segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O casal gay


Pablo e Ulisses eram amigos há muitos anos. Quando crianças brincavam juntos, freqüentavam a casa um de outro e também brigavam de vez em quando. Veio a adolescência e com ela novas descobertas e amores, porém a amizade permaneceu forte. Parecia que o tempo tinha passado rápido demais e ambos já estavam na faixa dos 20 e poucos anos, porém não haviam perdido o espírito brincalhão da meninice.
A vida adulta e seus compromissos impediam que os amigos se encontrassem mais seguidamente, juntar a turma era um pouco complicado. As junções, antigamente tão comuns, agora ocorriam nas férias e de forma esporádica. Trabalho, namoros e contas a pagar faziam parte da pauta dos jovens, que agora encaravam a vida de forma responsável.
Foi num final de ano, depois de muitos meses, que Pablo e Ulisses se encontraram, em um bar da cidade. Trocaram um aperto de mão bem forte, se abraçaram e começaram a conversar. Falaram sobre a vida, questões profissionais e de mulheres, claro. Ulisses havia terminado um relacionamento havia poucos dias e aguardava ansiosamente pelas festas de final de ano para azarar a mulherada. Já Pablo, por sua vez, contou que estava ficando com uma colega de faculdade muito linda, chamada Marta, que deveria chegar em breve.
Os minutos se seguiram e os rapazes continuaram conversando, pediram uma cerveja e alguns petiscos. Logo em seguida, finalmente chegou Marta, para a felicidade de Pablo.
A jovem, muito extrovertida, animou ainda mais o bate-papo. Rolaram piadas, trocadilhos e muitas risadas pelas horas seguintes. Mas lá pelas tantas, a mãe da moça apareceu para buscá-la. Marta empalideceu e ficou tensa, pois havia um pequeno detalhe: sua mãe desconhecia que ela estava ficando com Pablo e iria querer saber todos os pormenores.
Marta detestava dar detalhes de sua vida, não sabia o que dizer e tampouco qual desculpa inventar. Então Ulisses, sempre de bom-humor e com uma resposta pronta para tudo, contemporizou tranquilamente:
- Diz pra ela que o Pablo e eu somos um casal gay que tu estavas aconselhando.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Lá vem o Uruguai, de novo!


Entre as surpresas que pintaram no mundial da África do Sul de 2010, a principal delas foi a presença do Uruguai no seleto grupo das quatro melhores seleções da Copa. A partir daquele momento a Celeste recuperou a velha garra charrua de quando era temida e respeitada mundialmente, desbancou os favoritos e chegou à semi-final, algo que não ocorria desde 1970. Já em 2011 a seleção uruguaia mostrou sua força novamente ao conquistar o título da Copa América, e no ano seguinte garantiu sua vaga nos Jogos Olímpicos, dos quais estava ausente havia 84 anos.
Por ter sangue uruguaio correndo nas veias, há anos aprecio o futebol do nosso vizinho sulista, que possui muita raça e garra, semelhante ao que é praticado no Rio Grande do Sul. Além do mais, sua camiseta azul celeste é uma das mais belas do mundo. Porém nos anos 80 o futebol do país entrou em decadência, com participações fracas em copas do mundo (e algumas ausências também), além de seus clubes, que desde 1988 não vencem uma Libertadores da América.
O Uruguai foi o responsável pela consolidação das seleções da América do Sul em âmbito internacional. Sagrou-se como o primeiro campeão do mundo em 1930 e repetiu o feito vinte anos depois. Antes disso, conquistou dois ouros olímpicos nos anos de 1924 e 1928, que somados às Copas do Mundo, caracterizaram a equipe como uma das maiores forças da primeira metade do século XX.
Enfim, nesse dia 20 de novembro, a Celeste finalmente carimbou seu passaporte para a Copa 2014. E como de costume, novamente por meio da repescagem internacional, mas desta vez sem aquela tradicional dramaticidade, já que a Jordânia, sua adversária, era muito inferior. Agora me sinto aliviado, porque uma Copa do Mundo sem o bi-campeão Uruguai é uma lástima, ainda mais sendo realizada no Brasil.
Reconheço que talvez seja difícil Forlán, Cavani, Suarez e companhia repetirem o ótimo desempenho de 2010, pois a seleção está envelhecida, afinal, não é nada fácil renová-la em um país com apenas 3,5 milhões de habitantes. Mas isso não quer dizer que ela não seja respeitada, pois pelos seus feitos nos últimos anos hoje se encontra no sexto lugar do ranking da FIFA, posição que a credenciou como uma das oito cabeças de chave do mundial.
É muito bom ver a seleção uruguaia mostrar a mesma força de outrora. Sem badalações e tampouco atletas considerados os melhores do mundo, mas com muita raça e garra, o Uruguai vem aí, de novo!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Chuva de verão


A história de Cecília e Lênin pode acontecer com qualquer um de nós. Basta um pouco de atenção para não deixar que pequenos detalhes passem despercebidos. Aí que mora o perigo! Não se deter às coisas simples e assim deixar passar oportunidades impares de ser feliz e ter sucesso. Ah, se a gente soubesse o que o destino nos reserva. Mas Cecília e Lênin, de certa forma, sabiam!
Cecília era uma charmosa jovem, baixinha e bastante discreta. Falava pouco, mas pensava muito. Eficiente, desempenhava com competência suas atividades no departamento comercial de uma multinacional. Era colega de Lênin, alguns anos mais velho e completamente diferente dela. Ele, por sua vez, gostava de conversar, fazer piadas com os colegas e contar causos. De tanto que falava, era comum sair besteiras, mas Lênin jamais perdia o bom-humor e isso cativava todos a sua volta. Podia fazer sol, chuva, calor ou frio e o jovem mantinha-se sempre com um sorriso largo nos lábios, até mesmo quando havia algum desentendimento no trabalho.
As garotas faziam de tudo para chamar atenção do rapaz, sorriam quando ele chegava, tentavam agradá-lo de todos os jeitos. Mesmo quando lhe faziam perguntas indiscretas, Lênin não ficava sem jeito e as devolvia com bastante classe e inteligência. Cecília também o achava interessante, mas seu jeito discreto a impedia de fazer o mesmo que suas colegas, ela apenas o admirava em segredo e no mais profundo silêncio. Os diálogos entre eles se limitavam em breves “bom-dias” e “boa-tardes”, mas era o suficiente pra fazer o coração da moça disparar.
Lênin também admirava Cecília. Desde a adolescência apreciava garotas tímidas e quietas, que na sua concepção, possuíam um charme a mais. Enquanto as outras continuavam espalhafatosas, o pensamento de Lênin estava cada vez mais em Cecília. Porém achava que ela não estava nem aí para ele.
Cecília fitava seguidamente Lênin e ele ela. Mas como se o universo estivesse conspirando contra, nunca ambos trocaram aqueles fulminantes olhares no mesmo momento, para poderem comprovar que o sentimento era recíproco.
No início do ano seguinte, vários funcionários da empresa foram realizar um curso de aperfeiçoamento na França, entre eles Cecília e Lênin. Foi a primeira vez que os dois conversaram e só confirmaram o que já sabiam: ele era interessante, ela também. Entre reuniões e passeios durante a viagem, rolou o primeiro beijo.
Era uma tarde chuvosa de janeiro. Podia ser apenas mais uma chuva de verão, mas não: eles estavam na Europa.