quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Aquela nota de cinquenta reais


Querendo ou não, a nota de cinquenta reais é a que está mais presente em nossa vida. Pelo menos uma vez ao mês temos contato com ela, ou com um maço delas, quando nosso salário entra na conta. Possuir várias “oncinhas” juntas é sinônimo de certa tranquilidade, pois assim poderemos honrar nossos compromissos financeiros, guardar os trocados que sobrarem, realizar investimentos ou comprar algum bem material. Além do mais, existe aquele velho hábito popular de pagar coisas baratas com um cinquentão, só para pegar cédulas de cinco, dez ou vinte de troco.
Está certo também que outrora ela já foi mais valiosa, que com cinquenta reais poderia se fazer um rancho no supermercado, encher o tanque do carro, pagar as contas de água, luz e telefone. Os mais velhos e saudosos devem se lembrar de outras coisas que eram possíveis de fazer com a onça.
Apesar de todas essas benesses trazidas pela famosa nota, ela pode despertar medo e tensão, principalmente quando se tratar de um coletivo delas. Quem nunca ficou apreensivo ao fazer um pagamento com uma nota de cinquenta reais ou pior ainda, com várias delas? Quem nunca suou frio enquanto a caixa verificava se a nota não era falsa? Quem nunca ficou com medo de ser confundido com um criminoso na hipótese de alguma daquelas ser falsa?
Como já aconteceu de funcionários de banco colocarem, por distração, notas falsas nos terminais de autoatendimento, fico sempre com receio e constrangido ao efetuar pagamentos com notas de cinquenta reais, mas até hoje passei incólume por essas situações. E espero assim continuar, e se caso um dia acontecer tal infortúnio comigo, direi que a culpa é do banco e tomara que minha justificativa seja aceita, pois sempre fui uma pessoa idônea.
Conversando hoje à tarde com um amigo que é policial civil, fiquei mais tranqüilo. Ele me disse que se por acaso esse incidente vier a acontecer, apenas a nota será apreendida para investigação. Me senti aliviado, mesmo sabendo que terei certo prejuízo financeiro.
Para evitar contratempos, já estou cogitando a hipótese de começar a usar somente notas de cinco, dez e vinte reais. Dificilmente alguém confere a veracidade das cédulas desses valores. Poderia usar cartão de crédito também, porém sou pobre e os juros são altos, sendo assim ainda prefiro pagar em espécie. O talão de cheques seria uma boa alternativa também, mas como o meu foi cancelado quando era universitário e não recebia salário, não estou disposto a enfrentar as burocracias bancárias para reativá-lo.
O jeito então é continuar com a adrenalina de pagar as contas com as clássicas notas de cinquenta reais.

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