É hora de pegar a estrada!
A viagem vai ser longa. As crianças dormem tranquilamente no banco traseiro, sua mulher conversa amenidades e quando você chega aos 100 km por hora ela já pede para ir mais devagar, utilizando aquele velho, porém infalível jargão: pense nas crianças! E você, instintivamente, acaba reduzindo a velocidade, lembrando daqueles dois pequenos e amados seres que estão ali sob sua responsabilidade.
A viagem segue na mais perfeita tranqüilidade. Pouco movimento, estrada relativamente em boas condições e rock and roll tocando. Porém, a partir da metade da tarde o trânsito começa a ficar intenso e dirigir torna-se mais estressante, mas nada que lhe abale, afinal de contas, você está indo para a praia, onde poderá descansar por 15 abençoados dias.
Apesar disso, tudo está correndo na mais perfeita tranqüilidade, até que de repente, um odor nada agradável toma conta do ambiente. As crianças começam a reclamar, o estômago embrulha e nada consegue deter a fragrância fétida, nem os vidros completamente fechados, tampouco o ar-condicionado do carro. Você está atrás de um caminhão que transporta porcos com destino a algum frigorífico para virarem bacon.
Você deseja ultrapassar tal caminhão o quanto antes para poder se livrar do cheiro de esterco que infesta o ar, mas como é uma região com muitas curvas, isso se torna mais complicado. Nas retas, o trânsito intenso no sentido contrário também impede a ultrapassagem. A viagem, até então prazerosa, transformou-se em um martírio, o rock and roll perdeu a graça, as crianças ficaram agitadas e sua mulher agora quer que ultrapasse imediatamente, logo ela, que não queria saber de alta velocidade.
Após intermináveis 10 quilômetros, você finalmente consegue fazer a ultrapassagem! É um momento de alívio, sentimento de vitória, de consagração. Porém, logo depois de concluir a manobra, percebe que não se trata de apenas um único caminhão de porcos, mas sim de um comboio deles.