quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Eu te amo meu Brasil... eu te amo!

"... meu coração é verde, amarelo, branco, azul, anil"
Quem nunca cantarolou esses versos, principalmente nas semanas da Pátria, durante as séries iniciais? Pois é, um dos hinos da ditadura militar brasileira continua mais vivo do que nunca. Até hoje a criançada é instigada a cantá-lo nessas ocasiões, seja pela sua letra grudenta ou até mesmo pelo desconhecimento das educadoras quanto a sua apologia. O certo é que essa aparente inocente canção foi utilizada para encobrir as repressões e arbitrariedades do final dos anos 60 e início dos 70. Vamos aos fatos!
Em 1969, o General Emílio Garrastazu Médici assumiu o governo, permanecendo no poder até 1974. Ele ficou conhecido como um dos presidentes mais repressivos do regime militar. Para desviar a atenção da população quanto a violência existente nos porões da ditadura, desenvolveu uma forte propaganda ufanista, dentre as quais o slogan "Brasil: ame ou deixe-o". Associou também a figura da seleção brasileira campeã mundial em 1970 como sinônimo de crescimento para o país, além de instigar o chamado "milagre brasileiro", que se consolidou como uma grande ilusão de crescimento econômico e jogada de marketing, pois enquanto a maioria da população dispunha de bons salários e facilidade em adquirir bens de consumo, não conseguia perceber a repressão política existente.
Brasil: ame ou deixe-o
Nesse quadro, o que seria amar o Brasil? Nada mais do que aceitar a situação em que o país vivia, sem contestar absolutamente nada. Por isso muita gente preferiu deixá-lo, mas sem deixar de amá-lo, obviamente.
E em 1970, a banda "Os incríveis" gravou a famosa música "Eu te amo meu Brasil". Era tudo o que Médici e companhia desejavam. Os integrantes da banda afirmaram, anos mais tarde, que a composição não fazia nenhuma apologia política. Será?! Cada um tire suas próprias conclusões!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A Primeira Guerra Mundial: a guerra de trincheiras

A Primeira Guerra mundial ocorreu entre os anos de 1914 e 1918, vitimando um contingente de aproximadamente 20 milhões de pessoas e deixando outros 20 milhões de feridos, entre civis e militares. Foi um conflito motivado por interesses imperialistas, destacando-se nesse contexto a Inglaterra, a principal potência econômica e industrial da época e a Alemanha, que despontava como forte candidata a superar os ingleses e assumir a hegemonia nesses setores. Mas não vamos nos deter a esses fatores e sim a uma característica peculiar da Primeira Guerra: as trincheiras.
As trincheiras fizeram parte das estratégias de proteção militar e manutenção e domínio de territórios conquistados, sendo utilizadas por vários Exércitos. A luta estática dentro das trincheiras inicialmente não estava nos planos dos generais, mas as estratégias previstas fracassaram, pois se previa uma guerra de movimento, o que efetivamente não ocorreu. Na época, uma pá equivalia-se a um rifle no quesito sobrevivência, tamanha a importância que as trincheiras adquiriram no decorrer da guerra. As trincheiras se estendiam do litoral da Holanda, no Mar do Norte, ao longo da fronteira com a Alemanha até a Suíça, formando uma linha contínua de quase 300 km.
Entrincheirados os soldados escapavam das balas inimigas, porém encaravam muita lama, infestações de piolhos e ratos que se alimentavam de cadáveres nos campos neutrais ou “terra de ninguém”, que eram os espaços existentes no meio das trincheiras adversárias. As condições insalubres fizeram surgir novas doenças como a febre-de-trincheira, causada por bactérias transmitidas por piolhos e o pé-de-trincheira, infecção transmitida por fungos que se proliferavam através da umidade, do frio ou do uso prolongado de botas apertadas. Essa enfermidade, quando não tratada a tempo, podia causar a amputação dos pés.
Normalmente as trincheiras eram cavadas em ziguezague, para que em decorrência de um ataque inimigo por meio de granadas ou mesmo quando da utilização de gases tóxicos, não fossem atingidos um número muito significativo de soldados. Existiam também abrigos subterrâneos que podiam chegar até dez metros de profundidade, nos locais onde os conflitos eram mais amenos. Tais abrigos contavam com certos luxos, como luz elétrica e confortáveis camas.
A vida dos soldados nas trincheiras era um verdadeiro purgatório. Tinham que conviver com um ambiente insalubre e fétido dos cadáveres em decomposição, a pestilência das valas, a degradação psicológica, o som ensurdecedor das bombas, a falta de água potável, a fome, o frio, o sono, a escuridão iluminada pelas explosões.