sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Keep Calm - Da Segunda Guerra Mundial para as redes sociais

O cartaz é simples: em um fundo vermelho, uma coroa é estampada sobre a mensagem “keep calm and carry on” (em português, “mantenha-se calmo e siga em frente”).
A imagem virou febre. Primeiro, estampou cadernos, canecas e diversos acessórios. Então, caiu na rede, ganhou paródias bem inusitadas.
Mas qual a origem desse cartaz? Que história guarda a frase? Por que uma coroa no topo? 
Na primavera de 1939, época em que a Inglaterra se juntou às tropas aliadas para enfrentar o exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial, o governo inglês decidiu imprimir pôsteres para acalmar a população imersa em territórios tomados pelo conflito. A ideia era imprimir três cartazes que seguissem o mesmo padrão de design: duas cores, uma frase impressa em fonte elegante e um desenho da coroa do rei George VI, à frente do país na época. Três versões foram enviadas à gráfica.
Na primeira, as letras elegantes, a coroa e a frase: “Sua coragem, sua alegria e sua determinação vão nos trazer a vitória”
Na segunda, o mesmo design e a mensagem: “A liberdade está em perigo. Defenda-a com toda a sua força”.
Os dois primeiros pôsteres foram distribuídos em setembro do mesmo ano e rapidamente invadiram paredes e janelas de lojas e vagões de trem. A terceira versão é aquela que você já conhece. Mas os ingleses da época da guerra nunca tiveram oportunidade de vê-lo. O cartaz com a frase “Keep calm and carry on” foi guardado para ser exposto apenas em uma situação de crise ou de invasão e acabou não sendo lançado.
Foi só em 2000, 61 anos depois de ser impresso, que o pôster caiu na boca do povo. Ele estava em um sebo na costa nordeste da Inglaterra no meio de livros empoeirados. Quando o encontrou, a dona da livraria o enquadrou e o pendurou na parede do estabelecimento. O pôster fez tanto sucesso entre os clientes que os donos decidiram imprimir cópias da imagem e comercializá-las. Foi aí que a frase começou a ganhar o mundo.
Mas por que é tão difundida? Talvez pelo conselho sensato, pelo design simples, pela mensagem universal. Para o cineasta Temujin Doran, diretor do curta que narra a história do pôster, as palavras são a chave para o sucesso: “trata-se de uma voz histórica, que oferece uma mensagem simples e sincera para inspirar a população a superar tempos difíceis. É um conselho que nunca envelhece: mantenha-se calmo e siga em frente”.
Fonte: http://super.abril.com.br/blogs/historia-sem-fim/conheca-a-origem-do-keep-calm-and-carry-on/

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A arte de jogar futebol de botão

*Fugindo um pouco da temática central do blog, publicarei algumas pequenas crônicas de minha autoria, que é algo que me gusta muito também. Pra começar, essa aí:
Os meninos que viveram o auge da infância na década de 90 ainda tiveram a oportunidade de jogar o bom e velho futebol de botão, hoje desconhecido para a geração digital. Por sua simplicidade, a disputa atraía a atenção de muitos e também se tornava emocionante, na medida em que só a vitória interessava. Com chuva ou sol, a brincadeira podia acontecer em qualquer lugar, desde que houvesse um companheiro disposto a medir forças e mostrar sua habilidade.
As equipes de botões vinham com adesivos autocolantes dos principais times do Brasil e do exterior, além de inúmeras seleções nacionais. Os mesmos podiam ser adquiridos em livrarias, a um preço baixo, fato pelo qual se tornaram bastante populares. Para a partida ser realizada, utilizava-se um tabuleiro, com as mesmas divisões de um campo de futebol de verdade, colocado em cima de uma mesa ou até mesmo no chão.
Os jogadores eram conduzidos por uma palheta, na tentativa de acertar a bola, formada por um disco minúsculo, geralmente de cor preta. Cada um poderia efetuar, no máximo, três toques e em caso de erro, a posse de bola seria do outro time. Isso deixava o jogo rápido e aberto. Jogadas ríspidas geralmente aconteciam, pois seguidamente atingia-se em cheio o oponente, em vez do alvo. A falta mais comum ocorria quando a bola parava em cima do escudo da equipe, sendo considerado toque de mão.
Não havia tempo estipulado para a duração de cada confronto. Geralmente eles acabavam quando alguém estava levando uma goleada e desta forma desistia, ou então reclamava da “arbitragem”, dizendo que o adversário roubava. No calor do jogo, muitas discussões aconteciam, pois cada um defendia ferrenhamente seus interesses, porém nada que não fosse resolvido no dia seguinte.
O futebol de botão é uma das muitas recordações dos tempos de outrora. Comecei a me interessar por ele quando ganhei Brasil e Estados Unidos, justamente na época da Copa do Mundo de 1994. Nos anos seguintes cheguei a ter mais de 20 equipes, entre clubes nacionais, estrangeiros e seleções; e a coleção só não foi maior porque aqui em São Luiz Gonzaga tinham poucas opções para a compra.
É com nostalgia que lembro as muitas tardes dedicadas exclusivamente a essas disputas, que envolviam principalmente os amigos da vizinhança. Infância como a daquele tempo dificilmente vai existir, pois cada vez mais cedo a tecnologia está presente no dia a dia das crianças, fazendo com que elas deixem para trás hábitos e brincadeiras saudáveis.
Enfim, recordar é viver! Quem nunca jogou futebol de botão não sabe o que perdeu!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

20 de novembro: o Dia da Consciência Negra

Existente desde os anos 60, somente a partir da Lei 10. 639, de 9 de janeiro de 2003, que o Dia da Consciência Negra ganhou maior ênfase. O 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, grande líder da resistência à escravidão, é utilizado para rememorar a opressão sofrida pelos africanos e seus descendentes desde os primórdios da história do Brasil. Além do mais, serve de afirmação da cultura afro na sociedade nacional e contraponto ao 13 de maio, considerado um ato nobre pelas classes dominantes e conservadoras.
A abolição da escravatura, em 13 de maio de 1888, não beneficiou os negros. Ela atendeu exclusivamente aos interesses de latifundiários do setor cafeeiro, que viam na mão-de-obra assalariada dos imigrantes europeus maiores vantagens, pois esses, ao receberem pelo trabalho, não se rebelariam ou fugiriam, como seguidamente acontecia com os cativos. Era mais lucrativo pagar para ter trabalhadores apaziguados, onde o resultado final compensaria todo o investimento.
Desde 1850, com a Lei Eusébio de Queirós, que findou o tráfico negreiro, o Brasil recebia pressões internacionais para terminar definitivamente com a escravidão. Defendia ferrenhamente esse objetivo a Inglaterra, que por ser a maior potência da época, teria um aumento significativo de seu mercado consumidor através da introdução do trabalho assalariado. Em contrapartida, ninguém estava preocupado com a causa humanitária e social, afinal, o Brasil foi o último país da América a abandonar essa prática.
Mesmo após a liberdade, o negro encontrou enormes dificuldades de levar uma vida digna. Ao contrário de outros grupos étnicos, não recebeu terras para produzir e comercializar excedentes, precisando vender sua força a um preço baixo, ou seja, continuou praticamente na mesma situação de antes. Sem acesso à educação, os que tentaram a vida na cidade ficaram à margem da sociedade, vivendo em condições precárias nas periferias das metrópoles surgidas no final do século XIX.
Portanto, o 13 de maio representa pouco para o movimento afro, pois o governo imperial apenas “libertou” os escravos, mas sem reparar os quase quatro séculos de exploração. Assim, tornou-se muito simples assinar a Lei Áurea, deixando de lado as condições das pessoas “beneficiadas” pela mesma. Acreditar que a escravidão foi abolida pela generosidade da Princesa Isabel é muita hipocrisia, caso não fossem as pretensões inglesas e de alguns cafeicultores descontentes, ela teria continuado por muito mais tempo.
No mesmo período, atenuava-se o preconceito racial. Como eram detentores de pequenos lotes agrários, os imigrantes julgavam-se superiores aos negros, embasados por leis locais que favoreciam o estabelecimento de famílias europeias no país. Tal sentimento de superioridade foi perpassado de geração em geração e até hoje está presente, com atitudes racistas proferidas, na maioria das vezes, por descendentes de clãs oriundos do velho continente.
Dessa maneira, merece destaque o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. O ideal seria não precisar de uma lei para reconhecê-lo, mas que o significado estivesse presente na memória de todos. Os povos afros desempenharam valiosa contribuição na construção da identidade brasileira, a partir de seus costumes, crenças, músicas, vocabulário, culinária, entre tantos outros fatores. Não se pode negar também sua herança genética, presente nas características físicas de muitos cidadãos tupiniquins.
Assim, o 20 de novembro constitui-se como uma forma de lembrar a importância do negro para a formação do país, a luta pela igualdade e o fim dos preconceitos. É necessário que essas reflexões não se restrinjam somente a uma data específica, mas estejam presentes sempre, pois um grupo étnico com uma história tão rica merece o respeito de todos, o ano inteiro.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

