domingo, 29 de dezembro de 2013

Perfume de mulher


Quando cruzo por uma mulher cheirosa, lembro-me de súbito do filme “Perfume de mulher”, estrelado por Al Pacino em 1992, no qual seu personagem, um ex-militar cego, passa a se interessar pelas mulheres apenas pelas fragrâncias utilizadas por elas. Uma vez que ele perdeu a visão, foi preciso aguçar outros sentidos e o olfato tornou-se peça fundamental de atração ao sexo oposto.
Realmente, um bom perfume pode fazer toda a diferença. Quem nunca respirou fundo quando uma garota cheirosa passa e deixa no ar o rastro entorpecente do seu perfume? Quem nunca fez isso só para senti-lo por mais tempo? Às vezes a menina nem é tão bonita, mas seu perfume é tão bom que a torna atraente e você fica gamado nela. Ou seria no perfume? O que dizer então do perfume dela impregnado na sua roupa no dia seguinte?
Enfim, as fragrâncias utilizadas pela mulherada são uma arma no jogo da sedução, pois muitas vezes um bom perfume faz milagres e compensa a falta de beleza. Agora, quando além de cheirosa ela for linda, aí é uma combinação mais do que perfeita.
O perfume também pode mexer com os pensamentos. Existem pessoas que conseguem guardar determinados cheiros na memória e senti-los quando bem desejarem. Eles podem nos trazer lembranças da infância e de pessoas queridas, e alguns embaraços, principalmente quando aquela garota interessante que você está a fim ou aquela que você ficou na balada utilizam o mesmo perfume de sua ex.
Entre os prós e contras dos perfumes, os pontos a favor são muito maiores. Creio que isso vale para as mulheres também, portanto aguardo manifestações femininas aqui nesse espaço.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O casal gay


Pablo e Ulisses eram amigos há muitos anos. Quando crianças brincavam juntos, freqüentavam a casa um de outro e também brigavam de vez em quando. Veio a adolescência e com ela novas descobertas e amores, porém a amizade permaneceu forte. Parecia que o tempo tinha passado rápido demais e ambos já estavam na faixa dos 20 e poucos anos, porém não haviam perdido o espírito brincalhão da meninice.
A vida adulta e seus compromissos impediam que os amigos se encontrassem mais seguidamente, juntar a turma era um pouco complicado. As junções, antigamente tão comuns, agora ocorriam nas férias e de forma esporádica. Trabalho, namoros e contas a pagar faziam parte da pauta dos jovens, que agora encaravam a vida de forma responsável.
Foi num final de ano, depois de muitos meses, que Pablo e Ulisses se encontraram, em um bar da cidade. Trocaram um aperto de mão bem forte, se abraçaram e começaram a conversar. Falaram sobre a vida, questões profissionais e de mulheres, claro. Ulisses havia terminado um relacionamento havia poucos dias e aguardava ansiosamente pelas festas de final de ano para azarar a mulherada. Já Pablo, por sua vez, contou que estava ficando com uma colega de faculdade muito linda, chamada Marta, que deveria chegar em breve.
Os minutos se seguiram e os rapazes continuaram conversando, pediram uma cerveja e alguns petiscos. Logo em seguida, finalmente chegou Marta, para a felicidade de Pablo.
A jovem, muito extrovertida, animou ainda mais o bate-papo. Rolaram piadas, trocadilhos e muitas risadas pelas horas seguintes. Mas lá pelas tantas, a mãe da moça apareceu para buscá-la. Marta empalideceu e ficou tensa, pois havia um pequeno detalhe: sua mãe desconhecia que ela estava ficando com Pablo e iria querer saber todos os pormenores.
Marta detestava dar detalhes de sua vida, não sabia o que dizer e tampouco qual desculpa inventar. Então Ulisses, sempre de bom-humor e com uma resposta pronta para tudo, contemporizou tranquilamente:
- Diz pra ela que o Pablo e eu somos um casal gay que tu estavas aconselhando.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Lá vem o Uruguai, de novo!


Entre as surpresas que pintaram no mundial da África do Sul de 2010, a principal delas foi a presença do Uruguai no seleto grupo das quatro melhores seleções da Copa. A partir daquele momento a Celeste recuperou a velha garra charrua de quando era temida e respeitada mundialmente, desbancou os favoritos e chegou à semi-final, algo que não ocorria desde 1970. Já em 2011 a seleção uruguaia mostrou sua força novamente ao conquistar o título da Copa América, e no ano seguinte garantiu sua vaga nos Jogos Olímpicos, dos quais estava ausente havia 84 anos.
Por ter sangue uruguaio correndo nas veias, há anos aprecio o futebol do nosso vizinho sulista, que possui muita raça e garra, semelhante ao que é praticado no Rio Grande do Sul. Além do mais, sua camiseta azul celeste é uma das mais belas do mundo. Porém nos anos 80 o futebol do país entrou em decadência, com participações fracas em copas do mundo (e algumas ausências também), além de seus clubes, que desde 1988 não vencem uma Libertadores da América.
O Uruguai foi o responsável pela consolidação das seleções da América do Sul em âmbito internacional. Sagrou-se como o primeiro campeão do mundo em 1930 e repetiu o feito vinte anos depois. Antes disso, conquistou dois ouros olímpicos nos anos de 1924 e 1928, que somados às Copas do Mundo, caracterizaram a equipe como uma das maiores forças da primeira metade do século XX.
Enfim, nesse dia 20 de novembro, a Celeste finalmente carimbou seu passaporte para a Copa 2014. E como de costume, novamente por meio da repescagem internacional, mas desta vez sem aquela tradicional dramaticidade, já que a Jordânia, sua adversária, era muito inferior. Agora me sinto aliviado, porque uma Copa do Mundo sem o bi-campeão Uruguai é uma lástima, ainda mais sendo realizada no Brasil.
Reconheço que talvez seja difícil Forlán, Cavani, Suarez e companhia repetirem o ótimo desempenho de 2010, pois a seleção está envelhecida, afinal, não é nada fácil renová-la em um país com apenas 3,5 milhões de habitantes. Mas isso não quer dizer que ela não seja respeitada, pois pelos seus feitos nos últimos anos hoje se encontra no sexto lugar do ranking da FIFA, posição que a credenciou como uma das oito cabeças de chave do mundial.
É muito bom ver a seleção uruguaia mostrar a mesma força de outrora. Sem badalações e tampouco atletas considerados os melhores do mundo, mas com muita raça e garra, o Uruguai vem aí, de novo!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Chuva de verão


