sábado, 29 de março de 2014

O álbum de figurinhas da Copa 1998

Há poucos dias vazou na internet o álbum de figurinhas da Copa 2014, a ser lançado, como sempre, pela editora Panini. De súbito me vieram as recordações de 1998, quando tive meu primeiro e único álbum da Copa do Mundo. Na época, tinha quase 10 anos e colecionar aquelas figurinhas autocolantes marcou minha infância, motivado em partes, pela paixão por geografia e história que já naquele tempo eu nutria.
A Copa de 1998 não foi uma das melhores. A derrota do Brasil para a França em 12 de julho (uma semana antes do meu aniversário) foi, digamos, decepcionante. Naquela tarde a seleção não jogou nada e até hoje, suspeita-se de alguma marmelada, afinal, quem não lembra da suposta convulsão do Ronaldo antes da final? E mesmo assim ele estava em campo na decisão, algo que ainda não consigo entender.
O referido mundial deixou muito a desejar, ainda mais se comparado ao de 1994, nos Estados Unidos, aonde uma seleção brasileira desacreditada, mas com muita raça e vontade, foi avançando até despachar a Itália nos pênaltis, na final. Em 1994 dava gosto ver o Brasil jogar, lembro de todos os jogos e também foi nesse mesmo ano que ganhei meus primeiros times de futebol de botão, justamente Brasil e Estados Unidos, que fizeram uma emocionante partida nas oitavas de final, debaixo de um sol escaldante. Porém eu não tive o álbum daquela Copa do Mundo, pois era muito pequeno e nem sabia que ele existia. Mas ele veio quatro anos depois!
Lá por maio de 1998 um colega apareceu na escola com o álbum da copa. Sendo assim, eu não poderia ficar para trás, implorei a meus pais para ter um e fui atendido. As figurinhas vinham em envelopes, contendo cinco em cada um deles, aqui em São Luiz Gonzaga eram compradas na Cinelândia, a livraria que existia ao lado do cinema. O primeiro jogador que tirei foi o mexicano Pavel Pardo e também tive muitas repetidas, mas sempre havia algum amigo para trocá-las. O grande barato era ter as figurinhas dos escudos das seleções, pois elas eram as únicas que vinham com um fundo brilhante.
Não cheguei a completá-lo e até hoje não conheço ninguém que tenha conseguido, apesar de que poderia escrever para a Panini até abril de 1999 pedindo as que faltavam. Mesmo assim, consegui alguns clássicos, não pelas suas habilidades futebolísticas, mas sim por suas belezas um tanto exóticas, como por exemplo, o colombiano Valderrama e os estadunidenses Lalas e Balboa.
Na época, só existia um craque que todos os meninos queriam em seus álbuns, e eu felizmente tinha, que era o Ronaldo. No final dos anos 90, diferentemente de hoje, o futebol mundial andava carente de estrelas, isso até a final, quando Zidane destruiu o Brasil. A Alemanha era um time velho e decadente, a França voltava a disputar um mundial depois de 12 anos, a Espanha não passava de mera coadjuvante, a Argentina ainda não havia achado um craque para substituir Maradona, flagrado no doping quatro anos antes e a Itália continuava sendo eliminada nos pênaltis.
Enfim, o álbum de figurinhas da Copa do Mundo da França 1998 é mais uma das boas e velhas recordações dos tempos de infância. Nem parece, mas já se passaram 16 anos. Direto do túnel do tempo!
Não achei fotos do Valderrama em 1998, mas naquele ano sua cabeleira estava maior ainda
Lalas parece com o Humberto Gessinger, não?