segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A ponte do rio que cai

As chuvas dos últimos dias trouxeram uma série de transtornos para a população da fronteira-oeste. Rios transbordando, bairros submersos, casas alagadas e pontes rodoviárias interrompidas foram algumas das manchetes que tomaram conta dos noticiários. Tais problemas foram causados, obviamente, por culpa de São Pedro e suas intempéries climáticas, não por falta de planejamento em infraestrutura.
Na região de São Luiz Gonzaga, o caso mais emblemático da chuvarada, até o momento, diz respeito à interdição da ponte sobre o Rio Piraju, na RS-168, em direção a Roque Gonzáles. Com a força da água a cabeceira da estrutura cedeu, abrindo um buraco que compromete a segurança dos motoristas que por ali trafegam. Para evitar acidentes e possíveis tragédias, o DAER interditou a ponte com fitas e galhos e posteriormente com cascalho. Mas nenhuma dessas medidas se mostrou eficiente, pois em ambos os casos os motoristas retiraram os obstáculos e seguiram viagem, mesmo com a iminente possibilidade de desabamento.
Mais uma vez, o famoso jeitinho brasileiro prevalece. Quanto vale uma vida? Rotas alternativas existem, por mais que as autoridades não tenham informado. Aumenta a distância a percorrer? Sim, mas pelo menos são trajetos seguros, que até o presente momento não estão condenados. Mas brasileiro gosta de adrenalina. Desrespeitar uma norma, por menor que ela seja, não faz mal, não é? Corrupção começa em casa e nessas pequenas atitudes diárias, aliás, isso está tão banal que o Brasil precisa de lei para dizer que corrupção é crime. Enquanto isso, o Estado mostra-se incapaz de impor suas determinações e o tráfego segue “normal” na ponte do Rio Piraju!
Não entrando no mérito de ser certo ou errado desrespeitar a interdição, o caso expõe a omissão das autoridades em relação às obras de arte rodoviárias, como a engenharia se refere às pontes, viadutos e afins. Somente nessa última enchente, várias delas tiveram suas estruturas ameaçadas, como a ponte sobre o Rio Ijuí, em Roque Gonzáles, na mesma RS-168; a ponte sobre o Rio Piratini, também na RS-168, na divisa entre São Luiz Gonzaga e Bossoroca, que esteve parcialmente interditada; a ponte Internacional da Concórdia, que divide Quaraí de Artigas, no Uruguai; a ponte de acesso a Cachoeira do Sul, na BR-153.
Recentemente, a ponte sobre a várzea do Toropi, na BR-287, nas proximidades de Santa Maria também desabou. Em 2013, a ponte sobre o Rio Uruguai na BR-386, em Iraí, foi interditada porque balançava quando os veículos cruzavam. A ponte na RS-344, entre Santo Ângelo e Entre-Ijuís, também é um caso emblemático. Em 2012 passou por manutenção para suportar o fluxo de veículos, mas até hoje continua balançando. Não é a toa que nos tempos de faculdade em Santo Ângelo ela era “carinhosamente” conhecida pelos estudantes como a “ponte do rio que cai”, pois realmente dava medo cruzar por ali de ônibus todos os dias.
Dessa maneira, o caso das chuvas dos últimos dias expõe a fragilidade das estruturas rodoviárias existentes não só no Rio Grande do Sul, mas em todo o país. E o quanto estamos vulneráveis, pois a qualquer momento poderemos sofrer as conseqüências dessas omissões. É um emaranhado de falhas, desde a falta de avaliação por engenheiros dos órgãos públicos até o excesso de peso dos caminhões, que acabam comprometendo as estruturas. Tomara que não esperem uma tragédia acontecer para que providências sejam tomadas.

Um comentário:

  1. Pois é amigo Ricardo - se levarmos em conta a idade destas pontes até que custou a acontecer alguma coisa com elas.

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