sábado, 26 de maio de 2012

O boicote aos Jogos Olímpicos de 1980 e 1984

Faltando apenas dois meses para os Jogos Olímpicos de Londres, a situação atual é bem diferente da existente há três décadas.
No final dos anos 70 e início dos anos 80, as disputas políticas e ideológicas da Guerra Fria, mesmo em certo declínio, tiveram reflexos no cenário esportivo mundial. Naquela época, Estados Unidos e União Soviética ainda detinham o poder oriundo da bipolaridade entre capitalismo e socialismo, surgida a partir do final da Segunda Guerra Mundial.
O artigo abaixo expressa muito bem a forma como Estados Unidos e União Soviética lideraram os boicotes aos Jogos Olímpicos que aconteceram na casa de seus rivais políticos.
Jogos Olímpicos de Moscou/1980
Em 1979, o Afeganistão tremeu. Desde 1973 envolvido com uma disputa pelo governo entre os mujahidin – rebeldes muçulmanos – e adeptos de um regime comunista, no dia 25 de dezembro a URSS invadiu o país, alegando “a manutenção do regime comunista e garantir a paz no Oriente Médio”. Trocando em miúdos: garantir petróleo, àquela época escasso no mundo após o Segundo Choque do Petróleo, ocorrido naquele ano.
Todo o planeta, obviamente, percebeu as intenções soviéticas em sua ocupação. Jimmy Carter, presidente americano, declarou no dia 20 de janeiro de 1980 que, em caso da não retirada das tropas russas do Afeganistão dentro de um mês, seu país iria boicotar os Jogos Olímpicos de sete meses depois, em Moscou.
Como a história confirma, os soviéticos não retiraram suas Forças Armadas do país árabe. Como resposta, grande parte do bloco capitalista – obviamente liderado pelos EUA – não foi para Moscou, com seus atletas dessas nações competindo sob a bandeira olímpica, unicamente. Japão, Alemanha Ocidental, China (essa em litígio com a URSS desde a década de 60 e se aproximando dos EUA na época) e França foram os destaques dentre as nações “boicoteiras”. Alguns desses participaram do Liberty Bell Classic, uma mini Olimpíada realizada na Universidade da Pensilvânia em abril de 1980.
Em Moscou, na abertura dos Jogos, o presidente e secretário geral do PCUS, Leonid Brejnev, lamentou o boicote ocidental a Olimpíada em terras russas. Além disso, no encerramento, o ursinho Misha – mascote daqueles Jogos – chorou simbolizando a “tristeza” dos soviéticos pelas ausências, que fizeram com que apenas 80 nações participassem daquelas Olimpíadas. No fechamento dos Jogos, a tradição de se executar o hino nacional do país que sediaria as próximas Olimpíadas foi respeitada e uma versão curta do hino americano foi executada.
Jogos Olímpicos de Los Angeles/1984
Após a ausência de uma parte do bloco capitalista nos Jogos de Moscou, era esperada uma ação semelhante por parte da União Soviética e seus seguidores socialistas. No dia 8 de maio de 1984, a expectativa se confirmou: o governo russo anunciou que não enviaria a sua forte comissão de atletas para Los Angeles. O recado era claro e não precisava ser dito: “boicotou o meu, boicoto o seu”.
O que era discutido e negociado após o anúncio russo era apenas uma coisa: “quem irá aderir ao boicote? Todo o bloco ou parte dele?” – Logo após isso, algumas respostas chegaram: a Bulgária e a Alemanha Oriental anunciaram que iriam seguir a política soviética no dia 10; logo depois, Mongólia e Vietnã (no dia 11); Laos e Tchecoslováquia (dia 13); Afeganistão – esse curiosamente participou dos Jogos de Moscou e boicotou Los Angeles, mesmo sob ocupação russa – Hungria e Polônia (dias 16 e 17, respectivamente). No dia 24, Cuba seguiu o bloco socialista; o Iêmen do Sul, no dia 27 e fechando o grupo que aderiu a URSS, Coreia do Norte e Angola.
Curiosamente, outros países também não foram a Los Angeles: o Irã alegou que “os americanos interferem no Oriente Médio, auxiliam o governo que ocupa Jerusalém e cometem crimes na América Latina, especialmente em El Salvador”. É a única nação que boicotou Moscou e Los Angeles. Além desse, a Líbia, Albânia e a Etiópia também aderiram ao movimento.
Assim como em 1980, o bloco boicotador organizou uma competição alternativa: os Jogos da Amizade, ocorridos na União Soviética entre julho e agosto de 1984. Em 1980, os Jogos ocorreram na Filadélfia, organizados na área da Universidade da Pensilvânia.

