quarta-feira, 19 de junho de 2013

Mais uma vez 1986


Escrito em 22/03/2010
A Copa do Mundo de 2014 poderá ser igual à de 1986. Não estou prevendo que a Argentina será campeã e nem que o Brasil cairá nas quartas-de-final novamente para a França, velho algoz do futebol canarinho. As semelhanças com aquele mundial não dizem respeito aos resultados dentro de campo, mas sim com relação à organização do torneio fora dele.
Em 1986, a Copa do Mundo estava prevista para ser realizada na Colômbia, um país dominado pelo grupo terrorista FARC (Forças Armadas e Revolucionárias da Colômbia) e que enfrentava uma séria crise econômica. Devido a esses problemas, três anos antes do mundial o país sul-americano desistiu da organização da Copa, fazendo com que uma nova sede fosse escolhida urgentemente. Como aquela edição seria na América, obedecendo a um rodízio de continentes com a Europa, o México acabou ganhando o direito de organizar o mundial, pois já dispunha da infraestrutura da Copa de 1970, que também foi realizada no país. Quase que a edição de 1986 ficou comprometida.
O Brasil dos anos 2000 não difere muito da Colômbia dos anos 80, exceto pela inexistência de grupos terroristas. Os problemas são os mesmos, ou talvez piores com metrópoles crescendo desordenadamente; trânsito caótico, com rodovias precárias e antiquadas que não suportam a frota de veículos; grande parte da população passando necessidades, vivendo abaixo da linha da pobreza; aeroportos com “apagões aéreos”; pessoas morrendo nos corredores de hospitais; educação pública defasada; entre outros. Soma-se a isso a questão da segurança pública, com bandidos controlando áreas das grandes cidades, com arsenais mais potentes que os da própria polícia. 
É nesse cenário caótico que nossos governantes querem organizar uma Copa do Mundo de futebol, em 2014. Primeiramente é necessário sanar os problemas do país, como saúde, educação, segurança pública, emprego, transportes; para depois se pensar em um evento dessa magnitude. Imagine uma seleção não chegar a tempo de uma partida porque ficou presa no engarrafamento de São Paulo num dia chuvoso, ou então não poder comparecer ao Maracanã porque bandidos fecharam as avenidas do Rio. Essas são hipóteses plausíveis, que não ficariam bem para um país sede de Copa do Mundo.
Realizar uma Copa no Brasil acarretará um enorme desperdício de dinheiro público com reformas e construções de novos estádios, enquanto o país enfrenta sérios problemas sociais, econômicos e de infraestrutura. Esse montante poderia ser investido na redução desses problemas e quando tudo estivesse resolvido, aí sim se pensar na organização de um mundial. Mas a velha política do pão e circo, tão difundida pelos romanos, continua viva na mente dos homens que administram esse país, pois o pão há muito tempo já está servido e o circo, querem trazer daqui a quatro anos.
Portanto o Brasil em 2014 é sério candidato a repetir o que aconteceu com a Colômbia em 1986, não por culpa dos brasileiros, mas de nossos governantes que se lançam em aventuras homéricas, sem pensar nas conseqüências. E por culpa da FIFA também, que escolhe um país sem as mínimas condições para sediar um mundial. Como em 1986, a Copa de 2014 também será na América e uma alternativa de última hora para sediar o torneio será os Estados Unidos, que além de desenvolvido, oferece a mesma infraestrutura do mundial de 1994, que foi sucesso de público e audiência. Os Estados Unidos sim, são capazes de organizar um mundial melhor que o Brasil e na metade do tempo.
Eu ainda não consigo imaginar o Brasil como sede de uma Copa do Mundo que está tão perto. É esperar para ver o que vai acontecer nos próximos quatro anos!

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