História da barba

O costume de preservar ou retirar os pelos da face, mais do que indicar um hábito corriqueiro, abre caminhos para que compreendamos traços de diferentes culturas espalhadas ao redor do globo. Por volta de 30 mil anos atrás, os nossos ancestrais descobriram ser possível remover a barba com o uso de lascas de pedra afiada. De fato, desde o Paleolítico vários indícios comprovam que o homem pré-histórico vivia cercado de determinados hábitos de higiene e vaidade.
No Egito Antigo, os pelos do corpo eram costumeiramente usados para diferenciar os membros da sociedade egípcia. Os membros mais abastados da nobreza, por exemplo, cultivavam a barba como um sinal de seu status. No entanto, a falta da mesma não indicava necessariamente algum tipo de demérito. A classe sacerdotal optava por uma total depilação de seus pêlos. De acordo com estudiosos, o hábito sacerdotal indicava o distanciamento do mundo e dos animais.
Entre os gregos o uso da barba era bastante comum. Prova disso é que muitas das imagens que representavam os famosos filósofos gregos eram sempre acompanhadas de uma farta rama de pêlos. Entretanto, durante a dominação macedônica essa tradição grega foi severamente proibida pelo rei Alexandre, O Grande. Segundo o famoso líder político e militar, a manutenção da barba poderia trazer desvantagens aos seus soldados durante um confronto direto.
Na civilização romana a barba integrava um importante ritual de passagem. Todos os rapazes, antes de alcançarem a puberdade, não poderiam cortar nenhum fio de cabelo ou barba. Quando atingiam o momento de passagem entre a infância e a juventude, raspavam todos os pêlos do corpo e os ofereciam aos deuses. Os senadores costumavam preservar a barba como símbolo de seu status político. Nessa mesma sociedade surgiram os primeiros cremes de barbear, produzidos através do óleo de oliva.
Durante a Idade Média, a barba sinalizou a separação ocorrida na Igreja Cristã com a realização do Cisma do Oriente. Muitos dos clérigos católicos eram aconselhados a fazerem a barba para que não parecessem com os integrantes da igreja ortodoxa ou até mesmo com os costumeiramente barbudos judeus ou muçulmanos. Além disso, o uso dos bigodes gerava bastante polêmica entre os cristãos medievais, pois estes eram ostentados pelas levas de germânicos que invadiam o decadente Império Romano.
Com o desenvolvimento comercial e o grande número de invenções que marcaram o mundo moderno, a barba começou a indicar um traço da vaidade masculina. Talvez em conseqüência desse fenômeno, o francês Jean-Jacques Perret, em 1770, criou um modelo de navalha mais seguro para barbear. No século seguinte a famosa navalha em “T” foi inventada pelos irmãos americanos Kampfe.
O grande salto na “tecnologia peluginosa” foi dado por um vendedor chamado King Camp Gillette. Utilizando aguçada inventividade, o então caixeiro viajante percebeu a possibilidade de adotar lâminas descartáveis para os barbeadores. Com o auxílio de Willian Nickerson (engenheiro do Instituto de Tecnologia de Massachusetts), criou uma nova marca de lâminas e barbeadores que ainda é largamente utilizada por homens e mulheres de várias partes do planeta.
Durante o século XX, o rosto lisinho virou sinônimo de civilidade e higiene. Muitas empresas e instituições governamentais não admitiam a presença de barbudos em seus quadros. No entanto, entre as décadas de 1970 e 1980, cavanhaques e bigodes começaram a virar uma febre entre os homossexuais norte-americanos. Esse novo dado se instituiu na cultura gay do final do século XX e teve como um dos seus maiores representantes o cantor Freddie Mercury.
Nos dias de hoje, a barba se associa aos temíveis terroristas do Islã ou a pessoas com um visual mais alternativo. Mesmo não indicando obrigatoriamente um determinado comportamento ou opção, a barba nos revela como as diferentes culturas salientam seus valores de unidade e diferença por meio dos mais “insignificantes” dados. O corpo (e a barba) se transforma em uma verdadeira via de expressão do indivíduo.
Fonte: www.historiadomundo.com.br

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Seriam "os smurfs" comunistas?