A história de Cecília e Lênin pode acontecer com qualquer um de nós. Basta um pouco de atenção para não deixar que pequenos detalhes passem despercebidos. Aí que mora o perigo! Não se deter às coisas simples e assim deixar passar oportunidades impares de ser feliz e ter sucesso. Ah, se a gente soubesse o que o destino nos reserva. Mas Cecília e Lênin, de certa forma, sabiam!
Cecília era uma charmosa jovem, baixinha e bastante discreta. Falava pouco, mas pensava muito. Eficiente, desempenhava com competência suas atividades no departamento comercial de uma multinacional. Era colega de Lênin, alguns anos mais velho e completamente diferente dela. Ele, por sua vez, gostava de conversar, fazer piadas com os colegas e contar causos. De tanto que falava, era comum sair besteiras, mas Lênin jamais perdia o bom-humor e isso cativava todos a sua volta. Podia fazer sol, chuva, calor ou frio e o jovem mantinha-se sempre com um sorriso largo nos lábios, até mesmo quando havia algum desentendimento no trabalho.
As garotas faziam de tudo para chamar atenção do rapaz, sorriam quando ele chegava, tentavam agradá-lo de todos os jeitos. Mesmo quando lhe faziam perguntas indiscretas, Lênin não ficava sem jeito e as devolvia com bastante classe e inteligência. Cecília também o achava interessante, mas seu jeito discreto a impedia de fazer o mesmo que suas colegas, ela apenas o admirava em segredo e no mais profundo silêncio. Os diálogos entre eles se limitavam em breves “bom-dias” e “boa-tardes”, mas era o suficiente pra fazer o coração da moça disparar.
Lênin também admirava Cecília. Desde a adolescência apreciava garotas tímidas e quietas, que na sua concepção, possuíam um charme a mais. Enquanto as outras continuavam espalhafatosas, o pensamento de Lênin estava cada vez mais em Cecília. Porém achava que ela não estava nem aí para ele.
Cecília fitava seguidamente Lênin e ele ela. Mas como se o universo estivesse conspirando contra, nunca ambos trocaram aqueles fulminantes olhares no mesmo momento, para poderem comprovar que o sentimento era recíproco.
No início do ano seguinte, vários funcionários da empresa foram realizar um curso de aperfeiçoamento na França, entre eles Cecília e Lênin. Foi a primeira vez que os dois conversaram e só confirmaram o que já sabiam: ele era interessante, ela também. Entre reuniões e passeios durante a viagem, rolou o primeiro beijo.
Era uma tarde chuvosa de janeiro. Podia ser apenas mais uma chuva de verão, mas não: eles estavam na Europa.

domingo, 27 de outubro de 2013

O príncipe encantado


Carolina era uma jovem empresária do ramo da moda, no auge dos seus vinte e poucos anos. Profissional muito competente, possuía uma vasta clientela e despontava como uma das melhores da área. Além do mais, primava pelo perfeccionismo em tudo o que fazia, pois julgava isso peça fundamental para o sucesso.
O mesmo valia para seus relacionamentos, onde acreditava na existência de um estereótipo perfeito, que ainda não havia encontrado. Carregava consigo a experiência de vários romances, porém todos deixavam a desejar, e consequentemente duravam pouco tempo. Mas ela não desistia de procurar por seu “par perfeito”.
Apesar de ser uma mulher moderna e independente, Carolina acreditava em conto de fadas. Realizada profissionalmente, faltava ainda resolver esse pequeno detalhe particular para sua felicidade se tornar completa.
Certa vez, em uma festa de final de ano, ela conheceu Gilberto. Ficou balançada e encantada com o rapaz, por ele ser simpático, gentil, atencioso, educado, entre tantos outros adjetivos. Depois de muita conversa e troca de telefones, passou a ter certeza de que realmente tinha encontrado o seu príncipe encantado.
Os dois não demoraram para marcar um reencontro, pois na semana seguinte saíram para jantar e se conheceram melhor. Na mesma noite, Gilberto pediu Carolina em namoro, que transbordando de tanta felicidade, aceitou prontamente.
Ele era completamente diferente dos outros homens, por isso Carolina fazia planos de construir uma família e viver ao seu lado até ambos ficarem bem velhinhos, igual aos seus avós. Tudo era um mar de rosas e um sonho, do qual ela não queria acordar jamais.
Após dois anos de namoro e seis meses de noivado, eles decidiram se casar. A data desse acontecimento tão marcante seria justamente no dia do aniversário da noiva, escolhida por Gilberto, que sempre se preocupava em agradar a amada.
Os últimos meses do ano foram de muita correria com a organização dos preparativos da festa, entrega de convites, escolha de padrinhos, reservas para a lua de mel no Caribe e outros detalhes relacionados à cerimônia. Tudo corria na mais perfeita ordem e ela não via a hora do tão esperando “sim”.
O grande dia finalmente havia chegado. Carolina estava apreensiva, pois nem acreditava que depois de muitos anos de espera, iria se casar com alguém mais do que especial. Na chegada, não conseguia conter o nervosismo, sendo amparada e acalmada por seu pai. A igreja estava lotada, com parentes vindos de longe, amigos de infância, colegas de trabalho e outras pessoas do círculo social dos noivos.
Enquanto a marcha nupcial era executada, a ansiedade aumentava. Quando Carolina chegou ao altar, para sua surpresa, Gilberto não se fazia presente. Até hoje ninguém sabe o seu paradeiro, pois ele foi visto pela última vez justamente na véspera do casamento.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Aquela nota de cinquenta reais


