terça-feira, 24 de julho de 2012

Os caudilhos

O caudilhismo foi um sistema comum na América espanhola após sua independência e também no Brasil, onde era conhecido por coronelismo e se registrou mais ativamente durante a República Velha. Tratava-se de senhores que detinham grande influência em certas regiões, geralmente no interior, e com isso passavam a dominar os habitantes conforme seus interesses e de quem estava no poder. A diferença entre o sistema da América espanhola e o brasileiro está apenas no nome, pois o processo entre ambos era idêntico.
No Brasil, os governantes da época viam no caudilhismo (ou coronelismo, como queiram) uma forma de perpetuar seus interesses. Concediam aos homens de poder em cada região o título de Coronéis, mesmo eles sendo civis. Com isso, tinham pessoas de sua extrema confiança para controlar cada localidade, promover sua ideologia e combater possíveis opositores, pois os Caudilhos, dentre outras atribuições, possuíam poderes de polícia e caso fosse necessário, poderiam até mesmo matar para manter a ordem. Eram também os responsáveis por recrutar homens para organizar milícias, que visavam manter a segurança local.
Os Caudilhos se caracterizaram também como uma importante força social, política e econômica. Geralmente eram latifundiários, oriundos de famílias ricas e que conquistavam apoio da população através de seus discursos ou então pelo uso da força. Por isso, o mais fácil e racional era venerar esses importantes senhores do que contestá-los, pois o que eles diziam era lei, por serem homens bons, honestos e respeitáveis; na visão das comunidades que eles controlavam.
Dessa forma, vários governantes e também muitos Caudilhos, se perpetuaram no poder, pois a população votava de acordo com os interesses deles, sendo que ninguém jamais ousaria ir de encontro as suas ideias. Ademais, controlar as pessoas naquela época era muito fácil, pois os habitantes do interior, em sua imensa maioria, eram analfabetos e com pouca instrução, bastando um simples discurso para manipulá-los. Aliado a esses fatores, os Caudilhos prometiam proteção àqueles que se submetessem aos seus domínios, o que facilitava a adesão maciça da população em favor dos interesses deles.
O caudilhismo do século XXI
Várias características do caudilhismo ainda estão presentes na sociedade brasileira, pois muitos dos nossos atuais representantes continuam como forças sociais, políticas, econômicas e policiais. Atualmente nota-se que eles têm o poder de fazer promessas de melhorar a vida das pessoas, a educação, a saúde, a segurança pública, através de discursos impregnados com propostas de mudanças que dificilmente saem do papel. Ainda existem aqueles que realizam “pequenos” desvios de dinheiro público e pensam que nunca serão descobertos e por fim, continuam como forças policiais quando instalam CPI para averiguar fraudes e corrupção, o que na maioria das vezes sempre acaba em pizza.
Portanto, o caudilhismo de hoje se resume em trocas de favores, compra de votos, benefícios a companheiros, fraudes, entre outras ilegalidades, muitas vezes legitimado pelo povo, que elege pessoas incapacitadas para os poderes Executivo e Legislativo. Tudo isso calcado nos mesmos moldes do sistema que funcionou durante a República Velha, e ainda quando possível com o uso da artimanha de enganar, digo, persuadir a população.
P.S: no Rio Grande do Sul, por sua proximidade com os países platinos, os coronéis eram mais conhecidos por caudilhos.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Gandhi e sua luta pacífica pela independência da Índia

A Índia, um país de dimensões continentais, sofreu várias dominações estrangeiras a partir do século XVI, com portugueses, holandeses, franceses e ingleses. Porém, foi através da influência britânica que ela adquiriu uma unidade nacional, pela imposição de um idioma comum e métodos educativos ocidentais, idênticos àqueles existentes na Grã-Bretanha. No decorrer dos anos, as classes indianas atingidas por esse processo educacional começaram a contestar o domínio inglês, fazendo surgir um amplo sentimento nacionalista.
Nesse contexto destacou-se a figura de Mohandas Gandhi, mais conhecido por “Mahatma”, a “Grande Alma”. Advogado com formação britânica, Gandhi presenciou o regime de segregação racial do “Apartheid”, na África do Sul, onde morou por certo tempo. Para tentar deter as opressões, convocou um grupo de hindus a lutar pacificamente contra essas arbitrariedades. Ao retornar à sua terra natal, foi influenciado por amigos e líderes locais a fazer o mesmo contra o domínio britânico.
Após viajar pelo país, Gandhi conheceu o alto grau de pobreza da população, assolada pela miséria e fome, resultante da exploração européia ao longo dos séculos. Assim, passou a defender a necessidade de independência, através de uma resistência pacífica. Sua figura era tão forte e respeitada, fato pela qual se tornou símbolo da união de povos distintos que habitavam o mesmo território e tinham o mesmo objetivo em comum.
Dentro do movimento, incentivou também as campanhas de desobediência civil, propondo o boicote aos produtos ingleses. Elas refletiram-se na questão do vestuário, pois todos deveriam confeccionar suas próprias roupas, ao invés de comprá-las e também à produção de sal, onde cada um utilizaria o oceano Índico para produzi-lo. Tais atitudes desagradaram os colonizadores, que possuíam o monopólio comercial na Índia, mas tornaram Gandhi cada vez mais conhecido por sua capacidade de mobilizar as massas.
Outro fator importante foi a Segunda Guerra Mundial. Após o conflito, a Inglaterra ficou enfraquecida economicamente, tornando inviável a manutenção de seu vasto império colonial, aliado ao crescimento dos movimentos nacionalistas pedindo a libertação indiana. A guerra foi o ponto chave, pois caso contrário, os ingleses somente consentiriam com a independência quando a colônia não representasse mais lucros aos seus cofres.
A diversidade cultural e religiosa da Índia era representada por hindus e muçulmanos. Enquanto lutaram pela libertação, ambos conseguiram manter-se unidos sob a liderança de Gandhi, que acreditou na convivência harmoniosa entre os dois grupos. Mas depois ocorreram cisões e a sua crença não se efetivou.
Os muçulmanos criaram o Paquistão Ocidental, atual Paquistão; e o Paquistão Oriental, hoje conhecido como Bangladesh. Entre eles ficou um enclave hindu, a Índia, que abrigou a maioria da população, originando as hostilidades entre os dois países, principalmente em relação às questões territoriais. Como a independência ocorreu no início da Guerra Fria, o Paquistão alinhou-se aos Estados Unidos, enquanto a Índia voltou-se para o lado soviético, aumentando ainda mais a tensão na região.
Atualmente, o principal motivo da rivalidade entre as duas nações está ligado à Caxemira, uma província do norte da Índia, com maioria muçulmana, reivindicada pelo Paquistão. Essas disputas podem resultar em uma guerra nuclear, pois ambos possuem tecnologia para a fabricação de bombas atômicas e outros artefatos bélicos.
Portanto, o grande legado da independência da Índia está na figura de Gandhi, assassinado por um extremista hindu, descontente com sua maneira tolerante de tratar os muçulmanos. Além disso, o movimento caracterizou-se como uma das poucas revoluções da história que não utilizou a violência para obter sucesso.