Muito se especula a respeito do caráter comunista da Vila dos Smurfs. Afinal de contas, a história em quadrinhos criada pelo belga Pierre Culliford (também conhecido como Peyo), na década de 50, foi publicada pela primeira vez no auge da Guerra Fria. Os estúdios Hanna Barbera transformaram-na em desenho animado somente no início dos anos 80, quando a decadência do regime soviético ainda não era iminente. Desde então, argumentos tentando comprovar o caráter marxista da obra não faltaram.
O que se disseminou entre as gerações que conheceram os pequeninos personagens azuis é que o desenho, mais do que a história em quadrinhos, é em si mesmo uma propaganda do comunismo. Nem Nadia Comaneci, a ginasta romena nota dez nas Olimpíadas de Montreal em 1976 foi tão bem sucedida na propaganda do regime comunista. Aposto que, se Lênin tivesse imaginado o poder de propaganda desses personagens, teria incluído mais um “S” na sigla da União Soviética: URSSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas dos Smurfs!
Ironias à parte, o fato é que existem muitos estudos sérios que tratam do assunto e seus argumentos têm se mostrado extremamente pertinentes. De acordo com a teoria do “comunismo azul” reinante na Vila, o Gargamel seria uma alegoria aos Estados Unidos. Isso porque o vilão ganancioso deseja o tempo todo transformar os Smurfs em ouro, numa clara alusão à coisificação das pessoas, inerente ao capitalismo.
Além disso, há inúmeras outras coincidências com o discurso comunista. O Papai Smurf, por exemplo, seria uma alusão a Karl Marx, já que é admirado pelos demais Smurfs por sua idade e sabedoria. A tese baseia-se nas “semelhanças físicas” entre os dois, evidenciada pelo uso do vermelho e a farta barba branca do Papai Smurf (não que um velhinho de barba branca e roupa vermelha também não pudesse ser o Papai Noel).
A tese vai mais longe. De acordo com ela, o Smurf Gênio poderia muito bem ser o Trotsky, já que sua sabedoria se assemelha à de Papai Smurf e, freqüentemente, ele é ridicularizado e ejetado da Vila. Vale lembrar que Trotsky foi banido da União Soviética em 1929... 
Mais uma coincidência relevante: todos os Smurfs são iguais, a despeito da atividade que desempenham ou de suas habilidades intelectuais. Ainda, não há propriedade privada na Vila dos Smurfs: a terra e os instrumentos são de todos. Entretanto, o fator que mais fortalece a tese de que os Smurfs são uma propaganda do regime comunista é que, de fato, não há igrejas na Vila. Não há, por exemplo, um Padre Smurf. Assim como os marxistas, os Smurfs são ateus: acreditam, apenas, na força da natureza. 
A comparação com o comunismo não acaba por ai. Há quem delire, quer dizer, afirme que o Bebê Smurf representa ninguém menos que Che Guevara. Isso porque ele teria sido fruto de um “deslize” do Papai Smurf com a Smurfette (para quem não sabe, ela foi criada pelo Gargamel para seduzir os Smurfs, mas acabou “passando para o outro lado da Força” graças ao Papai Smurf), ou seja, resultado da união entre o socialismo e o capitalismo. Acredito que, se levássemos para esse lado e, claro, tomássemos algumas doses cavalares de LSD, poderíamos dar outros vários exemplos resultantes do hibridismo entre socialismo e o capitalismo que não o Che Guevara. Pode-se comparar essa união à China ou, para os que preferem os exemplos ocidentais, o welfare state europeu. Eu, pessoalmente, iria mais longe e diria que o resultado do casamento socialismo x capitalismo é a terceira via adotada no Reino Unido. Cruzes! Fosse o Bebê Smurf orelhudo, ele seria o Tony Blair!
Há pessoas que levam essa “semelhança” tão a sério que chegam a afirmar que o desenho é uma criação do governo soviético, na intenção de infiltrar seus ideais no seio da sociedade americana antes de invadir os EUA. Dão graças a Deus, inclusive, pela criação dos Comandos em Ação... 
Entretanto, tem pipocado na Internet uma outra visão da propaganda na qual estaria imersa a Vila dos Smurfs, creditada à estudante Lisa Chwastiak. Segundo sua teoria, os Smurfs seriam, antes, supremacistas brancos, e não comunistas. 
Para ela, Peyo, falecido em 1992 aos 64 anos, era um nazista. Inclusive, ele seria afiliado à Ku Klux Klan (KKK), organização racista norte-americana. 
Seu argumento também parte de princípios e argumentações relevantes. Em primeiro lugar, Lisa não acredita ser mera coincidência o vilão se chamar Gargamel: além de nome e características físicas judaicas (cabelo escuro, pele clara e nariz proeminente), o vilão ainda carrega todo o estigma de preconceitos contra judeus que permeou, principalmente, a Alemanha de Hitler: um indivíduo mesquinho, sujo, que morava numa casa velha e se vestia de preto. 
Além do mais, Lisa não despreza a semelhança entre o Papai Smurf e o Grande Dragão, forma pela qual os líderes da KKK são conhecidos: ambos usam um chapéu pontiagudo vermelho e seus seguidores usam chapéus pontiagudos brancos. Ainda, a estudante afirma que existem inúmeros episódios em que os pequeninos seres azuis dançam em torno de fogueiras, a exemplo dos membros da Klan. 
Para finalizar, Lisa afirma que, entre os Smurfs, por “coincidência”, a única mulher possui, justamente, um arquétipo ariano, evidenciado por seu longo cabelo dourado. É exatamente o ideal de beleza idolatrado por Adolf Hitler para sua sociedade germânica. Além disso, como forma de demonstrar a arraigada crença na supremacia branca trazida à tona pelo desenho, os episódios em que os Smurfs são malvados são justamente aqueles em que eles deixam de ser azuis para se tornarem negros.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Romantismo medieval: os cintos de castidade


O cinto de castidade é uma espécie de faixa fechada à cadeado que os maridos mais zelosos usavam na Idade Média com a intenção de guardar a castidade das suas mulheres.
Para ser utilizado o objeto metálico era devidamente ajustado ao corpo da esposa e depois trancado à chave pelo marido desconfiado, permanecendo desse jeito até que ele retornasse ao lar. Sobre tal costume alguns historiadores duvidam de que seja verdadeiro, enquanto outros acreditam que a razão da existência desse tipo de cinto não tinha nenhuma relação com a preocupação dos maridos quanto a fidelidade das esposas, mas sim com a certeza de que os filhos gerados por elas eram realmente deles, para que a linhagem familiar continuasse mantendo o domínio das propriedades.
Uma outra corrente de estudiosos defende a tese de que os cintos de castidade, na verdade, teriam surgido no século 19, durante a chamada época vitoriana, um período marcado por forte puritanismo, mas contrariando essa opinião o poeta grego Homero, que viveu entre os séculos 11 e 7 antes de Cristo, diz em sua Odisséia que Hefesto, deus do fogo e da fundição, forjou um cinturão de bronze para que sua amada Afrodite permanecesse fiel a ele, enquanto outras obras da Idade Média também fazem referência a essa estranha peça. Para completar, há pouco tempo foi divulgada a notícia de que arqueólogos haviam descoberto o esqueleto de uma mulher que viveu entre fins do século 16 e princípio do século 17, no qual eles encontraram uma faixa de metal protegendo a região genital.
 Por FERNANDO KITZINGER DANNEMANN via http://profedeborahistoria.blogspot.com.br/

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O outro lado da Guerra dos Farrapos


