quarta-feira, 17 de setembro de 2014

As morenas e as músicas gaúchas

Todos os anos, quando chega a Semana Farroupilha, uma dúvida fica mais aguçada em meus pensamentos: por que as músicas gaúchas só abordam em suas letras as morenas? Por que não loiras ou ruivas? Os anos passam e nunca encontrei uma resposta “científica” para isso, sendo assim, desenvolvi uma teoria, que até me provarem o contrário, considero ser a mais próxima da verdade.
Para início de conversa, é preciso destacar que a cultura gaúcha é extremamente machista. Ou alguma das caras leitoras gostaria de ser chamada de “china”, “chinoca” ou coisas do tipo? As chinas eram, obviamente, as prostitutas que acompanhavam as tropas militares e saciavam os desejos carnais dos soldados nos intervalos entre uma batalha e outra. Geralmente eram mestiças e de origem indígena, portanto, morenas.
Nessa época, a cor da pele indicava a camada social a qual se pertencia. Quanto mais branca, mais nobre. As mulheres brancas deveriam ser submissas aos seus maridos. Aliado a isso, a moral cristã pregava que a mulher nobre tinha como única função procriar e em hipótese alguma deveria sentir prazer durante o ato sexual, porque isso era pecaminoso, obra do demônio.
Dessa forma, seus maridos procuravam o prazer fora do casamento, e suas mulheres, temendo o inferno, consentiam tranquilamente com essa prática. Se todas as nobres eram brancas e não podiam desfrutar dos prazeres carnais, quem sobrava para satisfazer os desejos masculinos? As mestiças (morenas), obviamente, descendentes dos indígenas, que existiam aos montes no Rio Grande do Sul, afinal, eles foram os primeiros habitantes do nosso Estado.
Enquanto as mulheres brancas eram tidas como uma reprodução da Virgem Maria, sendo boas mães e puras, as mestiças serviam para o deleite dos rio-grandenses. E assim, de uma forma depreciativa, as morenas fazem parte da tradição musical gaúcha, pois durante boa parte da nossa história, os rio-grandenses desejaram uma para satisfazer seus instintos mais sacanas.

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