Querendo ou não, a nota de cinquenta reais é a que está mais presente em nossa vida. Pelo menos uma vez ao mês temos contato com ela, ou com um maço delas, quando nosso salário entra na conta. Possuir várias “oncinhas” juntas é sinônimo de certa tranquilidade, pois assim poderemos honrar nossos compromissos financeiros, guardar os trocados que sobrarem, realizar investimentos ou comprar algum bem material. Além do mais, existe aquele velho hábito popular de pagar coisas baratas com um cinquentão, só para pegar cédulas de cinco, dez ou vinte de troco.
Está certo também que outrora ela já foi mais valiosa, que com cinquenta reais poderia se fazer um rancho no supermercado, encher o tanque do carro, pagar as contas de água, luz e telefone. Os mais velhos e saudosos devem se lembrar de outras coisas que eram possíveis de fazer com a onça.
Apesar de todas essas benesses trazidas pela famosa nota, ela pode despertar medo e tensão, principalmente quando se tratar de um coletivo delas. Quem nunca ficou apreensivo ao fazer um pagamento com uma nota de cinquenta reais ou pior ainda, com várias delas? Quem nunca suou frio enquanto a caixa verificava se a nota não era falsa? Quem nunca ficou com medo de ser confundido com um criminoso na hipótese de alguma daquelas ser falsa?
Como já aconteceu de funcionários de banco colocarem, por distração, notas falsas nos terminais de autoatendimento, fico sempre com receio e constrangido ao efetuar pagamentos com notas de cinquenta reais, mas até hoje passei incólume por essas situações. E espero assim continuar, e se caso um dia acontecer tal infortúnio comigo, direi que a culpa é do banco e tomara que minha justificativa seja aceita, pois sempre fui uma pessoa idônea.
Conversando hoje à tarde com um amigo que é policial civil, fiquei mais tranqüilo. Ele me disse que se por acaso esse incidente vier a acontecer, apenas a nota será apreendida para investigação. Me senti aliviado, mesmo sabendo que terei certo prejuízo financeiro.
Para evitar contratempos, já estou cogitando a hipótese de começar a usar somente notas de cinco, dez e vinte reais. Dificilmente alguém confere a veracidade das cédulas desses valores. Poderia usar cartão de crédito também, porém sou pobre e os juros são altos, sendo assim ainda prefiro pagar em espécie. O talão de cheques seria uma boa alternativa também, mas como o meu foi cancelado quando era universitário e não recebia salário, não estou disposto a enfrentar as burocracias bancárias para reativá-lo.
O jeito então é continuar com a adrenalina de pagar as contas com as clássicas notas de cinquenta reais.

domingo, 6 de outubro de 2013

Garotas de óculos

Não é de hoje que garotas de óculos chamam minha atenção. Elas se destacam no meio das demais, possuem um charme extra e uma elegância fora do comum. Seduzem apenas com o simples gesto de arrumá-los junto ao rosto ou de colocá-los para conversar com você. Além do mais, os óculos destacam os olhos, o rosto, a boca e até os cabelos delas.
Meninas de óculos transmitem um ar de intelectualidade e na maioria das vezes, são mesmo. Com elas podemos falar sobre qualquer assunto, pois terão opinião formada sobre tudo, ou quase tudo. Além do mais, esbanjam segurança, simpatia, sabem que são lindas e não precisam agradar ninguém, enfim, são diretas.
Às vezes podem parecer antipáticas, é verdade, mas só quem usa óculos sabe que esse instrumento utilizado para melhorar a visão, ironicamente pode atrapalhá-la, principalmente nas laterais. Mas isso é um mero detalhe que cai por terra quando se estabelece uma boa conversa.
Quem procura uma mulher interessante e inteligente não irá se arrepender de dedicar seu tempo a uma que use óculos. Mas isso não vai adiantar nada se você não for educado, cavalheiro, gentil e não tiver um bom papo. É o ônus de querer ter ao seu lado uma dessas belas e atraentes garotas, mas quem se garante jamais vai temer. Vale a pena correr todos os riscos, pois a causa é muito nobre.
Meninas, se puderem, usem óculos, vocês ficarão ainda mais charmosas. E quem já os utiliza, não reclame, afinal, já está um passo a frente na arte de chamar a atenção sem ser vulgar. É verdade que em algumas situações eles não fazem milagres, mas na imensa maioria dos casos são um poderoso aliado.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Os mais belos hinos nacionais

Hoje resolvi falar de algo bastante subjetivo, os hinos nacionais. E listo os mais belos, na minha modesta opinião:
França - Conhecido como "A Marselhesa", foi criado em 1792 e adotado como Hino Nacional três anos depois. Deve ter sido de arrepiar os revolucionários de Marselha adentrando Paris entoando esse cântico, durante a Revolução Francesa.

Itália - Mais conhecido por Fratelli d'Italia, era uma das canções mais cantadas pelos soldados durante as guerras da unificação italiana. Foi instituído como Hino Nacional em 1946, quando a república foi proclamada.

Alemanha - Conhecido como "Canção dos alemães", criado em 1848 durante as guerras de unificação da Alemanha, tornou-se o Hino Nacional a partir do final da Primeira Guerra Mundial.
 

Espanha - A Marcha Real Espanhola é um hino nacional peculiar, sendo apenas instrumental. Ao contrário do que muitos pensam, possui letra, mas ela foi suprimida ao final da ditadura Franquista. Sua composição é datada de 1761.
Versão com letra:

Versão sem letra (atual):

Uruguai - Tá, eu sou suspeito pra falar do Uruguai, mas com certeza é um dos hinos mais lindos da América. Criado em 1833, é o mais longo do mundo com aproximadamente seis minutos de duração.


Portugal - Conhecida como "A Portuguesa", composta em 1890, nasceu como uma canção patriótica em resposta ao ultimato britânico para que as tropas portuguesas abandonassem as suas possessões na África. Foi adotada como hino nacional em 1910, quando da proclamação da República.

Holanda - O hino mais antigo do mundo é Wilhelmus, da Holanda, composto entre 1568 e 1572 em homenagem a William de Orange (mártir da independência holandesa) e usado ainda hoje como canção oficial do país. Mas, embora ele tenha sido cantado em cerimônias patrióticas oficiais desde o século 16, só foi oficializado como o hino nacional em 1932. 
Versão com letra e tradução

Versão instrumental

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A legalização da maconha no Uruguai