No dia 20 de setembro alguns relembram o que classificam “Revolução” Farroupilha, ao enaltecer a bravura e a valentia de poucos rio-grandenses do século XIX. Tal acontecimento, considerado o mais importante do Estado, passou de uma simples reivindicação burguesa para um ícone da memória coletiva dos habitantes do Rio Grande do Sul. Porém ele é cercado de certos equívocos, que quase se tornam verdades absolutas.
A figura e o perfil do gaúcho surgiram de um processo completamente diferente daquele defendido pelos Farrapos. O gentílico foi utilizado durante muito tempo para designar os trabalhadores envolvidos diretamente com a lida campeira, que vagavam pelo pampa de estância em estância, na busca de serviços temporários. Como eram nômades, deslocavam-se no lombo do cavalo, dormiam debaixo do pala nas gélidas noites de inverno, se aqueciam com o chimarrão e seu maior divertimento consistia em jogar um carteado ou assar uma carne no fogo de chão.
A cultura gaúcha é basicamente oriunda da vida desses homens que viviam sem luxo algum, perambulando pela campanha. Até as músicas enfocam em sua ampla maioria assuntos relacionados a essa temática. Somente no final do século XIX que o termo começou a ser empregado como adjetivo pátrio dos habitantes do Rio Grande do Sul. Os Farroupilhas, por serem exclusivamente nobres, não se consideravam gaúchos, mas sim rio-grandenses.
A Guerra dos Farrapos, idealizada somente pela classe abastada da época, tinha como finalidade reduzir os impostos do charque local, mais caro que no vizinho Uruguai. A liberdade proposta era unicamente de comércio, baseada nos moldes do liberalismo econômico, sendo mais lucrativo os próprios latifundiários controlarem e administrarem seus negócios, sem pagar tributos ao Império. Movido por esse ideal, mascarado com lemas de liberdade, igualdade e humanidade, eles fundaram a República Rio-Grandense.
Além do mais, não se pode considerar o movimento como uma Revolução, pois historicamente essa denominação é utilizada para se referir a uma mudança drástica e duradoura. De fato, isso não aconteceu no Rio Grande do Sul, onde as mudanças foram apenas temporárias. Quando a província aceitou a paz proposta pelo Império, em 1845, tudo voltou a ser como antes e a Revolução deixou de existir.
O legado da Guerra dos Farrapos também é preconceituoso. Os escravos foram utilizados como massa de manobra e enganados em troca da tão sonhada liberdade, mesmo constituindo um importante pelotão de infantaria, conhecido por “lanceiros negros”. Para engajá-los à luta, os líderes Farroupilhas prometeram abolir a escravidão caso eles combatessem com bravura, algo que não passou de pura propaganda enganosa.
A liberdade para o referido grupo não estava na pauta dos Farrapos, porque essa medida resultaria em grandes prejuízos financeiros e eles temiam que os escravos pudessem se rebelar, o que seria perigoso às elites. Coube então a David Canabarro organizar uma emboscada para os lanceiros negros, fazendo com que os mesmos caíssem nas mãos do Exército Imperial. O episódio ficou conhecido como a traição de Porongos, por ter acontecido no cerro de mesmo nome, e resultou no completo massacre desses homens.
Os protagonistas do conflito visavam apenas consolidar seus negócios e é lamentável que até hoje muitos os cultuem como heróis. Dentre os envolvidos, o único que merece respeito é o General Neto, que acreditou até o fim que as ideias Farroupilhas pudessem se tornar realidade para todos. Descontente com o acordo de paz, exilou-se no Uruguai.
Os gaúchos não deveriam se deter tanto na Guerra dos Farrapos, mas sim valorizar mais outros aspectos de sua origem e história. É paradoxal ver que as pessoas cultuam tanto um conflito fracassado, do qual a província não obteve a separação do resto do Brasil, a escravidão não foi abolida e a igualdade não existiu. Literalmente, como diz no hino Rio-Grandense, a causa Farroupilha não foi mais do que “ímpia e injusta”; guerra que não trouxe nenhum benefício para o Rio Grande do Sul.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Eu te amo meu Brasil... eu te amo!

"... meu coração é verde, amarelo, branco, azul, anil"
Quem nunca cantarolou esses versos, principalmente nas semanas da Pátria, durante as séries iniciais? Pois é, um dos hinos da ditadura militar brasileira continua mais vivo do que nunca. Até hoje a criançada é instigada a cantá-lo nessas ocasiões, seja pela sua letra grudenta ou até mesmo pelo desconhecimento das educadoras quanto a sua apologia. O certo é que essa aparente inocente canção foi utilizada para encobrir as repressões e arbitrariedades do final dos anos 60 e início dos 70. Vamos aos fatos!
Em 1969, o General Emílio Garrastazu Médici assumiu o governo, permanecendo no poder até 1974. Ele ficou conhecido como um dos presidentes mais repressivos do regime militar. Para desviar a atenção da população quanto a violência existente nos porões da ditadura, desenvolveu uma forte propaganda ufanista, dentre as quais o slogan "Brasil: ame ou deixe-o". Associou também a figura da seleção brasileira campeã mundial em 1970 como sinônimo de crescimento para o país, além de instigar o chamado "milagre brasileiro", que se consolidou como uma grande ilusão de crescimento econômico e jogada de marketing, pois enquanto a maioria da população dispunha de bons salários e facilidade em adquirir bens de consumo, não conseguia perceber a repressão política existente.
Brasil: ame ou deixe-o
Nesse quadro, o que seria amar o Brasil? Nada mais do que aceitar a situação em que o país vivia, sem contestar absolutamente nada. Por isso muita gente preferiu deixá-lo, mas sem deixar de amá-lo, obviamente.
E em 1970, a banda "Os incríveis" gravou a famosa música "Eu te amo meu Brasil". Era tudo o que Médici e companhia desejavam. Os integrantes da banda afirmaram, anos mais tarde, que a composição não fazia nenhuma apologia política. Será?! Cada um tire suas próprias conclusões!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A Primeira Guerra Mundial: a guerra de trincheiras

A Primeira Guerra mundial ocorreu entre os anos de 1914 e 1918, vitimando um contingente de aproximadamente 20 milhões de pessoas e deixando outros 20 milhões de feridos, entre civis e militares. Foi um conflito motivado por interesses imperialistas, destacando-se nesse contexto a Inglaterra, a principal potência econômica e industrial da época e a Alemanha, que despontava como forte candidata a superar os ingleses e assumir a hegemonia nesses setores. Mas não vamos nos deter a esses fatores e sim a uma característica peculiar da Primeira Guerra: as trincheiras.
As trincheiras fizeram parte das estratégias de proteção militar e manutenção e domínio de territórios conquistados, sendo utilizadas por vários Exércitos. A luta estática dentro das trincheiras inicialmente não estava nos planos dos generais, mas as estratégias previstas fracassaram, pois se previa uma guerra de movimento, o que efetivamente não ocorreu. Na época, uma pá equivalia-se a um rifle no quesito sobrevivência, tamanha a importância que as trincheiras adquiriram no decorrer da guerra. As trincheiras se estendiam do litoral da Holanda, no Mar do Norte, ao longo da fronteira com a Alemanha até a Suíça, formando uma linha contínua de quase 300 km.
Entrincheirados os soldados escapavam das balas inimigas, porém encaravam muita lama, infestações de piolhos e ratos que se alimentavam de cadáveres nos campos neutrais ou “terra de ninguém”, que eram os espaços existentes no meio das trincheiras adversárias. As condições insalubres fizeram surgir novas doenças como a febre-de-trincheira, causada por bactérias transmitidas por piolhos e o pé-de-trincheira, infecção transmitida por fungos que se proliferavam através da umidade, do frio ou do uso prolongado de botas apertadas. Essa enfermidade, quando não tratada a tempo, podia causar a amputação dos pés.
Normalmente as trincheiras eram cavadas em ziguezague, para que em decorrência de um ataque inimigo por meio de granadas ou mesmo quando da utilização de gases tóxicos, não fossem atingidos um número muito significativo de soldados. Existiam também abrigos subterrâneos que podiam chegar até dez metros de profundidade, nos locais onde os conflitos eram mais amenos. Tais abrigos contavam com certos luxos, como luz elétrica e confortáveis camas.
A vida dos soldados nas trincheiras era um verdadeiro purgatório. Tinham que conviver com um ambiente insalubre e fétido dos cadáveres em decomposição, a pestilência das valas, a degradação psicológica, o som ensurdecedor das bombas, a falta de água potável, a fome, o frio, o sono, a escuridão iluminada pelas explosões.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Os caudilhos

