quarta-feira, 11 de julho de 2012

Gandhi e sua luta pacífica pela independência da Índia

A Índia, um país de dimensões continentais, sofreu várias dominações estrangeiras a partir do século XVI, com portugueses, holandeses, franceses e ingleses. Porém, foi através da influência britânica que ela adquiriu uma unidade nacional, pela imposição de um idioma comum e métodos educativos ocidentais, idênticos àqueles existentes na Grã-Bretanha. No decorrer dos anos, as classes indianas atingidas por esse processo educacional começaram a contestar o domínio inglês, fazendo surgir um amplo sentimento nacionalista.
Nesse contexto destacou-se a figura de Mohandas Gandhi, mais conhecido por “Mahatma”, a “Grande Alma”. Advogado com formação britânica, Gandhi presenciou o regime de segregação racial do “Apartheid”, na África do Sul, onde morou por certo tempo. Para tentar deter as opressões, convocou um grupo de hindus a lutar pacificamente contra essas arbitrariedades. Ao retornar à sua terra natal, foi influenciado por amigos e líderes locais a fazer o mesmo contra o domínio britânico.
Após viajar pelo país, Gandhi conheceu o alto grau de pobreza da população, assolada pela miséria e fome, resultante da exploração européia ao longo dos séculos. Assim, passou a defender a necessidade de independência, através de uma resistência pacífica. Sua figura era tão forte e respeitada, fato pela qual se tornou símbolo da união de povos distintos que habitavam o mesmo território e tinham o mesmo objetivo em comum.
Dentro do movimento, incentivou também as campanhas de desobediência civil, propondo o boicote aos produtos ingleses. Elas refletiram-se na questão do vestuário, pois todos deveriam confeccionar suas próprias roupas, ao invés de comprá-las e também à produção de sal, onde cada um utilizaria o oceano Índico para produzi-lo. Tais atitudes desagradaram os colonizadores, que possuíam o monopólio comercial na Índia, mas tornaram Gandhi cada vez mais conhecido por sua capacidade de mobilizar as massas.
Outro fator importante foi a Segunda Guerra Mundial. Após o conflito, a Inglaterra ficou enfraquecida economicamente, tornando inviável a manutenção de seu vasto império colonial, aliado ao crescimento dos movimentos nacionalistas pedindo a libertação indiana. A guerra foi o ponto chave, pois caso contrário, os ingleses somente consentiriam com a independência quando a colônia não representasse mais lucros aos seus cofres.
A diversidade cultural e religiosa da Índia era representada por hindus e muçulmanos. Enquanto lutaram pela libertação, ambos conseguiram manter-se unidos sob a liderança de Gandhi, que acreditou na convivência harmoniosa entre os dois grupos. Mas depois ocorreram cisões e a sua crença não se efetivou.
Os muçulmanos criaram o Paquistão Ocidental, atual Paquistão; e o Paquistão Oriental, hoje conhecido como Bangladesh. Entre eles ficou um enclave hindu, a Índia, que abrigou a maioria da população, originando as hostilidades entre os dois países, principalmente em relação às questões territoriais. Como a independência ocorreu no início da Guerra Fria, o Paquistão alinhou-se aos Estados Unidos, enquanto a Índia voltou-se para o lado soviético, aumentando ainda mais a tensão na região.
Atualmente, o principal motivo da rivalidade entre as duas nações está ligado à Caxemira, uma província do norte da Índia, com maioria muçulmana, reivindicada pelo Paquistão. Essas disputas podem resultar em uma guerra nuclear, pois ambos possuem tecnologia para a fabricação de bombas atômicas e outros artefatos bélicos.
Portanto, o grande legado da independência da Índia está na figura de Gandhi, assassinado por um extremista hindu, descontente com sua maneira tolerante de tratar os muçulmanos. Além disso, o movimento caracterizou-se como uma das poucas revoluções da história que não utilizou a violência para obter sucesso.

2 comentários:

  1. Lembrei de uma matéria da Super Interessante sobre uma frase atribuída à Gandhi, se interessar: http://super.abril.com.br/blogs/superblog/frase-da-semana-olho-por-olho-e-o-mundo-acabara-cego-gandhi/

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    1. Ótima contribuição Fernanda! Muito obrigado!

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