Um tema polêmico que não deixarei de abordar nas aulas de sociologia
Na semana passada o Uruguai sacudiu o mundo ao aprovar uma lei que libera a venda de maconha no país. Em uma votação apertada, por 50 contra 46, a Câmara dos Deputados de nosso vizinho platino aprovou o projeto, que agora vai para apreciação no Senado, onde nova vitória é garantida, pois os senadores pró-governo são maioria. 
Pela nova lei uruguaia, caberá ao Estado o controle da produção e distribuição da droga. Cada usuário deverá ser cadastrado e poderá adquirir mensalmente até 40 gramas do produto em farmácias. Além disso, qualquer cidadão poderá cultivar determinada quantidade da erva em seu próprio quintal, além da permissão para a formação de cooperativas de produtores. Vale lembrar que tal prerrogativa só valerá para uruguaios residentes no país e brasileiros que moram na fronteira não terão direito a esse benefício.
A decisão uruguaia é inédita, pois em nenhum outro país onde a maconha é liberada, o governo administra sua produção e circulação. Holanda, Espanha e alguns estados dos Estados Unidos permitem apenas a produção e o consumo em determinadas situações. 
Talvez a ideia do uruguaios seja baseada naquele velho ditado: "Se não puder vencer seu inimigo, alie-se a ele". Vendo que por mais que campanhas anti-drogas sejam realizadas e não surtam efeito, o governo de Montevidéu resolveu legalizar um mal que infelizmente já está enraizado na sociedade internacional. Com isso, os traficantes se tornarão empresários e pagarão impostos que trarão benefícios para os cofres públicos. O traficante que lida com drogas mais pesadas achará mais interessante atuar dentro da lei e se dedicará a comercialização da maconha, deixando de lado os entorpecentes mais pesados, que ficarão menos acessíveis aos consumidores e consequentemente os farão diminuir os níveis de dependência. Pelo menos imagino que os políticos uruguaios pensem dessa maneira.
O presidente uruguaio José Mujica já se manifestou dizendo que se a nova lei fracassar, deverá voltar atrás. Afirma ser uma experiência e que toda experiência apresenta riscos, mas que sem riscos não há uma melhora na sociedade.
Para um país menor do que o Rio Grande do Sul e com uma população de menos de 3,5 milhões de habitantes, a medida adotada parece ser interessante. Já para os padrões brasileiros, nem tanto, afinal, é muito mais fácil administrar uma casa pequena do que um país de dimensões continentais. Espanha e Holanda, que já são tolerantes com a maconha, também são pequenos, e nos Estados Unidos, cada estado possui sua própria legislação, características que facilitam a fiscalização e evitam abusos.

sábado, 3 de agosto de 2013

¿Como se llama?

O melhor diálogo da História não está nos livros:

Os colonizadores espanhóis chegam nos Andes, avistam um mamífero ruminante da família dos camelídeos e perguntam aos indígenas:
- ¿Como se llama?
Os indígenas, sem entender absolutamente nada, apenas exclamam a última palavra:
- Lhama?!
E o simpático animal passou a ser conhecido por lhama.

terça-feira, 23 de julho de 2013

O Papa não é pop

O Papa é pop?! Pode até ser, mas somente na famosa canção dos Engenheiros do Hawaii, sucesso no início da década de 90. Em pleno século XXI, a Igreja Católica continua retrógrada, não acompanha a evolução do mundo e ainda preserva princípios e características medievais. Dessa forma, alimenta dogmas que há muito tempo já foram aceitos pela sociedade moderna, tornando suas ideologias vãs para a maioria das pessoas.
Durante o medievo, ela consolidou-se como a instituição mais respeitada e poderosa do mundo. Era conhecida como Senhora Feudal, devido a posse de grandes áreas de terras, doadas por fiéis abastados, em troca do perdão dos pecados. Qualquer nobre teria um lugar garantido no céu, desde que cedesse um bom patrimônio à Igreja. Sua influência era tão grande, que os contratos entre suseranos e vassalos se realizavam através de juramentos perante a Bíblia.
Para legitimar o poder, pregava a existência de três divisões sociais: os nobres, nascidos para lutar; o clero, para rezar; os servos e camponeses, para trabalhar. Como era vontade divina, tal organização jamais poderia ser contestada, apenas respeitada. As riquezas adquiridas nesse período contribuíram para a construção das luxuosas instalações da Basílica de São Pedro, algo definitivamente desnecessário, fora dos princípios religiosos.
Paradoxalmente, a Igreja Católica difundia às classes menos favorecidas que somente os pobres chegariam ao “paraíso”. Para tanto, cobrava 10% de dízimo, chamado “Tostão de Pedro”, como forma de evitar acúmulo de capital, e consequentemente garantir a eles tranqüilidade após a morte. Com esses discursos, espalhava suas doutrinas pelos quatro cantos, afinal, todos temiam o inferno e queriam ser salvos de qualquer maneira.
Já na Idade Moderna, o rei estava centrado como o representante de Deus na Terra. Ninguém ousaria entrar em conflito com o ser superior, portanto, se submetiam aos desmandos reais, que tinham a Igreja como coadjuvante. Vale lembrar também que as expedições marítimas da época só aconteciam com autorização do Papa, fato pelo qual muitos Estados Nacionais seguidamente compravam o cargo, colocando algum aliado no posto. Tal negociata sempre foi comum na história dos líderes católicos, seguidamente envolvidos em assuntos de cunho político.
Porém, nos últimos séculos, a Igreja perdeu hegemonia. A partir do Iluminismo, que substituiu a fé pela razão e consolidou a ciência, a religião teve seu campo de atuação enxugado. Além do mais, a laicização do Estado foi fundamental para esse processo se concretizar.
Apesar das mudanças, a instituição continuou extremamente capitalista. Por isso, se mantém conservadora e irredutível em certos assuntos, como por exemplo, o uso de preservativos e o casamento de pessoas do mesmo sexo. É fácil entender o porquê dessas políticas.
A utilização da métodos contraceptivos irá reduzir a taxa de natalidade e como resultado, a arrecadação da Igreja, pois serão menos batizados. No futuro, os dízimos e matrimônios, que também são fontes bastante lucrativas, estarão comprometidos, podendo causar sua falência financeira. A diminuição populacional fará cair os seguidores do catolicismo e gerar sua decadência. Os mesmos efeitos valem para os casamentos homossexuais, que não vão gerar filhos, futuros contribuintes.
Enfim, se Francisco e seus sucessores quiserem aumentar o número de fiéis, precisarão repensar suas atitudes e acompanhar as mudanças sociais. Ameaças de arder no fogo do inferno, ou da inquisição, já deixaram de assustar e não convertem mais ninguém!

domingo, 21 de julho de 2013

Pra frente Brasil!