O caudilhismo foi um sistema comum na América espanhola após sua independência e também no Brasil, onde era conhecido por coronelismo e se registrou mais ativamente durante a República Velha. Tratava-se de senhores que detinham grande influência em certas regiões, geralmente no interior, e com isso passavam a dominar os habitantes conforme seus interesses e de quem estava no poder. A diferença entre o sistema da América espanhola e o brasileiro está apenas no nome, pois o processo entre ambos era idêntico.
No Brasil, os governantes da época viam no caudilhismo (ou coronelismo, como queiram) uma forma de perpetuar seus interesses. Concediam aos homens de poder em cada região o título de Coronéis, mesmo eles sendo civis. Com isso, tinham pessoas de sua extrema confiança para controlar cada localidade, promover sua ideologia e combater possíveis opositores, pois os Caudilhos, dentre outras atribuições, possuíam poderes de polícia e caso fosse necessário, poderiam até mesmo matar para manter a ordem. Eram também os responsáveis por recrutar homens para organizar milícias, que visavam manter a segurança local.
Os Caudilhos se caracterizaram também como uma importante força social, política e econômica. Geralmente eram latifundiários, oriundos de famílias ricas e que conquistavam apoio da população através de seus discursos ou então pelo uso da força. Por isso, o mais fácil e racional era venerar esses importantes senhores do que contestá-los, pois o que eles diziam era lei, por serem homens bons, honestos e respeitáveis; na visão das comunidades que eles controlavam.
Dessa forma, vários governantes e também muitos Caudilhos, se perpetuaram no poder, pois a população votava de acordo com os interesses deles, sendo que ninguém jamais ousaria ir de encontro as suas ideias. Ademais, controlar as pessoas naquela época era muito fácil, pois os habitantes do interior, em sua imensa maioria, eram analfabetos e com pouca instrução, bastando um simples discurso para manipulá-los. Aliado a esses fatores, os Caudilhos prometiam proteção àqueles que se submetessem aos seus domínios, o que facilitava a adesão maciça da população em favor dos interesses deles.
O caudilhismo do século XXI
Várias características do caudilhismo ainda estão presentes na sociedade brasileira, pois muitos dos nossos atuais representantes continuam como forças sociais, políticas, econômicas e policiais. Atualmente nota-se que eles têm o poder de fazer promessas de melhorar a vida das pessoas, a educação, a saúde, a segurança pública, através de discursos impregnados com propostas de mudanças que dificilmente saem do papel. Ainda existem aqueles que realizam “pequenos” desvios de dinheiro público e pensam que nunca serão descobertos e por fim, continuam como forças policiais quando instalam CPI para averiguar fraudes e corrupção, o que na maioria das vezes sempre acaba em pizza.
Portanto, o caudilhismo de hoje se resume em trocas de favores, compra de votos, benefícios a companheiros, fraudes, entre outras ilegalidades, muitas vezes legitimado pelo povo, que elege pessoas incapacitadas para os poderes Executivo e Legislativo. Tudo isso calcado nos mesmos moldes do sistema que funcionou durante a República Velha, e ainda quando possível com o uso da artimanha de enganar, digo, persuadir a população.
P.S: no Rio Grande do Sul, por sua proximidade com os países platinos, os coronéis eram mais conhecidos por caudilhos.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Gandhi e sua luta pacífica pela independência da Índia

A Índia, um país de dimensões continentais, sofreu várias dominações estrangeiras a partir do século XVI, com portugueses, holandeses, franceses e ingleses. Porém, foi através da influência britânica que ela adquiriu uma unidade nacional, pela imposição de um idioma comum e métodos educativos ocidentais, idênticos àqueles existentes na Grã-Bretanha. No decorrer dos anos, as classes indianas atingidas por esse processo educacional começaram a contestar o domínio inglês, fazendo surgir um amplo sentimento nacionalista.
Nesse contexto destacou-se a figura de Mohandas Gandhi, mais conhecido por “Mahatma”, a “Grande Alma”. Advogado com formação britânica, Gandhi presenciou o regime de segregação racial do “Apartheid”, na África do Sul, onde morou por certo tempo. Para tentar deter as opressões, convocou um grupo de hindus a lutar pacificamente contra essas arbitrariedades. Ao retornar à sua terra natal, foi influenciado por amigos e líderes locais a fazer o mesmo contra o domínio britânico.
Após viajar pelo país, Gandhi conheceu o alto grau de pobreza da população, assolada pela miséria e fome, resultante da exploração européia ao longo dos séculos. Assim, passou a defender a necessidade de independência, através de uma resistência pacífica. Sua figura era tão forte e respeitada, fato pela qual se tornou símbolo da união de povos distintos que habitavam o mesmo território e tinham o mesmo objetivo em comum.
Dentro do movimento, incentivou também as campanhas de desobediência civil, propondo o boicote aos produtos ingleses. Elas refletiram-se na questão do vestuário, pois todos deveriam confeccionar suas próprias roupas, ao invés de comprá-las e também à produção de sal, onde cada um utilizaria o oceano Índico para produzi-lo. Tais atitudes desagradaram os colonizadores, que possuíam o monopólio comercial na Índia, mas tornaram Gandhi cada vez mais conhecido por sua capacidade de mobilizar as massas.
Outro fator importante foi a Segunda Guerra Mundial. Após o conflito, a Inglaterra ficou enfraquecida economicamente, tornando inviável a manutenção de seu vasto império colonial, aliado ao crescimento dos movimentos nacionalistas pedindo a libertação indiana. A guerra foi o ponto chave, pois caso contrário, os ingleses somente consentiriam com a independência quando a colônia não representasse mais lucros aos seus cofres.
A diversidade cultural e religiosa da Índia era representada por hindus e muçulmanos. Enquanto lutaram pela libertação, ambos conseguiram manter-se unidos sob a liderança de Gandhi, que acreditou na convivência harmoniosa entre os dois grupos. Mas depois ocorreram cisões e a sua crença não se efetivou.
Os muçulmanos criaram o Paquistão Ocidental, atual Paquistão; e o Paquistão Oriental, hoje conhecido como Bangladesh. Entre eles ficou um enclave hindu, a Índia, que abrigou a maioria da população, originando as hostilidades entre os dois países, principalmente em relação às questões territoriais. Como a independência ocorreu no início da Guerra Fria, o Paquistão alinhou-se aos Estados Unidos, enquanto a Índia voltou-se para o lado soviético, aumentando ainda mais a tensão na região.
Atualmente, o principal motivo da rivalidade entre as duas nações está ligado à Caxemira, uma província do norte da Índia, com maioria muçulmana, reivindicada pelo Paquistão. Essas disputas podem resultar em uma guerra nuclear, pois ambos possuem tecnologia para a fabricação de bombas atômicas e outros artefatos bélicos.
Portanto, o grande legado da independência da Índia está na figura de Gandhi, assassinado por um extremista hindu, descontente com sua maneira tolerante de tratar os muçulmanos. Além disso, o movimento caracterizou-se como uma das poucas revoluções da história que não utilizou a violência para obter sucesso.