Por Rodrigo Farias 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Raul Seixas e o rock de protesto dos anos 70

Raul Seixas foi um dos maiores ícones do rock nacional. Após mais de vinte anos de falecimento seu trabalho continua fazendo sucesso até mesmo com as novas gerações, que nem chegaram a conhecê-lo. De subversivo, passou a ser sinônimo de cultura e inteligência para aqueles que o escutam.
Nas composições, Raul protestava contra os acontecimentos de seu tempo. Por seguir essa linha, teve alguns problemas com a censura no período da ditadura militar, quando desagradou quem estava no poder ao propor uma “Sociedade alternativa” àquela existente na década de 70. Mesmo assim, nas canções seguintes, deixou nas entrelinhas vários questionamentos que dificilmente eram percebidos pela censura da época.
A música “Sapato 36 criticava a repressão existente no Brasil dos anos 70, que podia ser traduzida, entre tantos versos, pelo seguinte: "eu calço é 37, meu pai me dá 36, dói mas no dia seguinte, aperto meu pé outra vez." O pai em questão, era obviamente o governo militar.
Já “SOS”, por sua vez, tinha uma temática relacionada à sociedade da época. Segundo ela, somente com uma mudança de planeta para resolver os problemas que existiam no país, além de seu título dispensar maiores explicações.
Ao falar sobre o repertório de Raul Seixas, não se pode esquecer do clássico “Cowboy fora da lei”, onde ficavam expostas as intenções dos postulantes aos cargos públicos. Ele não queria ser prefeito, pois era capaz de mentir sozinho, criticando assim a maioria de nossos representantes, que até hoje pensam somente em seus próprios interesses.
Mais um clássico que pode perfeitamente ser trilha sonora do momento é “Anos 80. Apesar de lançado na década perdida para representar as mudanças que aconteciam no Brasil, continua em evidência porque cada vez mais se varre “lixo pra debaixo do tapete que é supostamente persa pra alegria do ladrão”.
Porém às vezes Raul protestava explicitamente. Em “Mamãe eu não queria”, abordou seu desagrado contra o serviço militar obrigatório, enfatizando que muitos faziam (e ainda fazem) certas coisas contra a própria vontade, pois “se fosse tão bom assim não seria imposição”.
"Ouro de tolo" é outra obra prima do mestre Raulzito. Nela estava uma crítica ao chamado milagre brasileiro do governo Médici, que desviou o foco das torturas e perseguições do Regime Militar. As pessoas possuíam bons empregos, ganhavam ótimos salários, tinham o carro do ano, moravam em bairros nobres; mas não conseguiam perceber as arbitrariedades cometidas nos porões da ditadura.
Pra finalizar, não posso deixar de citar "Ave Maria da Rua", que enfoca as desigualdades sociais.
Outras contribuições são muito bem-vindas. Deixe seu comentário!

sábado, 12 de maio de 2012

Lucy: da música para a História

Talvez esta não seja uma das canções mais conhecidas e nem tenha feito grande sucesso, mas está estreitamente ligada à História da humanidade. Composta por Paul McCartney e John Lennon e lançada pelos Beatles no antológico álbum “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”, no ano de 1967, a música "Lucy in the Sky with Diamonds" virou uma peça importante historicamente, apesar da polêmica que se criou sobre ela. Alguns alegavam que ela fazia apologia ao uso de drogas, pois suas iniciais formavam a sigla LSD. Posteriormente John Lennon esclareceu que a música era baseada em um desenho de seu filho Julian, no qual ele fez uma menina no céu e a chamou de Lucy.
Alheio a essas polêmicas, em 30 de novembro de 1974 o paleontólogo norte-americano Donald Johanson realizava escavações no sítio de Hadar, no vale de um grande rio na Etiópia, país no Leste da África. A partir dessas escavações ele descobriu um fóssil de uma fêmea de aproximadamente 3,2 milhões de anos, com 1, 10 metro de altura,  que viveu por 25 anos, e apresentava 40% de sua ossada, sendo o fóssil mais completo já encontrado. Tratava-se de um exemplar de Australopithecus afarensis, o ancestral mais antigo do homem moderno, que viveu na África.
Na mesma noite, durante as comemorações pela grande descoberta, a música mais tocada foi justamente "Lucy in the Sky with Diamonds", dos Beatles. Assim, Johanson não teve dúvidas: batizou aquele esqueleto de Lucy. As análises dos ossos em laboratório comprovaram que Lucy era bípede e andava ereta, pois o formato do fêmur apresentava traços disso, bem como joelhos, pélvis, tornozelos e espinha.


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Jean Nicot: o cara que batizou a nicotina

Quando li "Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores", de Eduardo Bueno, fiquei conhecendo a curiosa história de Jean Nicot e sua relação com o tabagismo mundial. 
O francês Nicot, quando exercia o cargo de embaixador em Portugal, em 1561, presentou sua rainha, Catarina de Médicis, com sementes de tabaco, que segundo ele seriam um excelente remédio para curar as enxaquecas de Sua Majestade. Nos anos seguinte a rainha começou a inalar o fumo, mas sua moléstia jamais foi amenizada e além do mais, ela ficou completamente viciada. Dessa forma, o hábito de fumar se espalhou por todas as cortes da Europa.
Para "homenagear" Nicot, uma das substâncias mais nocivas do cigarro foi batizada de nicotina.
Vale lembrar que o tabaco é originário da América. Chegou à Europa logo depois do descobrimento do Novo Mundo, trazido por portugueses e espanhóis. Os indígenas americanos costumavam fumar seus cachimbos durante os rituais religiosos. E os europeus, achando um costume exótico, resolveram levar mudas de tabaco para a Europa, e assim, disseminaram o tabagismo mundo afora.