Minha primeira crônica, escrita em 30/12/2009

1970. O Brasil vivia uma situação política conturbada, auge da ditadura militar, período de intensa repressão aos opositores do regime político que havia se instalado no país seis anos antes. Com o intuito de esconder as perseguições e mortes, o governo brasileiro usava o artifício do futebol para a população não perceber o que realmente acontecia no país. A Copa de 1970, no México, se tornava uma ampla propaganda de marketing que os militares usavam ao seu favor, e que realmente dava certo, pois eles apostavam que se o país tivesse sucesso no futebol, também teria na política.
Enquanto a maioria da população era cativada pelo esporte, existiam pessoas que lutavam contra a ditadura. Dentre elas estava Jorge Sampaio, um estudante de medicina, líder do Diretório Acadêmico de sua universidade e simpatizante dos ideais socialistas, que havia organizado várias manifestações na capital, por isso estava sendo perseguido. Deveria ser preso e interrogado, mas sabendo o que realmente iria lhe acontecer abandonou a família e a faculdade e foi morar em modesta pensão em uma pacata cidade do interior.
Depois de algumas semanas, numa festa na mais badalada discoteca do lugar, ele conheceu uma charmosa moça de 17 anos de idade, chamada Maria Beatriz. Foi interesse mútuo, ambos dançaram juntos, conversaram, trocaram o primeiro beijo e marcaram o próximo encontro, para a tarde de domingo, na praça. Os dois passaram a se ver quase que diariamente e depois de mais alguns dias de encontros e desencontros, Maria Beatriz convidou Jorge para ir a sua casa.
No dia combinado ele foi e ela lhe apresentou para seus pais, Antônio e Teresa, que o trataram muito bem. Era justamente no dia da estreia do Brasil na Copa contra a Tchecoslováquia, quando o país inteiro parou para acompanhar pelo rádio aquele incrível time com Pelé, Rivelino, Jairzinho, Gérson, Tostão, entre outros craques. As famílias com maior poder aquisitivo já possuíam televisão e podiam assistir à partida, como na casa de Maria Beatriz.
Apesar da boa recepção, Jorge sentiu um frio no estômago e suas pernas tremeram. E não era por estar visitando pela primeira vez a casa da amada, pois já tivera inúmeras namoradas quando morava na cidade grande, sendo que esse momento não tinha nada de inédito para ele. O seu problema tinha nome e sobrenome, chamava-se Antônio Costa, pai de Maria Beatriz. Aquele senhor de sorriso simpático e olhar sério era general do Exército, braço direito do governo no interior do Estado. Apesar desses inconvenientes, Jorge acreditava que poderia manter seu passado omisso, pois a história de trocar a capital pelo interior para curar a asma que o assolava desde a infância tinha sido bem aceita pelos sogros.
Porém dois dias depois, o General Costa recebeu um telegrama informando sobre supostos comunistas subversivos que estavam escondidos na região. No meio da lista encontrava-se o nome de Jorge Sampaio, seu genro. Ao chegar em casa, completamente enfurecido, proibiu sua filha de se encontrar com o jovem, pois não aceitaria de maneira alguma um criminoso em sua família.
Ao perceber que Maria Beatriz não vinha mais encontrá-lo, Jorge decidiu ir até a casa dela. Dona Teresa avisou o que tinha acontecido e disse para ele se afastar, pois seu marido queria vê-lo atrás das grades. Sabendo que sua integridade estava em risco, ele passou a não sair mais de seu quarto da pensão.
Com o desejo de capturar o jovem subversivo e mandá-lo de volta à capital para ser interrogado, General Costa encarregou o Sargento Alcebíades, homem de sua extrema confiança, para encontrá-lo e prendê-lo. O mesmo descobriu em qual pensão o rapaz morava, bem como o número do quarto, e conduziu uma patrulha até o local. Enquanto seus homens ficaram em frente ao prédio, Alcebíades subiu rapidamente as escadas, bateu no 19 e quando Jorge abriu a porta, deu voz de prisão a ele. Como era um moço robusto, ele resistiu e ambos entraram em luta corporal. Para tentar dominá-lo, o sargento desferiu vários tiros contra Jorge, que acabaram atingindo também uma mulher que se encontrava junto. Ambos ficaram ali, agonizando enquanto aguardavam por socorro.
A mulher que estava com Jorge era Maria Beatriz, que tinha fugido de sua casa, pois estava disposta a largar tudo para viver com seu amor, mesmo que isso fosse contra os princípios de seu pai. Era a noite de um gélido domingo de inverno que se iniciara naquela mesma data, 21 de junho. Pouco antes, durante a tarde, o Brasil havia vencido a Itália por 4 x 1 e conquistado o tricampeonato mundial de futebol.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Os vândalos

Mapa da migração dos vândalos até Roma, no século V.

As manifestações pacíficas que varrem o Brasil há mais de uma semana, registraram momentos de destruição ao patrimônio público promovidas por vândalos que se infiltram nos grupos e promovem diversas arruaças. Eles são os responsáveis pelas cenas de violência que a mídia adora enfatizar, como se tais fatos isolados fossem o norte destas manifestações.
No campo histórico, os vândalos foram um dos inúmeros povos bárbaros que atacaram o Império Romano. Originários do leste europeu, migraram em massa para a Europa Ocidental, deixando um rastro de destruição por onde passavam, assim como os demais povos bárbaros. Os romanos consideravam "bárbaros" todos aqueles que tinham costumes diferentes dos seus, não falavam o latim, usavam da violência extrema para suas conquistas (esse último aspecto não se diferenciava muito dos romanos, mas enfim...).
Segundo o Dicionário Aurélio, vândalo significa "membro de um povo germânico bárbaro que devastou o Sul da Europa e o Norte da África". O referido dicionário traz ainda "destruidor de monumentos" e "quem nada respeita".
Portanto, pode-se concluir que a língua portuguesa associa pessoas que costumam depredar, promover badernas e saques aos vândalos, povo que utilizava tais técnicas em suas conquistas. Algo um tanto injusto, pois francos, visigodos, ostrogodos, alanos, francos, entre tantos outros povos bárbaros, também empregavam da violência e seus nomes não são utilizados para designar baderneiros. 
Quanta injustiça com os vândalos, os da Idade Antiga, é óbvio!