terça-feira, 19 de junho de 2012

A Guerra Fria no futebol: Alemanha Oriental X Alemanha Ocidental na Copa de 1974

Você já imaginou uma partida da Copa do Mundo da FIFA que colocasse frente a frente Brasil contra Brasil, França contra França, ou Itália contra Itália? Provavelmente não, mas basta pensar nessa possibilidade para compreender a singularidade do jogo entre República Federal da Alemanha (Alemanha Ocidental) e República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) disputado em Hamburgo no dia 22 de junho de 1974, válido pela primeira fase do Mundial.
Aquele foi o único confronto de todos os tempos entre os dois países separados depois da Segunda Guerra Mundial. A partida foi repleta de emoção e entrou para a história do futebol tanto pela sua importância política quanto pelo resultado surpreendente.
Tudo indicava que seria um duelo absolutamente explosivo. A tensão política que cercava o espetáculo era tanta que os jogadores não fizeram a tradicional troca de camisas em campo após o apito final. Paul Breitner só pediu para trocar de camisa com o autor do gol da vitória, Jürgen Sparwasser, quando ambos já estavam a caminho dos vestiários. Os souvenires ficaram esquecidos por 28 anos, até que os jogadores decidiram colocá-los à disposição por uma boa causa.
As expectativas
Na realidade, ambas as seleções já estavam classificadas para a fase seguinte, mas o "duelo de irmãos" valia a primeira colocação do Grupo 1 e, evidentemente, a glória de derrotar o país vizinho. A Alemanha Ocidental precisava apenas de um empate para se manter na liderança, já que havia vencido as suas duas partidas, contra Chile por 1 a 0 e Austrália por 3 a 0. Do outro lado, o selecionado comandado por Georg Buschner também fizera uma boa campanha. A equipe havia derrotado a Austrália por 2 a 0 e empatado com o Chile em 1 a 1.
Cerca de 60 mil espectadores, entre eles quase 1.500 cidadãos da Alemanha Oriental, lotaram o Volksparkstadion, em Hamburgo, para assistir ao primeiro e único embate da história entre as duas seleções. Não havia dúvidas de quem era o favorito. Do lado ocidental estavam os campeões europeus de 1972 e mundiais de 1954, enquanto a seleção vinda do leste fazia a sua estreia na Copa do Mundo da FIFA.
A partida
Desde o início, o confronto foi marcado por muito respeito de ambos os lados. Nenhuma das seleções queria sair de campo com a derrota, o que as motivou a fazerem de tudo para neutralizar o adversário. Foram raras as chances de gol, mas foi uma boa partida, com as duas equipes mostrando muita garra e determinação. O árbitro uruguaio Ramón Barreto Ruiz mostrou três cartões amarelos — todos para a Alemanha Oriental.
A única grande chance de gol para a RFA foi com o atacante Gerd Müller, que recebeu a bola de costas para o gol aos 39 minutos do primeiro tempo, girou sobre o seu marcador e acertou a trave. Do outro lado, Hans-Jürgen Kreische teve tudo para abrir o placar para a RDA após um cruzamento da esquerda, mas finalizou mal e mandou a bola por cima do gol de Sepp Maier.
Todos pensavam que a partida terminaria sem gols quando aconteceu o lance que surpreendeu o mundo. O goleiro da Alemanha Oriental, Jürgen Croy, agarrou uma cabeçada aos 32 do segundo tempo e rapidamente lançou para Erich Hamann, iniciando o ataque decisivo. O jogador, que havia entrado dez minutos antes, conduziu a bola sem ser incomodado por 30 metros pelo lado direito até que Franz Beckenbauer veio disputar a bola com ele. No entanto, o líbero não conseguiu impedir o lançamento de Hamann para a grande área.
Jürgen Sparwasser dominou a bola como conseguiu, usando a cabeça, o ombro e o peito. Os dois zagueiros, Berti Vogts e Horst-Dieter Höttges, ficaram para trás com a estranha manobra e Sparwasser aproveitou para marcar o sensacional gol da vitória do selecionado que estreava na Copa do Mundo da FIFA. Foi o primeiro gol que a Alemanha Ocidental sofreu depois de 481 minutos e também o único de Sparwasser no torneio.
O craque
Jürgen Sparwasser será para sempre lembrado pela sua atuação no duelo histórico em Hamburgo. O seu gol fez dele um dos esportistas mais conhecidos da Alemanha Oriental. Formado em engenharia mecânica, o jogador disputou 53 partidas pelo seu país, tendo balançado as redes 15 vezes. Na Expo 2000 em Hannover, foi erigido até mesmo um busto em homenagem ao atleta.
As reações
"Se quando eu morrer escreverem apenas 'Hamburgo 1974' na minha lápide, todos já saberão quem foi enterrado ali."
Jürgen Sparwasser, atacante da Alemanha Oriental
"O gol do Sparwasser nos acordou. Se não fosse aquilo, não teríamos sido campeões do mundo."
Franz Beckenbauer, capitão da Alemanha Ocidental
O que aconteceu depois?
A liderança do grupo conquistada com a vitória não foi necessariamente uma vantagem para a Alemanha Oriental. Na fase seguinte, a RDA caiu em um grupo muito difícil e foi eliminada depois de terminar apenas na terceira posição. A equipe do leste perdeu por 1 a 0 do Brasil, empatou em 1 a 1 com a Argentina e foi derrotada por 2 a 0 pela Holanda, que acabou ficando com a segunda colocação do torneio.
Já a Alemanha Ocidental venceu a Iugoslávia por 2 a 0, a Suécia por 4 a 2 e a Polônia por 1 a 0 e se classificou com folga para a final contra a Holanda. Apesar de ter entrado como azarão, o país, que já havia vencido a Copa do Mundo da FIFA 1954, derrotou os holandeses e se sagrou bicampeão mundial.
A participação em 1974 foi a única da Alemanha Oriental no maior evento esportivo do planeta, enquanto a Alemanha Ocidental se classificou para todos os torneios desde então e voltou a alcançar a maior consagração do futebol mundial na Itália 1990.
Melhores momentos dessa partida histórica
Fonte: fifa.com

