domingo, 27 de outubro de 2013

O príncipe encantado


Carolina era uma jovem empresária do ramo da moda, no auge dos seus vinte e poucos anos. Profissional muito competente, possuía uma vasta clientela e despontava como uma das melhores da área. Além do mais, primava pelo perfeccionismo em tudo o que fazia, pois julgava isso peça fundamental para o sucesso.
O mesmo valia para seus relacionamentos, onde acreditava na existência de um estereótipo perfeito, que ainda não havia encontrado. Carregava consigo a experiência de vários romances, porém todos deixavam a desejar, e consequentemente duravam pouco tempo. Mas ela não desistia de procurar por seu “par perfeito”.
Apesar de ser uma mulher moderna e independente, Carolina acreditava em conto de fadas. Realizada profissionalmente, faltava ainda resolver esse pequeno detalhe particular para sua felicidade se tornar completa.
Certa vez, em uma festa de final de ano, ela conheceu Gilberto. Ficou balançada e encantada com o rapaz, por ele ser simpático, gentil, atencioso, educado, entre tantos outros adjetivos. Depois de muita conversa e troca de telefones, passou a ter certeza de que realmente tinha encontrado o seu príncipe encantado.
Os dois não demoraram para marcar um reencontro, pois na semana seguinte saíram para jantar e se conheceram melhor. Na mesma noite, Gilberto pediu Carolina em namoro, que transbordando de tanta felicidade, aceitou prontamente.
Ele era completamente diferente dos outros homens, por isso Carolina fazia planos de construir uma família e viver ao seu lado até ambos ficarem bem velhinhos, igual aos seus avós. Tudo era um mar de rosas e um sonho, do qual ela não queria acordar jamais.
Após dois anos de namoro e seis meses de noivado, eles decidiram se casar. A data desse acontecimento tão marcante seria justamente no dia do aniversário da noiva, escolhida por Gilberto, que sempre se preocupava em agradar a amada.
Os últimos meses do ano foram de muita correria com a organização dos preparativos da festa, entrega de convites, escolha de padrinhos, reservas para a lua de mel no Caribe e outros detalhes relacionados à cerimônia. Tudo corria na mais perfeita ordem e ela não via a hora do tão esperando “sim”.
O grande dia finalmente havia chegado. Carolina estava apreensiva, pois nem acreditava que depois de muitos anos de espera, iria se casar com alguém mais do que especial. Na chegada, não conseguia conter o nervosismo, sendo amparada e acalmada por seu pai. A igreja estava lotada, com parentes vindos de longe, amigos de infância, colegas de trabalho e outras pessoas do círculo social dos noivos.
Enquanto a marcha nupcial era executada, a ansiedade aumentava. Quando Carolina chegou ao altar, para sua surpresa, Gilberto não se fazia presente. Até hoje ninguém sabe o seu paradeiro, pois ele foi visto pela última vez justamente na véspera do casamento.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Aquela nota de cinquenta reais


Querendo ou não, a nota de cinquenta reais é a que está mais presente em nossa vida. Pelo menos uma vez ao mês temos contato com ela, ou com um maço delas, quando nosso salário entra na conta. Possuir várias “oncinhas” juntas é sinônimo de certa tranquilidade, pois assim poderemos honrar nossos compromissos financeiros, guardar os trocados que sobrarem, realizar investimentos ou comprar algum bem material. Além do mais, existe aquele velho hábito popular de pagar coisas baratas com um cinquentão, só para pegar cédulas de cinco, dez ou vinte de troco.
Está certo também que outrora ela já foi mais valiosa, que com cinquenta reais poderia se fazer um rancho no supermercado, encher o tanque do carro, pagar as contas de água, luz e telefone. Os mais velhos e saudosos devem se lembrar de outras coisas que eram possíveis de fazer com a onça.
Apesar de todas essas benesses trazidas pela famosa nota, ela pode despertar medo e tensão, principalmente quando se tratar de um coletivo delas. Quem nunca ficou apreensivo ao fazer um pagamento com uma nota de cinquenta reais ou pior ainda, com várias delas? Quem nunca suou frio enquanto a caixa verificava se a nota não era falsa? Quem nunca ficou com medo de ser confundido com um criminoso na hipótese de alguma daquelas ser falsa?
Como já aconteceu de funcionários de banco colocarem, por distração, notas falsas nos terminais de autoatendimento, fico sempre com receio e constrangido ao efetuar pagamentos com notas de cinquenta reais, mas até hoje passei incólume por essas situações. E espero assim continuar, e se caso um dia acontecer tal infortúnio comigo, direi que a culpa é do banco e tomara que minha justificativa seja aceita, pois sempre fui uma pessoa idônea.
Conversando hoje à tarde com um amigo que é policial civil, fiquei mais tranqüilo. Ele me disse que se por acaso esse incidente vier a acontecer, apenas a nota será apreendida para investigação. Me senti aliviado, mesmo sabendo que terei certo prejuízo financeiro.
Para evitar contratempos, já estou cogitando a hipótese de começar a usar somente notas de cinco, dez e vinte reais. Dificilmente alguém confere a veracidade das cédulas desses valores. Poderia usar cartão de crédito também, porém sou pobre e os juros são altos, sendo assim ainda prefiro pagar em espécie. O talão de cheques seria uma boa alternativa também, mas como o meu foi cancelado quando era universitário e não recebia salário, não estou disposto a enfrentar as burocracias bancárias para reativá-lo.
O jeito então é continuar com a adrenalina de pagar as contas com as clássicas notas de cinquenta reais.

domingo, 6 de outubro de 2013

Garotas de óculos

Não é de hoje que garotas de óculos chamam minha atenção. Elas se destacam no meio das demais, possuem um charme extra e uma elegância fora do comum. Seduzem apenas com o simples gesto de arrumá-los junto ao rosto ou de colocá-los para conversar com você. Além do mais, os óculos destacam os olhos, o rosto, a boca e até os cabelos delas.
Meninas de óculos transmitem um ar de intelectualidade e na maioria das vezes, são mesmo. Com elas podemos falar sobre qualquer assunto, pois terão opinião formada sobre tudo, ou quase tudo. Além do mais, esbanjam segurança, simpatia, sabem que são lindas e não precisam agradar ninguém, enfim, são diretas.
Às vezes podem parecer antipáticas, é verdade, mas só quem usa óculos sabe que esse instrumento utilizado para melhorar a visão, ironicamente pode atrapalhá-la, principalmente nas laterais. Mas isso é um mero detalhe que cai por terra quando se estabelece uma boa conversa.
Quem procura uma mulher interessante e inteligente não irá se arrepender de dedicar seu tempo a uma que use óculos. Mas isso não vai adiantar nada se você não for educado, cavalheiro, gentil e não tiver um bom papo. É o ônus de querer ter ao seu lado uma dessas belas e atraentes garotas, mas quem se garante jamais vai temer. Vale a pena correr todos os riscos, pois a causa é muito nobre.
Meninas, se puderem, usem óculos, vocês ficarão ainda mais charmosas. E quem já os utiliza, não reclame, afinal, já está um passo a frente na arte de chamar a atenção sem ser vulgar. É verdade que em algumas situações eles não fazem milagres, mas na imensa maioria dos casos são um poderoso aliado.