Vândalos em ação no século XXI

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Mais uma vez 1986


Escrito em 22/03/2010
A Copa do Mundo de 2014 poderá ser igual à de 1986. Não estou prevendo que a Argentina será campeã e nem que o Brasil cairá nas quartas-de-final novamente para a França, velho algoz do futebol canarinho. As semelhanças com aquele mundial não dizem respeito aos resultados dentro de campo, mas sim com relação à organização do torneio fora dele.
Em 1986, a Copa do Mundo estava prevista para ser realizada na Colômbia, um país dominado pelo grupo terrorista FARC (Forças Armadas e Revolucionárias da Colômbia) e que enfrentava uma séria crise econômica. Devido a esses problemas, três anos antes do mundial o país sul-americano desistiu da organização da Copa, fazendo com que uma nova sede fosse escolhida urgentemente. Como aquela edição seria na América, obedecendo a um rodízio de continentes com a Europa, o México acabou ganhando o direito de organizar o mundial, pois já dispunha da infraestrutura da Copa de 1970, que também foi realizada no país. Quase que a edição de 1986 ficou comprometida.
O Brasil dos anos 2000 não difere muito da Colômbia dos anos 80, exceto pela inexistência de grupos terroristas. Os problemas são os mesmos, ou talvez piores com metrópoles crescendo desordenadamente; trânsito caótico, com rodovias precárias e antiquadas que não suportam a frota de veículos; grande parte da população passando necessidades, vivendo abaixo da linha da pobreza; aeroportos com “apagões aéreos”; pessoas morrendo nos corredores de hospitais; educação pública defasada; entre outros. Soma-se a isso a questão da segurança pública, com bandidos controlando áreas das grandes cidades, com arsenais mais potentes que os da própria polícia. 
É nesse cenário caótico que nossos governantes querem organizar uma Copa do Mundo de futebol, em 2014. Primeiramente é necessário sanar os problemas do país, como saúde, educação, segurança pública, emprego, transportes; para depois se pensar em um evento dessa magnitude. Imagine uma seleção não chegar a tempo de uma partida porque ficou presa no engarrafamento de São Paulo num dia chuvoso, ou então não poder comparecer ao Maracanã porque bandidos fecharam as avenidas do Rio. Essas são hipóteses plausíveis, que não ficariam bem para um país sede de Copa do Mundo.
Realizar uma Copa no Brasil acarretará um enorme desperdício de dinheiro público com reformas e construções de novos estádios, enquanto o país enfrenta sérios problemas sociais, econômicos e de infraestrutura. Esse montante poderia ser investido na redução desses problemas e quando tudo estivesse resolvido, aí sim se pensar na organização de um mundial. Mas a velha política do pão e circo, tão difundida pelos romanos, continua viva na mente dos homens que administram esse país, pois o pão há muito tempo já está servido e o circo, querem trazer daqui a quatro anos.
Portanto o Brasil em 2014 é sério candidato a repetir o que aconteceu com a Colômbia em 1986, não por culpa dos brasileiros, mas de nossos governantes que se lançam em aventuras homéricas, sem pensar nas conseqüências. E por culpa da FIFA também, que escolhe um país sem as mínimas condições para sediar um mundial. Como em 1986, a Copa de 2014 também será na América e uma alternativa de última hora para sediar o torneio será os Estados Unidos, que além de desenvolvido, oferece a mesma infraestrutura do mundial de 1994, que foi sucesso de público e audiência. Os Estados Unidos sim, são capazes de organizar um mundial melhor que o Brasil e na metade do tempo.
Eu ainda não consigo imaginar o Brasil como sede de uma Copa do Mundo que está tão perto. É esperar para ver o que vai acontecer nos próximos quatro anos!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Quando futebol e política se misturam...


O esporte, e o futebol de forma particular, reproduz sob outra forma os conflitos e os problemas existentes na sociedade, e os transforma em jogadas, em passes, em dribles, em gols. Ou seja, é uma transmutação daquilo que habitualmente seria horrendo, doloroso, brutal, por vezes cruento, e que agora passa a ser um jogo. E há quem afirme, com todas as razões, que o futebol é apenas um jogo, não mais que um jogo. Toda vez que se quiser colocar dentro dele elementos estranhos à sua formulação habitual, trazendo o conflito das pessoas, dos grupos, da afirmação de um sobre o outro acima da mediação democrática da bola, aí se tem outra coisa, que não o futebol.
A despeito disso, a política sempre insistiu em ganhar dividendos com o futebol. Na Copa de 1934, o lema da seleção da Itália fascista era "Vitória ou morte". Aí temos Benito Mussolini, Il Duce, o tirano típico. Ele criou slogans populares que acabaram determinando para o povo italiano, de certa forma, uma realização de desejos. "Pátria ou morte" é demasiado, mas está expresso aí um conflito de forma radical, e que serviu por muito tempo de orientação. Mussolini fez do futebol um sucedâneo de suas ideias, voltando às origens do futebol, fazendo com que o esporte pudesse ser a guerra sob outras formas. Mas, no futebol, a vitória não é a morte do adversário. A vitória é apenas a superação do adversário nos termos dele. Isso é a qualidade maior do jogo: uma proposta de enfrentamento, em termos reconhecidos por todos, com legislação bem integrada e reconhecida também, com arbitragem capaz de criar isenção ou por uma compreensão acima daquele conflito generalizado e suado.
Não se pode reduzir a realidade aos interesses da política ou de um líder político. Em 1978, por exemplo, na Copa da Argentina — eu estava lá —, vigia a ditadura militar do general Videla, que morreu no mês passado. Uma ditadura enérgica, brutal, como não tivemos aqui a rigor — embora não haja ditadura melhor que outra, vale frisar. E, mesmo assim, não se via discurso em praça pública, não se viu passeata, não se viu muito que se pudesse caracterizar a utilização, pelo ditador e por seus asseclas, da Copa. O que ocorreu é que o poder teve de se submeter aos valores do futebol e, muito discretamente, sugerir a afirmação de que aquela era uma Argentina organizada, capaz de sediar uma Copa.
Observe Getúlio Vargas. Foi um presidente de República, criador do Estado Novo, figura histórica do Brasil. Dele se ouviu com clareza a seguinte observação: "Num estádio de futebol, se há futebol, não tem discurso". Interessante. Mesmo quando o São Januário, maior estádio da época, lotava para as festas do 1º de Maio, Vargas tinha receio de que o público não aceitasse manifestações políticas. E tinha razão. Se hoje você vai a um estádio de futebol, com todos esperando o início do jogo, e alguém decide discursar — não importa quem seja — será vaiado. Brutalmente vaiado. O que significa isso? Que o futebol é infenso à política? Não. O futebol é, isso sim, profundamente cioso do seu lugar, aquele espaço onde as coisas se realizam, são verdadeiras e onde podem ser cobradas.
O futebol não divide espaço — ou é ele, ou não é. A qualidade desse esporte não é ser ingênuo, distraído ou fora da realidade, mas o fato de que ele é, absoluta e completamente, dominador.

O poder e a bola
Confira momentos em que política e futebol se confundiram ao longo da história:

O fascismo
Copa de 1934, na Itália de Mussolini. Os donos da casa faziam a saudação fascista no hino e jogavam sob o lema "Pátria ou Morte". Foram campeões.


Feridas curadas
Para curar as chagas da II Grande Guerra era preciso habilidade. Por isso, a Fifa escolheu três sedes "neutras" no pós-guerra: Brasil, em 1950, Suíça, em 1954 e Suécia, em 1958.


Guerra da bola
Uma disputa econômica entre El Salvador e Honduras, nas eliminatórias da Copa de 1970, chegou ao campo de jogo e se estendeu para os campos de batalha. Foi a Guerra do Futebol.


