segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Romantismo medieval: os cintos de castidade


O cinto de castidade é uma espécie de faixa fechada à cadeado que os maridos mais zelosos usavam na Idade Média com a intenção de guardar a castidade das suas mulheres.
Para ser utilizado o objeto metálico era devidamente ajustado ao corpo da esposa e depois trancado à chave pelo marido desconfiado, permanecendo desse jeito até que ele retornasse ao lar. Sobre tal costume alguns historiadores duvidam de que seja verdadeiro, enquanto outros acreditam que a razão da existência desse tipo de cinto não tinha nenhuma relação com a preocupação dos maridos quanto a fidelidade das esposas, mas sim com a certeza de que os filhos gerados por elas eram realmente deles, para que a linhagem familiar continuasse mantendo o domínio das propriedades.
Uma outra corrente de estudiosos defende a tese de que os cintos de castidade, na verdade, teriam surgido no século 19, durante a chamada época vitoriana, um período marcado por forte puritanismo, mas contrariando essa opinião o poeta grego Homero, que viveu entre os séculos 11 e 7 antes de Cristo, diz em sua Odisséia que Hefesto, deus do fogo e da fundição, forjou um cinturão de bronze para que sua amada Afrodite permanecesse fiel a ele, enquanto outras obras da Idade Média também fazem referência a essa estranha peça. Para completar, há pouco tempo foi divulgada a notícia de que arqueólogos haviam descoberto o esqueleto de uma mulher que viveu entre fins do século 16 e princípio do século 17, no qual eles encontraram uma faixa de metal protegendo a região genital.
 Por FERNANDO KITZINGER DANNEMANN via http://profedeborahistoria.blogspot.com.br/

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O outro lado da Guerra dos Farrapos


No dia 20 de setembro alguns relembram o que classificam “Revolução” Farroupilha, ao enaltecer a bravura e a valentia de poucos rio-grandenses do século XIX. Tal acontecimento, considerado o mais importante do Estado, passou de uma simples reivindicação burguesa para um ícone da memória coletiva dos habitantes do Rio Grande do Sul. Porém ele é cercado de certos equívocos, que quase se tornam verdades absolutas.
A figura e o perfil do gaúcho surgiram de um processo completamente diferente daquele defendido pelos Farrapos. O gentílico foi utilizado durante muito tempo para designar os trabalhadores envolvidos diretamente com a lida campeira, que vagavam pelo pampa de estância em estância, na busca de serviços temporários. Como eram nômades, deslocavam-se no lombo do cavalo, dormiam debaixo do pala nas gélidas noites de inverno, se aqueciam com o chimarrão e seu maior divertimento consistia em jogar um carteado ou assar uma carne no fogo de chão.
A cultura gaúcha é basicamente oriunda da vida desses homens que viviam sem luxo algum, perambulando pela campanha. Até as músicas enfocam em sua ampla maioria assuntos relacionados a essa temática. Somente no final do século XIX que o termo começou a ser empregado como adjetivo pátrio dos habitantes do Rio Grande do Sul. Os Farroupilhas, por serem exclusivamente nobres, não se consideravam gaúchos, mas sim rio-grandenses.
A Guerra dos Farrapos, idealizada somente pela classe abastada da época, tinha como finalidade reduzir os impostos do charque local, mais caro que no vizinho Uruguai. A liberdade proposta era unicamente de comércio, baseada nos moldes do liberalismo econômico, sendo mais lucrativo os próprios latifundiários controlarem e administrarem seus negócios, sem pagar tributos ao Império. Movido por esse ideal, mascarado com lemas de liberdade, igualdade e humanidade, eles fundaram a República Rio-Grandense.
Além do mais, não se pode considerar o movimento como uma Revolução, pois historicamente essa denominação é utilizada para se referir a uma mudança drástica e duradoura. De fato, isso não aconteceu no Rio Grande do Sul, onde as mudanças foram apenas temporárias. Quando a província aceitou a paz proposta pelo Império, em 1845, tudo voltou a ser como antes e a Revolução deixou de existir.
O legado da Guerra dos Farrapos também é preconceituoso. Os escravos foram utilizados como massa de manobra e enganados em troca da tão sonhada liberdade, mesmo constituindo um importante pelotão de infantaria, conhecido por “lanceiros negros”. Para engajá-los à luta, os líderes Farroupilhas prometeram abolir a escravidão caso eles combatessem com bravura, algo que não passou de pura propaganda enganosa.
A liberdade para o referido grupo não estava na pauta dos Farrapos, porque essa medida resultaria em grandes prejuízos financeiros e eles temiam que os escravos pudessem se rebelar, o que seria perigoso às elites. Coube então a David Canabarro organizar uma emboscada para os lanceiros negros, fazendo com que os mesmos caíssem nas mãos do Exército Imperial. O episódio ficou conhecido como a traição de Porongos, por ter acontecido no cerro de mesmo nome, e resultou no completo massacre desses homens.
Os protagonistas do conflito visavam apenas consolidar seus negócios e é lamentável que até hoje muitos os cultuem como heróis. Dentre os envolvidos, o único que merece respeito é o General Neto, que acreditou até o fim que as ideias Farroupilhas pudessem se tornar realidade para todos. Descontente com o acordo de paz, exilou-se no Uruguai.
Os gaúchos não deveriam se deter tanto na Guerra dos Farrapos, mas sim valorizar mais outros aspectos de sua origem e história. É paradoxal ver que as pessoas cultuam tanto um conflito fracassado, do qual a província não obteve a separação do resto do Brasil, a escravidão não foi abolida e a igualdade não existiu. Literalmente, como diz no hino Rio-Grandense, a causa Farroupilha não foi mais do que “ímpia e injusta”; guerra que não trouxe nenhum benefício para o Rio Grande do Sul.