sexta-feira, 18 de maio de 2012

Raul Seixas e o rock de protesto dos anos 70

Raul Seixas foi um dos maiores ícones do rock nacional. Após mais de vinte anos de falecimento seu trabalho continua fazendo sucesso até mesmo com as novas gerações, que nem chegaram a conhecê-lo. De subversivo, passou a ser sinônimo de cultura e inteligência para aqueles que o escutam.
Nas composições, Raul protestava contra os acontecimentos de seu tempo. Por seguir essa linha, teve alguns problemas com a censura no período da ditadura militar, quando desagradou quem estava no poder ao propor uma “Sociedade alternativa” àquela existente na década de 70. Mesmo assim, nas canções seguintes, deixou nas entrelinhas vários questionamentos que dificilmente eram percebidos pela censura da época.
A música “Sapato 36 criticava a repressão existente no Brasil dos anos 70, que podia ser traduzida, entre tantos versos, pelo seguinte: "eu calço é 37, meu pai me dá 36, dói mas no dia seguinte, aperto meu pé outra vez." O pai em questão, era obviamente o governo militar.
Já “SOS”, por sua vez, tinha uma temática relacionada à sociedade da época. Segundo ela, somente com uma mudança de planeta para resolver os problemas que existiam no país, além de seu título dispensar maiores explicações.
Ao falar sobre o repertório de Raul Seixas, não se pode esquecer do clássico “Cowboy fora da lei”, onde ficavam expostas as intenções dos postulantes aos cargos públicos. Ele não queria ser prefeito, pois era capaz de mentir sozinho, criticando assim a maioria de nossos representantes, que até hoje pensam somente em seus próprios interesses.
Mais um clássico que pode perfeitamente ser trilha sonora do momento é “Anos 80. Apesar de lançado na década perdida para representar as mudanças que aconteciam no Brasil, continua em evidência porque cada vez mais se varre “lixo pra debaixo do tapete que é supostamente persa pra alegria do ladrão”.
Porém às vezes Raul protestava explicitamente. Em “Mamãe eu não queria”, abordou seu desagrado contra o serviço militar obrigatório, enfatizando que muitos faziam (e ainda fazem) certas coisas contra a própria vontade, pois “se fosse tão bom assim não seria imposição”.
"Ouro de tolo" é outra obra prima do mestre Raulzito. Nela estava uma crítica ao chamado milagre brasileiro do governo Médici, que desviou o foco das torturas e perseguições do Regime Militar. As pessoas possuíam bons empregos, ganhavam ótimos salários, tinham o carro do ano, moravam em bairros nobres; mas não conseguiam perceber as arbitrariedades cometidas nos porões da ditadura.
Pra finalizar, não posso deixar de citar "Ave Maria da Rua", que enfoca as desigualdades sociais.
Outras contribuições são muito bem-vindas. Deixe seu comentário!

Um comentário:

  1. Boa Ricardo XD Grande Raul. Você consegue fazer o mesmo estilo de post falando sobre as musicas da Legião Urbana? XD

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