Taça política
Em 1962, o presidente João Goulart fez lobby para Garrincha não ser suspenso durante a Copa e depois comemorou a vitória canarinho tomando champanha na Jules Rimet.


Sheik em campo
Na Copa de 1982, o Sheik do Kuwait desceu da arquibancada para anular um gol da França contra seu país. Alguém teria apitado no público, e os jogadores do Kuwait pararam. Depois da confusão e do turbante em campo, o gol foi invalidado.


Levante húngaro
Em 1956, tanques do Pacto de Varsóvia esmagaram um movimento democratizante na Hungria. Vários jogadores da seleção magiar deixaram o time nacional, em protesto. Inclusive o craque Puskas, que, em 1962, jogou a Copa pela Espanha.


Pra frente, Brasil
A campanha da Copa de 1970 teve a marca da ditadura: o técnico comunista João Saldanha foi afastado em favor de Zagallo, e a comissão técnica reuniu vários militares. O tricampeonato embalou a propaganda de um Brasil gigante e vitorioso.


Bem longe de Videla
O holandês Cruyff e o alemão Breitner não foram à Copa de 1978, na Argentina, em protesto contra a ditadura militar de Jorge Rafael Videla. Os holandeses, ao receberem a medalha de vice-campeões, recusaram-se a cumprimentar os militares.


Paz em campo
Durante a Copa de 1998, EUA e Irã, rivais na política, celebraram a paz no futebol. Os países não se entendiam desde a derrubada do Xá, em 1979. Jogadores dos dois times trocaram flores antes do início da partida, vencida por 2 a 1 pelo Irã.


Vingança malvina
Na Copa do México de 1986, Inglaterra e Argentina se enfrentaram quatro anos após a Guerra das Malvinas. Maradona disse que o jogo serviu de vingança pela derrota militar. E com requintes de crueldade: um gol de mão e outro driblando cinco ingleses.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Cimarrón: de gado e cão ao chimarrão

A tradição do chimarrão é antiga. Os desbravadores, nômades por natureza, com saudades de casa e longe de suas mulheres, estavam acostumados a grandes "borracheiras" - porres memoráveis que muitas vezes duravam a noite toda. No dia seguinte, acordavam com uma ressaca proporcional. Os soldados observaram que tomando o estranho chá de ervas utilizado pelos índios Guarani, o dia seguinte ficava bem melhor e a ressaca sumia por completo. Assim, o chimarrão começou a ser transportado pelo Rio Grande na garupa dos soldados espanhóis.
As margens do Rio Paraguai guardavam uma floresta de taquaras, que eram cortadas pelos soldados na forma de copo. A bomba de chimarrão que se conhece hoje também era feita com um pequeno cano dessas taquaras, com alguns furos na parte inferior e aberta em cima.
Os paraguaios têm por tradição tomar o chimarrão frio... O "tererê" paraguaio pode ser tomado com gelo e limão, ou utilizando suco de laranja e limonada no lugar da água.
Na Argentina e no Uruguai a erva é triturada, ao contrário do Brasil, onde é socada. Nos países do Prata, a erva é mais forte, amarga, recomendada para quem sofre de problemas no fígado.
A palavra chimarrão tem origens no vocabulário espanhol
Do espanhol, "cimarrón" significa xucro, bruto e bárbaro, e foi utilizado para designar o gado selvagem que se reproduziu nas vacarias, no intervalo entre o 1º e o 2º Ciclo Missioneiro. Vale lembrar que na primeira tentativa jesuítica de reduzir os índios, 18 reduções foram fundadas e cada uma delas recebeu aproximadamente 100 cabeças de gado. Porém essa tentativa fracassou, índios e jesuítas foram embora, e o gado tornou-se selvagem, espalhando-se e reproduzindo-se em imensos campos, chamados de vacarias. Quando os jesuítas regressaram, passaram a chamar esses animais de "cimarrones"
E assim, a palavra chimarrão, foi também empregada pelos colonizadores do Prata, para designar aquela rude e amarga bebida dos nativos, tomada sem nenhum outro ingrediente que lhe suavizasse o gosto.
A raça de cães cimarrón
Também chamado de cachorro "crioulo" na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, o Cimarron é descendente direto dos cães trazidos pelos espanhóis durante o descobrimento, a conquista e a colonização da América.
Ao cruzarem-se entre si, Mastins, Galgos e Lebreis foram constituindo uma raça que é fruto de absoluta seleção natural, sobrevivendo apenas os mais aptos. Nesse aspecto, sua formação tem a mesma origem e passou pelo mesmo rigorismo que o Cavalo Crioulo, até firmar-se como raça definida.
No território da atual República Oriental do Uruguai, situada sobre o Rio da Prata e Atlântico Sul, foi onde subsistiu melhor e com mais tipicidade.
No final do século XVIII, na época das guerras pela Independência, o General José G. Artigas os imortalizou com sua célebre frase: "Quando me quede sin hombres, pelearé com perros cimarrones!" - Quando ficar sem homens, lutarei com cães cimarrones!
No final do século XVIII, a economia principal da região era a exploração bovina, tendo o couro como principal produto. Assim é que, devido à facilidade e abundância de alimentação, o número de cães "cimarrones" foi aumentado em grandes proporções, causando com isso grandes transtornos. Por ordem do Vice-Rei, no ano de 1.792 foram mortos mais de 300.000. Cada cota de cães abatidos valia uma quantia em ouro.
Algumas mães com seus filhotes conseguiram se salvar, escondendo-se nos matos nativos do Nordeste Uruguaio, hoje Departamentos de Rocha, Treinta y Tres e Cerro Largo. Foi onde o Sr. Carlos Alonso Imhoff pôde ir resgatar os descendentes daqueles Cimarrones e depois de rigorosa seleção, escolheu os primeiros 17 exemplares que serviriam de base para oficializar a raça e redigir o Standard da mesma no ano de 1.989. 
No Brasil foi introduzido através da fronteira do RS com o Uruguai, tendo como principais núcleos criatórios, os municípios de Bagé e Jaguarão.

