sexta-feira, 23 de março de 2012

Adubação missioneira

Nos primórdios da organização jesuítica no território missioneiro (Rio Grande do Sul, Argentina e Paraguai) a vida era inóspita. Os religiosos enfrentaram muitas dificuldades, até as Missões atingirem seu efetivo apogeu.
Para obter sucesso, era preciso que cada redução fosse autossuficiente. Aproveitando a presença da erva-mate na região, os jesuítas decidiram produzi-la em larga escala, para impulsionar o desenvolvimento econômico. Mas com a interferência humana, a planta crescia de forma lenta...
Era preciso fazer alguma coisa para acelerar a produção. O gado existente estava espalhado pelas antigas vacarias, que haviam se transformado em estâncias, localizadas aonde hoje é o Uruguai, ou seja, muito longe das Missões. Periodicamente, algumas cabeças eram trazidas até as invernadas, pequenos currais perto de cada redução, para garantir a alimentação por um determinado tempo. Mas o estrume produzido por esses animais era insuficiente para a fertilização dos ervais.
Assim, os padres precisavam de uma outra técnica. Ao realizarem observações na natureza, perceberam que as sementes que passavam pelo tubo digestivo dos passarinhos germinavam com mais rapidez!
E então tiveram uma ideia!
Oferecer uma sopa de sementes de erva-mate aos indiozinhos de cada redução! Isso mesmo, os pequenos guarani fariam o trabalho dos pássaros e depois evacuavam nos ervais. E não é que a tática deu certo! Após passar pelo sistema digestivo humano, as sementes estavam prontas para germinar. E assim os ervais se espalharam pelas Missões, com a utilização de uma espécie de ADUBAÇÃO HUMANA!

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