terça-feira, 12 de junho de 2012

A propaganda nazista nos Jogos Olímpicos de 1936

Os Jogos Olímpicos na cidade alemã de Berlim, em 1936, são lembrados pelo afã de Hitler em provar e impor sua teoria de superioridade da raça ariana. No entanto, o herói olímpico mais popular desta edição foi o atleta negro Jesse Owens.
Berlim oficializou sua candidatura para sediar os jogos em 1932, um ano antes da chegada de Adolf Hitler ao poder, e obteve esse direito conseguindo 20 votos a mais que Barcelona.
Já instalado no poder, o departamento de propaganda do partido Nacional-Socialista (Nazista) rapidamente se deu conta da enorme força do esporte e dos jogos olímpicos na orientação - e neste caso manipulação - da juventude e das massas. Logo, não teve dúvidas em aproveitar a ocasião, utilizando o evento como vitrine para uma concepção político-ideológica.
Não querendo fazer parte do jogo de manipulação fascista de Hitler, Inglaterra, França e Estados Unidos pressionaram o COI para que a Alemanha garantisse a segurança dos participantes e evitasse a segregação racial. Em Berlim 1936, a vaidade não encontrou limites na megalomania nazista. Ademais, não economizaram e investiram mais de US$ 30 milhões na organização, construindo também um novo estádio com capacidade para 110 mil espectadores, diversas instalações para abrigar as competições e uma Vila Olímpica de luxo, rodeada de lagos e bosques a tão somente 10km de Berlim.
Devemos reconhecer que a máquina propagandista do nazismo alemão converteu os jogos de Berlim nos melhores da história até o momento, já que Hitlher ordenou que tudo saísse à perfeição do ponto de vista técnico e também esportivo, com nível muito elevado em quase todas as provas. Como parte das inovações, destaca-se nesta olimpíada a transmissão das competições mais importantes pela televisão. Vinte e cinco telas gigantes foram posicionadas em diferentes espaços públicos de Berlim, para que o povo alemão pudesse assistir aos jogos. O aspecto comercial também foi um êxito nesta edição; foram comercializados quatro milhões de ingressos durante a olimpíada.
A chama sagrada chegou pela primeira vez desde Olimpia, na Grécia, e para percorrer os 3.076km foi necessária a ajuda de 3.300 pessoas no revezamento. A cerimônia inaugural foi solene mas simples, uma ponte entre o estilo grego clássico e o rigor alemão. As competições se desenvolveram novamente ao longo de suas semanas, entre 1º e 16 de agosto, e a presença dos atletas foi numerosa: 4.066 esportistas, dos quais 328 eram mulheres, representando um total de 49 países. O programa incluía 19 esportes. Nesta edição foram incorporados o basquete e o handebol. O pólo apareceu como esporte olímpico pela última vez.
Nas competições, a Finlândia voltou a brilhar nas corridas de longa distância; os escandinavos levaram as três medalhas na final dos 10.000m e o ouro e prata nos 5.000m, enquanto os americanos conseguiam as três medalhas no decatlo.
Os alemães dominaram os arremessos e lançamentos: Hans Woelke bateu o recorde olímpico em arremesso de peso com 16,20m. No lançamento de martelo ganhou Karl Hein, e no dardo o primeiro lugar ficou para Gerhard Stock. Na ginástica com aparelhos, a equipe alemã obteve o ouro. Ressalta-se que a Alemanha não ganhou uma prova sequer nos jogos anteriores. Os triunfos foram justificados pelos nazistas como um atestado do progresso esportivo da juventude, parte do programa de Hitler para o novo Reich.
Jesse Owens: tetracampeão olímpico
Antes do início dos jogos, existiam ressalvas por parte de alguns países no que diz respeito à discriminação de seus atletas não-brancos por parte do regime nazista. Receios que tristemente se confirmaram, com apelidos depreciativos dados aos atletas negros norte-americanos em jornais alemães, por exemplo.
Em Berlim 1936 foi escrita uma das páginas mais brilhantes do movimento olímpico como integrador e de reconhecimento à igualdade de todos os seres humanos. Jesse Owens, um corredor de raça negra dos EUA proveniente da Universidade de Ohio, bateu o recorde mundial nas semifinais dos 100m, com 10"02, diante da complacência de Hitler. Esta ocasião significou uma primeira chamada de atenção para o governante alemão e suas desafortunadas teorias sobre a inferioridade das raças não-arianas, que pelo menos nas pistas não foram cumpridas.
Owens passaria à história como um dos melhores atletas de todos os tempos, graças à performance nestes jogos: ganhou o ouro nos 100m, 200m, salto à distância e no revezamento 4x100m. Bateu ou igualou no mesmo dia, em um espaço de 100 minutos, cinco marcas mundiais diante do olhar incrédulo do Führer, que se negou a premiar o atleta norte-americano, abandonando o estádio.
A serenidade, habilidade fenomenal e cavalheirismo converteram Owens em um ícone, inclusive entre o público alemão. Depois de disputar estas olimpíadas, passou ao profissionalismo e se dedicou às apresentações.
Fonte: Terra

terça-feira, 5 de junho de 2012

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos: por trás do romantismo havia um protesto!

Mesmo sem nunca ter tido problemas com a ditadura militar dos anos 60 e 70, o "rei" Roberto Carlos foi genial ao compor uma música de protesto contra o regime político brasileiro da época. Trata-se de "Debaixo dos caracóis dos seus cabelos", que com uma boa dose de romantismo passou batida à censura e conquistou os corações das jovens apaixonadas. Até hoje poucos conseguem perceber a verdadeira mensagem que a canção apresentava.
Para entendê-la, é preciso voltar até 1969, quando Caetano Veloso partiu para o exílio em Londres. Notadamente, suas músicas protestavam contra a situação política brasileira do período em questão. Assim, em 1971, Roberto Carlos lançava "Debaixo dos caracóis dos seus cabelos", em homenagem ao amigo que se encontrava exilado na Inglaterra. Naquela época, Caetano ostentava uma vasta cabeleira, daí o motivo do nome da música.
Romantismo à parte, várias passagens da letra apresentam mensagens de protesto. Vamos a elas:
- "Janelas e portas vão se abrir, pra ver você chegar e ao se sentir em casa, sorrindo vai chorar." Mesmo longe, ele jamais seria esquecido. "Em casa" seria obviamente o Brasil.
- "Debaixo dos caracóis dos seus cabelos, uma história pra contar, de um mundo tão distante." "Mundo tão distante" também seria o Brasil, afinal, o cara estava do outro lado do Atlântico.
- "Você olha tudo e nada lhe faz ficar contente, você só deseja agora, voltar pra sua gente." "Voltar pra sua gente" ou voltar para o Brasil. Era o desejo de qualquer exilado político.
- "Um dia eu vou ver você chegando num sorriso, pisando a areia branca, que é seu paraíso." Seria o fim da ditadura militar, que permitiria o retorno dos exilados ao país, fato que teve início a partir de 1979.
Sorte que a censura da época era um tanto burra, que não conseguia perceber certos protestos. E assim, subliminarmente, Roberto Carlos fez uma boa crítica e ainda por cima agradou seu público fiel, os apaixonados de plantão!
OBS: o mesmo governo militar que motivou o protesto de Roberto Carlos, o transformou em "rei", pois ele era um bom moço que não criticava explicitamente a política da época. Mas isso é assunto para outra postagem.