quinta-feira, 21 de março de 2013

A criação do Estado do Vaticano


Pelos corredores do Vaticano passaram reis, guerras, o melhor da arte e até alguns santos.
Era 11 de fevereiro de 1929 e faltava meia hora para o meio - dia quando um Cadillac preto parou na frente do palácio de Latrão, em Roma. As portas do carro se abriram e o homem mais temido da Itália saiu. Era Benito Mussolini, chefe do regime fascista que governava o país. Dentro do palácio - o quartel general da Cúria Romana, rosto administrativo da Igreja Católica – o Papa Pio XI e seus funcionários mais gabaritados receberam o ditador com apertos de mão. A conversa teve início e Mussolini logo exibiu suas cartas: queria que a Igreja reconhecesse oficialmente o regime – era uma tentativa de neutralizar  o adversário partido popular. A igreja também foi clara ao falar de seus objetivos; pediu o que havia pedido no século XIX, durante o processo de unificação italiana: um Estado soberano. Por volta da 1 hora da tarde, Mussolini assinou o Tratado de Latrão, que conferia ao Papa um território independente dentro de Roma. Em troca a Igreja reconhecia como legítimo o governo controlado pelo “Ducci”.
A rigor, foi nesse dia de inverno, na soturna companhia de um dos mais violentos tiranos do século XX, que nasceu o Estado do Vaticano como ele é hoje: o menor país independente do mundo e a última monarquia absolutista da Europa. Mas o encontro em Latrão foi resultado de uma história muito mais longa, que se enraíza 2000 anos no passado – desde um tempo em que o Papa era apenas o bispo de Roma, uma entre muitas lideranças de uma seita perseguida. Em seu auge, pontífices se declaravam os “senhores do mundo” e desencadeavam guerras sangrentas com um sinal da cruz.  Hoje, o Papado é a mais longeva organização internacional da história. De onde veio, e onde foi parar tanto poder? Para desvendar essa história é preciso retornar às origens do cristianismo, quando Roma virou centro de uma seita judaica nascida nas areias do Oriente Médio...
No início, o cristianismo era uma seita de judeus para judeus. Tanto é verdade que, após a crucificação de Cristo, os apóstolos se mantiveram pregando em Jerusalém. A ideia de que Jesus era o tão aguardado Messias, porém não pegou entre os Judeus. Pelo contrário: os Apóstolos foram tão hostilizados que se viram obrigados a se espalharem pelo Oriente Médio e pregar para novos ouvidos. Foi assim que o Messias passou a ser descrito como o redentor de todos os homens e de todas as raças. O discurso colou. Comunidades chamadas Igrejas (do latim “ecclesia” – assembleia), pipocaram em cidades da Ásia, da África e Europa. E logo chegaram ao centro político da época. A tradição católica assegura que Pedro viajou a Roma por volta do ano 42.
A vida na capital não era fácil: os Cristãos eram perseguidos por se recusar a adorar deuses romanos. O próprio Pedro foi preso e levado ao circo de Nero, uma arena usada para corridas de carruagens e execuções de traidores construída num terreno pantanoso nos subúrbios de Roma. A região era conhecida como “vaticanus”, provável derivação de “vaticus”, antiga aldeia Etrusca que existia lá. Nesse lugar misterioso e algo sinistro, Pedro foi crucificado e enterrado. Mas precavido que era, já havia escolhido um sucessor, Lino, Romano convertido ao cristianismo sobre o qual quase nada se sabe além do nome. E assim a autoridade de Pedro foi transmitida, como continuaria sendo de geração em geração e de bispo em bispo até chegar a Bento XVI – ou 267º herdeiro de São Pedro – ou 265º;  como prefere a Igreja, que riscou de sua lista Estevão que morreu 3 dias após ser eleito, e Cristovão, que tomou o poder à força.
Em resumo: está aí a tese do “primado de Roma”, segundo o qual os bispos romanos são os representantes legítimos de Jesus. Mas, os fatos que sustentam esse dogma, nunca foram unanimidade. Não há prova da passagem de Pedro por Roma. A Bíblia nada diz a respeito. Lendas sobre a viagem e martírio foram coletadas por volta de 312 D.C., na obra de um propagandista da Igreja, Eusébio de Cesaréia.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Quando a Igreja Católica foi comandada por uma mulher. Lenda ou verdade?!

Papisa Joana: mito ou segredo da Igreja?!

Como nos últimos dias a mídia só fala na renúncia do Papa Bento XVI, lembrei desse caso curioso que aconteceu na Idade Média, quando uma mulher exerceu o cargo de Sumo Pontífice da Igreja Católica. Acredito que essa história pode ser verídica, tendo a Igreja razões óbvias para omiti-la. Enfim, cada um tire as suas próprias conclusões.

Esta história começou a rondar a Europa entre os anos 850 e 858. Para alguns, uma mera lenda – para outros, um dos maiores segredos da Igreja Católica.
A lenda da Papisa Joana conta a história de uma mulher muito sábia que governou a maior igreja do mundo, por dois ou três anos.
Existem diversas versões para tal lenda. Uma delas afirma que Joana havia nascido no oriente, com nome de Giliberta, e vestia-se de homem para estudar Filosofia e Teologia. Sendo o estudo proibido à mulheres, percebemos o quanto uma mulher tornar-se líder da maior instituição da época era  algo grave. Por isso alguns acreditam que os Católicos Ortodoxos possam ter implantado essa lenda para macular o nome da igreja “inimiga”.
Depois de algum tempo, Joana (ainda como homem), impressionara  os doutores da Igreja Católica com sua sabedoria. Após a morte do Papa Leão IV, ela/ele assumiria o cargo papal como João VII. A mesma versão também conta que Joana havia se apaixonado por um guarda suíço e engravidara dele.
Já a versão difundida pelo cronista Martinho de Opava conta que Joana havia nascido na Alemanha, e era filha de um casal inglês. Na idade adulta, casou-se  com um monge e foi morar na Grécia, onde teria se vestido de homem para não causar escândalos. Começou a se chamar Johannes Angelicus, e tornou-se monge, e posteriormente um cardeal (João, O inglês). Após a morte do Papa Leão IV, com voto unânime, tornou-se Papa. Nessa versão também engravidara. A justificativa de ninguém descobrir o fato é que as roupas do Papa são largas o suficiente para não se perceber uma barriga.
Para a morte de Joana também existem duas versões:
Na primeira delas, ela morreu com complicações no parto enquanto os cardeais gritavam ao pé da cama: “É um milagre!”.
Na segunda, Joana teria as dores do parto em meio de uma procissão e morreria apedrejada pelos fiéis, pois eles acreditavam que o trono de São Pedro havia sido profanado.
Até hoje pouco se sabe sobre o quanto há de verdade nessa lenda. Um fato muito peculiar é que uma das cartas do Tarot teria “A Papisa” representa a “sabedoria e a chave de todos os mistérios do mundo”.
E você leitor, acredita que isso de fato aconteceu? Não deixe de comentar!