sábado, 26 de maio de 2012

O boicote aos Jogos Olímpicos de 1980 e 1984

Faltando apenas dois meses para os Jogos Olímpicos de Londres, a situação atual é bem diferente da existente há três décadas.
No final dos anos 70 e início dos anos 80, as disputas políticas e ideológicas da Guerra Fria, mesmo em certo declínio, tiveram reflexos no cenário esportivo mundial. Naquela época, Estados Unidos e União Soviética ainda detinham o poder oriundo da bipolaridade entre capitalismo e socialismo, surgida a partir do final da Segunda Guerra Mundial.
O artigo abaixo expressa muito bem a forma como Estados Unidos e União Soviética lideraram os boicotes aos Jogos Olímpicos que aconteceram na casa de seus rivais políticos.
Jogos Olímpicos de Moscou/1980
Em 1979, o Afeganistão tremeu. Desde 1973 envolvido com uma disputa pelo governo entre os mujahidin – rebeldes muçulmanos – e adeptos de um regime comunista, no dia 25 de dezembro a URSS invadiu o país, alegando “a manutenção do regime comunista e garantir a paz no Oriente Médio”. Trocando em miúdos: garantir petróleo, àquela época escasso no mundo após o Segundo Choque do Petróleo, ocorrido naquele ano.
Todo o planeta, obviamente, percebeu as intenções soviéticas em sua ocupação. Jimmy Carter, presidente americano, declarou no dia 20 de janeiro de 1980 que, em caso da não retirada das tropas russas do Afeganistão dentro de um mês, seu país iria boicotar os Jogos Olímpicos de sete meses depois, em Moscou.
Como a história confirma, os soviéticos não retiraram suas Forças Armadas do país árabe. Como resposta, grande parte do bloco capitalista – obviamente liderado pelos EUA – não foi para Moscou, com seus atletas dessas nações competindo sob a bandeira olímpica, unicamente. Japão, Alemanha Ocidental, China (essa em litígio com a URSS desde a década de 60 e se aproximando dos EUA na época) e França foram os destaques dentre as nações “boicoteiras”. Alguns desses participaram do Liberty Bell Classic, uma mini Olimpíada realizada na Universidade da Pensilvânia em abril de 1980.
Em Moscou, na abertura dos Jogos, o presidente e secretário geral do PCUS, Leonid Brejnev, lamentou o boicote ocidental a Olimpíada em terras russas. Além disso, no encerramento, o ursinho Misha – mascote daqueles Jogos – chorou simbolizando a “tristeza” dos soviéticos pelas ausências, que fizeram com que apenas 80 nações participassem daquelas Olimpíadas. No fechamento dos Jogos, a tradição de se executar o hino nacional do país que sediaria as próximas Olimpíadas foi respeitada e uma versão curta do hino americano foi executada.
Jogos Olímpicos de Los Angeles/1984
Após a ausência de uma parte do bloco capitalista nos Jogos de Moscou, era esperada uma ação semelhante por parte da União Soviética e seus seguidores socialistas. No dia 8 de maio de 1984, a expectativa se confirmou: o governo russo anunciou que não enviaria a sua forte comissão de atletas para Los Angeles. O recado era claro e não precisava ser dito: “boicotou o meu, boicoto o seu”.
O que era discutido e negociado após o anúncio russo era apenas uma coisa: “quem irá aderir ao boicote? Todo o bloco ou parte dele?” – Logo após isso, algumas respostas chegaram: a Bulgária e a Alemanha Oriental anunciaram que iriam seguir a política soviética no dia 10; logo depois, Mongólia e Vietnã (no dia 11); Laos e Tchecoslováquia (dia 13); Afeganistão – esse curiosamente participou dos Jogos de Moscou e boicotou Los Angeles, mesmo sob ocupação russa – Hungria e Polônia (dias 16 e 17, respectivamente). No dia 24, Cuba seguiu o bloco socialista; o Iêmen do Sul, no dia 27 e fechando o grupo que aderiu a URSS, Coreia do Norte e Angola.
Curiosamente, outros países também não foram a Los Angeles: o Irã alegou que “os americanos interferem no Oriente Médio, auxiliam o governo que ocupa Jerusalém e cometem crimes na América Latina, especialmente em El Salvador”. É a única nação que boicotou Moscou e Los Angeles. Além desse, a Líbia, Albânia e a Etiópia também aderiram ao movimento.
Assim como em 1980, o bloco boicotador organizou uma competição alternativa: os Jogos da Amizade, ocorridos na União Soviética entre julho e agosto de 1984. Em 1980, os Jogos ocorreram na Filadélfia, organizados na área da Universidade da Pensilvânia.

Por Rodrigo Farias 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Raul Seixas e o rock de protesto dos anos 70

Raul Seixas foi um dos maiores ícones do rock nacional. Após mais de vinte anos de falecimento seu trabalho continua fazendo sucesso até mesmo com as novas gerações, que nem chegaram a conhecê-lo. De subversivo, passou a ser sinônimo de cultura e inteligência para aqueles que o escutam.
Nas composições, Raul protestava contra os acontecimentos de seu tempo. Por seguir essa linha, teve alguns problemas com a censura no período da ditadura militar, quando desagradou quem estava no poder ao propor uma “Sociedade alternativa” àquela existente na década de 70. Mesmo assim, nas canções seguintes, deixou nas entrelinhas vários questionamentos que dificilmente eram percebidos pela censura da época.
A música “Sapato 36 criticava a repressão existente no Brasil dos anos 70, que podia ser traduzida, entre tantos versos, pelo seguinte: "eu calço é 37, meu pai me dá 36, dói mas no dia seguinte, aperto meu pé outra vez." O pai em questão, era obviamente o governo militar.
Já “SOS”, por sua vez, tinha uma temática relacionada à sociedade da época. Segundo ela, somente com uma mudança de planeta para resolver os problemas que existiam no país, além de seu título dispensar maiores explicações.
Ao falar sobre o repertório de Raul Seixas, não se pode esquecer do clássico “Cowboy fora da lei”, onde ficavam expostas as intenções dos postulantes aos cargos públicos. Ele não queria ser prefeito, pois era capaz de mentir sozinho, criticando assim a maioria de nossos representantes, que até hoje pensam somente em seus próprios interesses.
Mais um clássico que pode perfeitamente ser trilha sonora do momento é “Anos 80. Apesar de lançado na década perdida para representar as mudanças que aconteciam no Brasil, continua em evidência porque cada vez mais se varre “lixo pra debaixo do tapete que é supostamente persa pra alegria do ladrão”.
Porém às vezes Raul protestava explicitamente. Em “Mamãe eu não queria”, abordou seu desagrado contra o serviço militar obrigatório, enfatizando que muitos faziam (e ainda fazem) certas coisas contra a própria vontade, pois “se fosse tão bom assim não seria imposição”.
"Ouro de tolo" é outra obra prima do mestre Raulzito. Nela estava uma crítica ao chamado milagre brasileiro do governo Médici, que desviou o foco das torturas e perseguições do Regime Militar. As pessoas possuíam bons empregos, ganhavam ótimos salários, tinham o carro do ano, moravam em bairros nobres; mas não conseguiam perceber as arbitrariedades cometidas nos porões da ditadura.
Pra finalizar, não posso deixar de citar "Ave Maria da Rua", que enfoca as desigualdades sociais.
Outras contribuições são muito bem-vindas. Deixe seu comentário!

sábado, 12 de maio de 2012

Lucy: da música para a História

Talvez esta não seja uma das canções mais conhecidas e nem tenha feito grande sucesso, mas está estreitamente ligada à História da humanidade. Composta por Paul McCartney e John Lennon e lançada pelos Beatles no antológico álbum “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”, no ano de 1967, a música "Lucy in the Sky with Diamonds" virou uma peça importante historicamente, apesar da polêmica que se criou sobre ela. Alguns alegavam que ela fazia apologia ao uso de drogas, pois suas iniciais formavam a sigla LSD. Posteriormente John Lennon esclareceu que a música era baseada em um desenho de seu filho Julian, no qual ele fez uma menina no céu e a chamou de Lucy.
Alheio a essas polêmicas, em 30 de novembro de 1974 o paleontólogo norte-americano Donald Johanson realizava escavações no sítio de Hadar, no vale de um grande rio na Etiópia, país no Leste da África. A partir dessas escavações ele descobriu um fóssil de uma fêmea de aproximadamente 3,2 milhões de anos, com 1, 10 metro de altura,  que viveu por 25 anos, e apresentava 40% de sua ossada, sendo o fóssil mais completo já encontrado. Tratava-se de um exemplar de Australopithecus afarensis, o ancestral mais antigo do homem moderno, que viveu na África.
Na mesma noite, durante as comemorações pela grande descoberta, a música mais tocada foi justamente "Lucy in the Sky with Diamonds", dos Beatles. Assim, Johanson não teve dúvidas: batizou aquele esqueleto de Lucy. As análises dos ossos em laboratório comprovaram que Lucy era bípede e andava ereta, pois o formato do fêmur apresentava traços disso, bem como joelhos, pélvis, tornozelos e espinha.